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quinta-feira, junho 25, 2026

Como um pitch fracassado para Musk deu origem a uma gigante de US$ 1,3 trilhão

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Antes de a Tesla virar uma gigante de US$ 1,3 trilhão e passar a cogitar uma possível megafusão com a SpaceX, Elon Musk assinou um cheque para um então engenheiro de Stanford de 27 anos que não conseguia convencer ninguém a levar a sério sua ideia de carro elétrico.

JB Straubel contou à Fortune, durante o Brainstorm Tech, em Aspen, que passou anos construindo veículos movidos a energia solar no tempo livre, “basicamente como hobby”. Segundo ele, esse foi o caminho que o levou a se apaixonar por veículos elétricos — e, no fim, a conhecer Musk.

Mas, quando fez seu primeiro pitch ao hoje homem mais rico do mundo, em um almoço decisivo em 2003, o assunto não tinha nada a ver com carros. Straubel, recém-saído de um mestrado em Stanford, sentou-se à mesa com o pioneiro em satélites Harold Rosen e com Musk, então recém-saído da venda do PayPal para o eBay, decidido a apresentar a ideia de um avião não tripulado movido a hidrogênio.

“Eu estava realmente tentando vender a ele a ideia do avião elétrico, e ele não tinha o menor interesse nisso”, disse Straubel a estudantes de Stanford durante uma conversa em 2024.

Então, Straubel mudou de assunto e falou de sua outra paixão: construir um carro esportivo elétrico movido pelas mesmas células de íon-lítio usadas em laptops.

“Eu era meio sem vergonha naquela época, saía contando isso para qualquer um que me ouvisse, para ver se alguém me dava alguns milhares de dólares”, lembrou. Musk, segundo ele, “imediatamente assinou um cheque”.

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Poucas semanas depois daquele almoço, os dois já desenhavam os planos de um carro esportivo elétrico de alto desempenho, e Musk liderou em seguida a primeira rodada relevante de financiamento da Tesla. Straubel entrou formalmente na empresa em 2004 como o quinto funcionário e diretor de tecnologia. Nesse cargo, desenvolveu o pacote de baterias usado no primeiro veículo da Tesla, o Roadster, reunindo quase 7 mil células que entregavam autonomia de 244 milhas — mais do que outros veículos elétricos da época.

Os primeiros dias da Tesla

Straubel rapidamente se tornou o arquiteto da tecnologia central da Tesla, liderando desde a fabricação de baterias até as bases da rede de Superchargers e o planejamento da primeira Gigafactory. Descrito em um perfil da Bloomberg de 2019 como o “Woz de Musk”, em referência a Steve Wozniak e Steve Jobs, Straubel aparece em boa parte das primeiras patentes da empresa. Após um acordo judicial em 2009, que encerrou uma disputa amarga sobre as origens da Tesla, ele passou a ser oficialmente reconhecido como cofundador ao lado de Musk, Martin Eberhard, Marc Tarpenning e Ian Wright.

Straubel descreveu os primeiros anos da Tesla como “incrivelmente divertidos, mas também estressantes”. De fato, a história da montadora foi marcada por disputas internas de poder, risco de quebra e dificuldades técnicas, enquanto um pequeno grupo tentava construir um carro esportivo a partir de milhares de baterias de laptop. Uma foto hoje icônica mostra Straubel no quintal de casa, colando manualmente baterias de íon-lítio em uma estrutura que daria origem ao primeiro protótipo da Tesla.

“Essas são algumas das lembranças mais especiais que tenho, porque era um grupo muito unido tentando fazer algo muito difícil, mas também algo que todos nós basicamente faríamos de graça, e que sentíamos ser importante para o mundo e necessário”, disse ele, acrescentando que o grupo achava que a Tesla tinha “tanta chance de fracassar quanto de dar certo”.

Musk costuma ser mais direto ao recontar a origem da empresa. Em uma assembleia de acionistas em 2016, disse que atribuía à Tesla apenas 10% de chance de sucesso nos primeiros anos e admitiu que a equipe “não fazia ideia do que estava fazendo”. Ele fez comentários semelhantes sobre a SpaceX, que sofreu três falhas seguidas de foguetes e chegou perto da falência em 2008 antes de realizar, depois, o maior IPO da história. Falando a funcionários antes de tocar o sino de abertura em seu primeiro dia de negociação neste mês, Musk disse que dava à SpaceX a mesma baixa chance de sobrevivência quando a fundou, em 2002.

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“Eu dava à SpaceX menos de 10% de chance de dar certo”, disse sobre a companhia que ajudaria a impulsioná-lo como o primeiro trilionário do mundo.

