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segunda-feira, agosto 3, 2026

Ibovespa fecha estável, na contramão de emergentes, com perdas em Vale e Petrobras

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A queda de blue chips de commodities pressionou o Ibovespa desde o começo desta segunda-feira, fazendo com que o desempenho da bolsa local remasse na contramão da alta registrada pela maior parte dos mercados acionários emergentes. Na mínima do dia, o índice chegou a ceder até os 176.783 pontos, mas se afastou do pior momento perto do fim do pregão e encerrou no zero a zero, aos 178.000 pontos, com o recuo menos intenso de Vale e Petrobras.

A trégua temporária entre Estados Unidos e Irã provocou uma forte queda nos preços do petróleo, o que empurrou o Brent para perto de US$ 84 por barril, enquanto o minério de ferro recuou quase 3%, em meio a preocupações persistentes com a demanda chinesa. No fim, as PN da Petrobras cederam 0,85%, enquanto as ON da Vale perderam 2,15%.

O desempenho do Ibovespa só não foi tão ruim devido à alta de blue chips de bancos, que subiram quase em bloco. O destaque ficou para as ON do Bradesco, que avançaram 1,19%. A exceção ficou para as ON do Banco do Brasil, que perderam 0,37%.

O recuo dos juros futuros no pregão também ajudou a elevar os ganhos de ações cíclicas domésticas, que responderam pelas maiores altas. No fim, Hapvida subiu 5,59%, Cury ganhou 4,52%, C&A Modas teve alta de 3,60% e Direcional exibiu valorização de 3,52%.

Apesar de o índice ter encerrado a primeira sessão de agosto perto da estabilidade, o Ibovespa acumulou alta de 3,45% em julho, a maior valorização mensal desde fevereiro. Em dólares, a bolsa brasileira avançou 6,2%, enquanto o fluxo estrangeiro voltou ao terreno positivo, com entrada de R$ 3,3 bilhões em ações já listadas, após dois meses de saídas.

Para a XP, o cenário doméstico segue favorável para a renda variável, já que a perspectiva de juros elevados por mais tempo está incorporada aos preços, especialmente após a melhora do prêmio de risco das ações (“equity risk premium”), refletindo a queda mais intensa da bolsa em relação à alta dos juros longos.

Embora a volatilidade deva aumentar com a aproximação das eleições e ainda falte um catalisador para uma valorização mais expressiva no curto prazo, a corretora avalia que o risco de queda é limitado. “O ‘valuation’ se comprimiu, e nosso índice proprietário de sentimento segue perto das mínimas, sugerindo que o lado técnico da bolsa está favorável”, afirmam os analistas, em relatório.

Na semana, os investidores aguardam indicadores relevantes, como dados de emprego nos Estados Unidos e a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Para o economista-chefe da Brasilprev, Robson Pereira, o Banco Central deve realizar mais um corte de 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira e deixar a porta aberta para discutir os próximos passos nas reuniões seguintes, ganhando flexibilidade. Apesar disso, o profissional não descarta totalmente a chance de mais um corte até o fim do ano.

“O nosso cenário-base é de uma Selic em 14% até o fim do ano, mas acho que uma Selic a 13,75% é uma possibilidade. O BC quer ganhar flexibilidade para ter uma margem maior para definir se prossegue ou não na reunião seguinte. Porém, não enxergamos um espaço maior do que isso para a queda dos juros”, afirma Pereira.

Outro fator que deve ser monitorado de perto é o juro americano, que pode ser um fator de restrição para uma queda mais forte dos juros por aqui, lembra Robson. O economista afirma que, recentemente, a curva americana tem se inclinado (quando as taxas mais curtas cedem e as mais longas avançam), o que pode indicar que a política monetária terá que ser ainda mais restritiva mais à frente.

“Essa inclinação aumentou porque existe uma visão de que o Fed [banco central americano] pode demorar para aumentar os juros nos EUA e que, quando fizer isso, vai ter que ser num ritmo mais forte do que o esperado anteriormente”, diz. “De modo geral, isso pode ser um fator de restrição para pensar em uma queda de juros mais forte aqui no Brasil”, observa.

O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 15,9 bilhões e de R$ 21,7 bilhões na B3, o que é um giro considerado fraco. Já em Wall Street, o Nasdaq subiu 2,13%; o S&P 500 avançou 1,48%; e o Dow Jones ganhou 1,32%.

[Fonte Original]

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