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sábado, julho 4, 2026

Calor extremo coloca à prova consumo de bebidas alcoólicas e afeta fabricantes na Europa

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A onda de calor extremo na Europa está colocando em xeque a ideia de que verões mais quentes impulsionam as vendas de bebidas alcoólicas. Estudos indicam que consumidores ficam menos inclinados a pedir uma cerveja gelada ou um Aperol Spritz quando as temperaturas se tornam excessivamente elevadas.

As vendas de bebidas alcoólicas, em média, aumentam à medida que a temperatura sobe até pouco mais de 32°C. Acima desse patamar, porém, o efeito positivo diminui, segundo pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade da Califórnia, da ETH Zurique e da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

O estudo, publicado em março e baseado em dados de vendas no varejo dos Estados Unidos entre 2006 e 2023, concluiu que o efeito varia conforme a região e é menos evidente em áreas que já costumam registrar temperaturas elevadas.

Em geral, clima quente favorece o consumo. Mas existe um limite acima do qual o calor simplesmente se torna desconfortável“, disse Marten Lodewijks, presidente da consultoria especializada em bebidas IWSR, acrescentando que esse fenômeno acaba invertendo a tendência para parte dos consumidores.

A onda de calor que atingiu a Europa a partir de 20 de junho foi a mais intensa já registrada no continente, provocando milhares de mortes, sobrecarregando sistemas de saúde, interrompendo a geração de energia e danificando a infraestrutura do continente.

Autoridades sanitárias europeias recomendaram que a população evitasse bebidas alcoólicas, já que elas aumentam a desidratação e a temperatura corporal. Em Paris, a venda e o consumo de álcool em estabelecimentos comerciais chegaram a ser temporariamente proibidos.

“Há uma diferença importante entre clima quente e calor extremo”, afirmou Kristian Henningsen, diretor global de assuntos públicos da Carlsberg. Segundo ele, temperaturas extremas tendem a fazer com que as pessoas permaneçam em casa, em vez de sair para beber.

A cervejaria dinamarquesa vem ampliando a oferta de opções como cervejas com baixo ou nenhum teor alcoólico e refrigerantes, em parte para se adaptar a essas mudanças, disse Henningsen à Reuters.

Outras grandes fabricantes de cerveja e destilados preferiram não comentar ou não responderam aos pedidos da Reuters sobre os possíveis impactos do clima extremo em seus negócios.

Pessoas aproveitam o clima ameno no Jardim Inglês em Munique , Alemanha, em 26 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/ Angelika Warmuth/Foto de Arquivo

‘Lento, cansado e sem disposição’

Grandes cervejarias, como a Anheuser-Busch InBev, já atribuíram no passado resultados decepcionantes a verões atipicamente frios ou chuvosos, período em que consumidores normalmente aumentam o consumo de bebidas leves e geladas, como cerveja. Outro grande fabricante de cerveja afirmou à Reuters que o clima é um dos principais indicadores utilizados para projetar as vendas.

David Lambert, padre anglicano de 59 anos em Londres, contou que sentiu menos vontade de consumir bebidas alcoólicas durante a recente onda de calor no Reino Unido, quando a temperatura atingiu o recorde de 37,7°C em Norfolk, no leste da Inglaterra.

“Certamente bebi menos álcool na semana passada. Simplesmente não dá… Você fica lento, cansado, sem disposição”, disse Lambert à Reuters no pub The Sun Wharf, em Londres.

No mesmo estabelecimento, o movimento foi maior do que o habitual durante a onda de calor, segundo o supervisor de turno Yash Hitesh Hansora. Muitos clientes procuraram inicialmente locais ao ar livre, inexistentes no pub, mas depois passaram a pedir ambientes com ar-condicionado e gelo.

Spiros Malandrakis, gerente global de análises para bebidas alcoólicas da Euromonitor International, afirmou que temperaturas extremas podem produzir efeitos mistos para o setor.

Além de levarem algumas pessoas a beber menos, as ondas de calor podem prejudicar a economia e o poder de compra da população, além de afetar a agricultura, elevando os custos de produção de bebidas alcoólicas, disse.

Por outro lado, Malandrakis prevê que algumas pessoas poderão consumir mais álcool em um mundo que “parece estar literalmente pegando fogo”.

O Serviço Copernicus para Mudanças Climáticas, da União Europeia, afirmou que as ondas de calor tendem a se tornar mais frequentes e intensas. Cientistas também disseram que a recente onda de calor europeia teria sido praticamente impossível sem as mudanças climáticas provocadas pela ação humana, que aquecem o continente mais rapidamente do que qualquer outro.

Para alguns consumidores, porém, o calor continua sendo o pretexto ideal para beber. “Há algo no sol que simplesmente dá vontade de servir uma taça de vinho”, disse Teresa Angell, de 57 anos, que trabalha na área de suporte de faturamento em Londres.

Pessoas aproveitam o clima ameno no Jardim Inglês em Munique , Alemanha, em 26 de maio de 2026. — Foto: REUTERS/ Angelika Warmuth/Foto de Arquivo
Pessoas aproveitam o clima ameno no Jardim Inglês em Munique , Alemanha, em 26 de maio de 2026. — Foto: REUTERS/ Angelika Warmuth/Foto de Arquivo

[Fonte Original]

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