Só em 2006 a Tesla apresentou o protótipo do Roadster de primeira geração, um carro esportivo elétrico capaz de rodar 200 milhas com uma única carga e acelerar de zero a 60 milhas por hora em menos de quatro segundos. A produção em série começou em 2008, e o primeiro ano-modelo se esgotou rapidamente.

“[Elon] já era inspirador naquela época”, disse Straubel à Fortune. “Eu adorava trabalhar com o grupo de engenheiros que reunimos. Éramos todos muito alinhados e unidos em torno de uma missão muito parecida.”

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Da Tesla para a cadeia de baterias

Depois de 15 anos como principal nome de tecnologia da Tesla, Straubel deixou a empresa para focar na Redwood Materials, startup de reciclagem de baterias que fundou ainda enquanto trabalhava na montadora. Em teleconferência de resultados na qual anunciou a saída, Musk disse:

“Se não tivéssemos almoçado em 2003, a Tesla basicamente não existiria.”

Um analista de Wall Street, Alexander Potter, da Piper Jaffray, chegou a creditar Straubel como “provavelmente a segunda pessoa mais importante” da empresa.

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A startup de Straubel levantou mais de US$ 2,3 bilhões em capital de risco de empresas e investidores estratégicos, incluindo Google, Microsoft e NVentures, braço da Nvidia. Em 2023, a Redwood também garantiu um empréstimo condicional de US$ 2 bilhões do programa Advanced Technology Vehicles Manufacturing, do Departamento de Energia dos EUA — a mesma iniciativa que ajudou a colocar a Tesla no mapa. Hoje, a Redwood vale cerca de US$ 6 bilhões, segundo o TechCrunch, e tem como parceiros Volkswagen, Volvo, Toyota e BMW.

Straubel, porém, não se afastou por muito tempo da antiga empresa. Em 2023, entrou para o conselho de administração da Tesla.

Agora, ele tenta resolver o problema da cadeia de suprimentos que pode definir a próxima fase dos veículos elétricos e da infraestrutura de IA. No palco da conferência Brainstorm Tech, da Fortune, Straubel alertou que a rede elétrica dos EUA já sofre pressão com a explosão de novos data centers construídos para alimentar o boom da inteligência artificial.

“O ritmo de crescimento e da demanda por energia não tem precedentes”, disse à jornalista Allie Garfinkle, da Fortune.

O conselho do cofundador da Tesla

Duas décadas depois de apostar em uma startup pequena, Straubel resume seu conselho a futuros empreendedores e engenheiros em uma disposição para enfrentar problemas difíceis, mesmo quando as chances não parecem favoráveis.

“Você precisa estar disposto a mergulhar em algo, mesmo tendo uma boa noção de que pode fracassar”, disse à Fortune. “Ainda assim, vale a pena.”

Isso, muitas vezes, significa ignorar os céticos.

“Como empreendedor, você vai ouvir de 10 ou 20 pessoas que tudo o que está fazendo é uma má ideia, que não vai funcionar e que deveria tentar outra coisa”, afirmou. “Houve muitas vezes em que disseram que certo investimento era ruim, que a Tesla era uma péssima ideia, entre outras coisas.”

Entre alguns dos primeiros apoiadores da Tesla estavam os cofundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, que teriam cogitado comprar a montadora em 2013, quando a empresa estava à beira da falência. Musk levou os dois para um test drive em um Roadster inicial, mas, por causa de um bug no sistema, o carro não passava de 10 milhas por hora.

“Eu fiquei tipo: ‘Olha, juro para vocês que ele anda muito mais rápido do que isso’”, disse Musk em uma assembleia de acionistas em 2016. “Mesmo assim, eles foram gentis o bastante para colocar algum dinheiro na empresa, apesar da pior demonstração do mundo.”

Apesar dos tropeços iniciais, Straubel disse ter aprendido a seguir sua paixão e aconselha outros a acreditarem no que estão construindo.

“Siga algo que realmente importe para você como fundador, empreendedor ou engenheiro”, afirmou. “Tente não ficar preso ao que outros investidores dizem ser o certo a fazer ou ao que parece ser tendência no momento.”

Isso, segundo ele, muitas vezes exige ignorar os contrapontos.

“Tive mentores no começo que realmente me incentivaram a pensar maior e a focar no que eu realmente amava”, disse. “Quando você é desafiado e quer tentar algo menor, quer ser um pouco mais seguro, fica difícil pensar grande. Mas, olhando para trás, em algo que deu muito certo, eu sempre gostaria de ter sonhado maior, tentado mais, escalado mais rápido.”

Para ter sucesso, concluiu Straubel: “Você realmente precisa ter convicção pessoal de que aquilo que está fazendo vale a pena no fundo.”

2026 Fortune Media IP Limited

[Fonte Original]

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