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terça-feira, junho 30, 2026

Crítica | Absolute Flash – Vol. 2: Ponto Fixo – Plano Crítico

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O roteiro de Jeff Lemire para o primeiro arco de Absolute Flash (edições #1 a 6) teve a mesma característica principal do super-herói velocista: ele correu absurdamente. Em meras seis edições. Lemire não só introduziu três gerações de “Flashes” (Jay Garrick, Barry Allen e Wally West), como nos apresentou à vilã central, a Dra. Elenore Thawne, neta de Eobard Thawne, além de toda a galeria clássica de vilões do personagem, ou seja, Capitão Frio, Patinadora Dourada, Capitão Bumerangue, Trapaceira, Gorila Grodd (que não é bem um gorila), Mago do Tempo e Onda Térmica e isso sem contar com os demais coadjuvantes (por enquanto) despoderados como o pai de West e Ralph Dibny. Sob qualquer ponto de vista, era gente demais em um espaço acanhado demais que acabou resultando em um começo tumultuado e sôfrego, mesmo considerando que as recriações dos personagens por Nick Robles mereçam comenda. No segundo arco, Still  Point (que decidi traduzir como Ponto Fixo), fiquei feliz em constatar que Lemire não acrescentou ainda mais personagens, contentando-se a trabalhar com o pequeno exército já apresentado, o que tornou a leitura consideravelmente mais agradável.

Mais agradável é o adjetivo relevante, pois a qualidade, apesar de ter subido, não subiu tanto quanto deveria, infelizmente. Mesmo assim, toda a cansada e repetitiva situação de Wally West em fuga acaba logo na primeira edição, com a Galeria de Vilões logo revelando-se não exatamente como vilões, mas sim como um grupo de ex-soldados realmente fieis ao pai do jovem que passa a ser prisioneiro da Dra. Thawne, levando o grupo todo, inclusive Wally e seu inseparável novo amigo telepático Grodd, a planejar um resgate. Tudo caminha bem até, claro, um deles revelar-se como estando sob ordens da cientista, o que leva a historia à pancadaria de costume, com o protagonista mostrando consideravelmente mais controle sobre seus poderes. O que, porém, destaca o arco são os acontecimentos no Forte Fox, com todos de volta ao lugar de origem, com a abertura do tal Ponto Fixo do título do arco, que, ao que parece, é o equivalente, no Universo Absolute, à Força de Aceleração, mas exposto como uma literal dimensão comandada por uma misteriosa “luz vermelha” que se assemelha de longe ao Vermelho, normalmente conectado ao Homem Animal.

É no Ponto Fixo que Wally West é novamente reunido com Barry Allen que, juntamente com outros dois alienígenas que pesquisaram e abriram esse mesmo portal, estão mortos, só aparecendo na forma espectral vermelha. Por alguma razão que não é explicada, Wally não foi morto, passando a adquirir os poderes de velocidade, com outro personagem importante também tendo sobrevivido e ganhado os mesmos poderes, com a abertura do portal sendo a oportunidade perfeita para ele retornar à Terra. Tudo funciona de maneira etérea demais. Enquanto a Galeria de Vilões continua lutando no Forte Fox, os momentos no Ponto Fixo são vagos e até irritantemente crípticos, com Lemire dourando demais a pílula e andando mais de lado do que verdadeiramente em frente. Pior ainda, o embate final, que é telegrafado incessantemente desde o começo e que está na capa do encadernado americano que usei para ilustrar a presente crítica, acaba sendo anticlimático e simplista demais, sem o tipo de impacto que ele precisava ter considerando a construção feita até o momento em que ele acontece.

Travis Moore assume a arte nas duas primeiras edições, com Nick Robles retornando nas restantes, com divisão de trabalho na última com A.L. Kaplan para um resultado geral homogeneamente satisfatório em termos de recriação dos personagens clássicos e das sequências de ação. A arte, porém, não teria o mesmo efeito sem mais uma vez contar com as cores potentes de Adriano Lucas, que sempre procura marcar seu trabalho com tons fortes, contrastantes e exuberantes que funcionam muito bem para a proposta sempre cinética de Lemire. No entanto, apesar de Ponto Fixo encerrar o que podemos chamar de um arco duplo de origem, a história parece não avançar muito e convence menos ainda. Gosto de mistérios, especialmente quando a arte é bonita, mas Lemire se fia demais neles para estender a narrativa e acaba decepcionando, ainda que esse segundo encadernado seja superior ao tumultuado primeiro.

Absolute Flash – Vol. 2: Ponto Fixo (Absolute Flash – Vol. 2: Still Point – EUA, 2025/26)
Contendo: Absolute Flash #7 a 12
Roteiro: Jeff Lemire
Arte: Travis Moore (#7 e 8), Nick Robles (#9, a 12), A.L. Kaplan (#12)
Cores: Adriano Lucas
Letras: Tom Napolitano
Editoria: Ash Padilla, Andrew Marino, Katie Kubert, Chris Conroy
Editora: DC Comics
Datas originais de publicação: 17 de setembro, 15 de outubro, 19 de novembro, 17 de dezembro de 2025 e 28 de janeiro e 04 de março de 2028; encadernado em 23 junho de 2026
Páginas: 160



[Fonte Original]

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