O UBS Group AG criticou o Banco Nacional da Suíça (SNB) por um relatório regulatório “enganoso” sobre a prontidão do banco para regras de capital mais rigorosas. O mais recente embate ocorre após uma declaração do SNB, feita na manhã de quinta-feira, indicando que o UBS já detém capital suficiente para cumprir as reformas financeiras propostas pelo governo suíço para instituições consideradas “grandes demais para quebrar”.
O UBS contestou veementemente essa avaliação, argumentando que a apresentação do banco central distorce o verdadeiro impacto operacional das regulamentações pendentes. A disputa evidencia a crescente tensão entre a maior instituição financeira do país e seus principais reguladores em torno de medidas de estabilização pós-crise.
“O relatório de hoje do SNB continua a reiterar declarações enganosas — incluindo uma análise incompleta das causas fundamentais do colapso do Credit Suisse, do papel dos títulos AT1 e do impacto das regras de capital de Basileia 3 — em vez de oferecer a análise independente e distinta necessária para um debate político baseado em fatos, o qual é crucial para a resiliência futura do centro financeiro da Suíça”, afirmou o UBS em comunicado enviado por e-mail. O UBS foi obrigado pelo governo suíço a comprar o problemático Credit Suisse, em 2023, para evitar uma crise financeira global.
Em sua análise anual de estabilidade financeira publicada na quinta-feira, o banco central suíço afirmou que continua apoiando o governo na exigência de cobertura total de capital para as unidades estrangeiras do banco. Dado que o UBS possui reservas de US$ 9 bilhões em sua unidade suíça, ele já dispõe de capital suficiente para atender a essa exigência, segundo o SNB.
O governo pretende obrigar o UBS a aumentar o montante de capital ordinário mantido internamente em relação às suas operações estrangeiras para 100% do valor patrimonial de cada unidade, ante os atuais 60%. O UBS estima que isso exigiria um aporte de cerca de US$ 20 bilhões em capital CET1 na sua entidade suíça, prejudicando severamente o seu modelo de negócios e, consequentemente, afetando a economia doméstica.
“Observamos que o impacto cumulativo substancial e injustificado das medidas propostas representaria uma desvantagem competitiva significativa, tanto no mercado interno quanto no internacional — fato reconhecido por observadores verdadeiramente independentes, incluindo uma importante agência de classificação de risco de crédito”, acrescentou o UBS em seu comunicado.
O banco já havia contestado anteriormente os números do governo e considerado opções que incluem a transferência de sua sede. No final de abril, a Suíça suavizou parte das reformas, mas recusou-se a recuar em suas exigências fundamentais.
O pacote principal está sendo debatido no Parlamento, e a previsão é de que o processo se estenda até o ano que vem. Ao que tudo indica, os parlamentares reduzirão o escopo das propostas do governo, mas há um amplo consenso de que as exigências de capital devem ser elevadas em relação aos níveis atuais. A comissão responsável voltará a se reunir em agosto e poderá, então, propor formalmente uma flexibilização.
O SNB, juntamente com a Finma, órgão regulador do setor financeiro suíço, tem defendido consistentemente a ideia de uma cobertura total de capital. O Fundo Monetário Internacional (FMI) também endossou essa abordagem.