O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, recuperando o patamar dos 170 mil pontos, com as ações da Azzas 2154 em destaque após a companhia confirmar que avalia alternativa para a marca Farm. O Índice de referência do mercado acionário brasileiro subiu 1,21%, a 170.370,38 pontos, com bancos entre os principais suportes, após marcar 170.749,76 pontos na máxima e 168.326,26 pontos na mínima do dia.
O volume financeiro no pregão somou R$23,99 bilhões.
A bolsa paulista descolou de Wall Street, que teve um fechamento mais fraco, pressionado pelo setor de tecnologia. O índice Nasdaq caiu 1,33% e o S&P 500 recuou 0,37%, enquanto o Dow Jones subiu 0,29%.
Na cena geopolítica, mediadores relataram que autoridades dos Estados Unidos e do Irã alcançaram “avanços encorajadores” na primeira rodada de negociações na Suíça, o que endossou novo alívio nos preços do petróleo. Paquistão e Catar afirmaram que as partes concordaram com um roteiro para um acordo final sobre o fim da guerra em 60 dias.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou a repórteres no final da tarde que o Estreito de Ormuz está totalmente aberto. Mas acrescentou: “se o Irã não cumprir o acordo, ou se não se comportar adequadamente, farei o que for preciso”.
No Brasil, a semana começou com nova piora nas previsões de inflação do mercado compiladas na pesquisa Focus do Banco Central, bem como nova alta na expectativa para a Selic ao final de 2026, para 14% ao ano.
Ainda assim, as taxas dos DIs recuaram, em especial entre os contratos de longo prazo, após o Tesouro anunciar o cancelamento do leilão de títulos indexados à inflação programado para terça-feira.
Na visão de analistas do Itaú BBA, o Ibovespa segue em tendência de baixa no curto prazo. “Para sair dessa tendência de baixa e retornar a um cenário neutro, o Ibovespa precisará superar a região dos 174.900 pontos”, afirmaram no relatório Diário do Grafista enviado a clientes nesta segunda-feira.
Destaques
• AZZAS 2154 ON disparou 10,48%, após a companhia divulgar no final da sexta-feira que contratou o Morgan Stanley para assessorar a avaliação de alternativas estratégicasenvolvendo os ativos relacionados à marca Farm Rio, com o objetivo de destravar valor dessa marca.
• YDUQS ON subiu 5,23%, endossada por relatório do JPMorgan elevando a recomendação da ação para “overweight”, citando expectativa de forte geração de fluxo de caixa livre. O preço-alvo, porém, passou para R$16,50, de R$18,50 antes.
• BTG PACTUAL UNIT valorizou-se 3,1%, também apoiada por relatório do JPMorgan elevando a recomendação dos papéis para “overweight”, bem como o preço-alvo, de R$61 para R$66. No setor, ITAÚ UNIBANCO PN avançou 2,68%, BRADESCO PN subiu 1,2%, BANCO DO BRASIL ON fechou em alta de 0,82% e SANTANDER BRASIL UNIT ganhou 0,26%.
• PETROBRAS PN avançou 0,95% e PETROBRAS ON subiu 0,69%, resistindo ao declínio dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent caiu 3,31%, a US$77,90. A estatal divulgou que assinará na terça-feira um memorando de entendimentos com a petroleira mexicana Pemex para cooperação estratégica e técnica em projetos na indústria de petróleo e gás.
• VALE ON fechou com acréscimo de 0,2%, em dia de queda dos futuros do minério de ferro na China. Investidores também repercutiram notícias sobre a reunião de sexta-feira do conselho de administração da mineradora, que negou pedido da acionista Previ para destituição do presidente do colegiado, Daniel Stieler. O conselho, porém, convocou, a pedido da Previ, assembleia de acionistas para o dia 22 de julho para deliberar sobre o assunto.
• SUZANO ON recuou 2,75%, em sessão de queda do dólar ante o real. KLABIN UNIT recuou 1,17%.
• RANDONCORP PN, que não faz parte do Ibovespa, caiu 4,62%, após divulgar receita líquidaconsolidada de R$1,06 bilhão em maio, queda de 8,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Dólar cede
O dólar fechou em baixa ante o real, em sessão que contou com duas operações cambiais simultâneas do Banco Central, enquanto no exterior a moeda norte-americana sustentou ganhos ante boa parte das demais divisas. O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,45%, aos R$ 5,14. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,33% ante o real.
Às 17h12, o dólar futuro para julho – atualmente o mais líquido no mercado brasileiro – cedia 0,15% na B3, aos R$5,1565.
Os EUA e o Irã concordaram, conforme os mediadores Catar e Paquistão, com um roteiro para um acordo final que ponha fim ao conflito em até 60 dias. Ainda assim, investidores se mostravam preocupados com as ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, de retomada da guerra e com o anúncio de que Teerã havia fechado novamente o Estreito de Ormuz.
No fim da tarde, com o mercado à vista já fechado, Trump afirmou que o Estreito de Ormuz está totalmente aberto. Neste cenário, o dólar sustentou ganhos ante divisas fortes como o euro e o iene, mas recuou ante a libra. Em relação aos países emergentes, o dólar caiu ante o peso colombiano e o real – neste caso, após os fortes avanços da semana passada -, mas a moeda dos EUA se manteve em alta ante boa parte das demais divisas.
No Brasil, destaque para os dois leilões simultâneos realizados pelo Banco Central no início da sessão, em que foram vendidos US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro. As duas operações simultâneas são conhecidas como “casadão” pelos investidores e visam oferecer liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra.
“Nossos modelos de previsão econométrica para o câmbio capturaram a mudança no humor em relação aos ativos brasileiros, com o BRL (real) sendo visto no patamar R$5,16, entre R$5,06 e R$5,25 (por dólar)”, afirmou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, em relatório publicado pela manhã. “O casadão de hoje deve aliviar um pouco a pressão, mas o ambiente segue adverso para o risco Brasil”, acrescentou.
Também em relatório, o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, afirmou que “o dólar está em tendência de alta de médio prazo, fato que dificulta recuo para perto de R$5,00”.
No fim da manhã, o BC fez uma terceira operação, na qual vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.
No fim de semana, uma nova pesquisa Datafolha apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida para o Planalto, com 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 43%. O resultado indicou estabilidade em relação à pesquisa anterior, publicada há um mês. Os brancos e nulos somaram 8%, enquanto 1% não sabe em quem votar. A margem de erro máxima prevista é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.
Às 17h11, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,15%, a 100,990.