Em meio ao crescimento dos negócios de renda recorrente, a JHSF (JHSF3) anotou lucro líquido de R$ 444 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), conforme resultado divulgado pela companhia nesta quinta-feira (13) após o fechamento do pregão.
Com isso, a última linha do resultado da JHSF mostra um incremento de 81% ante igual etapa do ano anterior.
O EBITDA ajustado foi de R$ 502,6 milhões no segundo trimestre, mais do que dobrando a cifra em relação a igual período de 2025.
A receita líquida foi de R$ 935 milhões entre abril e junho, representando incremento de 88% no comparativo de base anual.
Com esses números, a empresa superou com folga as expectativas do consenso Bloomberg, que projetava R$ 451 milhões de receita líquida e R$ 218 milhões de Ebitda.
O resultado do trimestre foi puxado tanto pela força da renda recorrente — shoppings, hotelaria e gastronomia, aeroporto executivo, locação residencial, clubs e a gestora de recursos JHSF Capital — quanto pela incorporação imobiliária, que teve o reconhecimento contábil de parte da primeira tranche da venda de estoques ao Fundo de Investimento Imobiliário (FII) do projeto Boa Vista Estates.
Além disso, a empresa consolida o melhor segundo trimestre e o melhor semestre de toda a sua história, com lucro de R$ 816 milhões (alta de 34% em relação ao 1S25) e R$ 753,4 milhões de EBITDA ajustado (crescimento de 69%).
“O melhor segundo trimestre e o melhor semestre da nossa história refletem não apenas os números recordes, mas a qualidade desse resultado, com uma ótima performance tanto da incorporação quanto dos negócios de renda recorrente. Esse resultado é fruto da execução disciplinada de um plano estratégico com foco em excelência e qualidade operacional”, afirma Augusto Martins, CEO da JHSF.
“Ao mesmo tempo, avançamos na melhoria da nossa estrutura de capital, atingindo o patamar mais robusto e eficiente já registrado pela companhia, com redução do custo e cobertura mais longa. Seguimos fortalecendo os negócios existentes e avançando na execução das entregas e expansões que fazem parte do crescimento do nosso portfólio, de forma responsável e segura”, analisa.
Renda recorrente gera R$ 439 milhões em três meses
Os negócios de renda recorrente, isolados, também registraram o melhor segundo trimestre e o melhor semestre de sua história, respondendo por cerca de metade da receita bruta e do Ebitda ajustado consolidados do semestre.
No trimestre, a receita bruta da unidade somou R$ 439,6 milhões (+30,3%) e o Ebitda ajustado atingiu R$ 197,3 milhões (+31%).
No semestre, a receita bruta chegou a R$ 829,4 milhões (+24%) e o Ebitda ajustado, a R$ 373,8 milhões (+25%).
Em seu resultado do 2T26, a companhia frisa que, isolando os efeitos do reconhecimento contábil de receita de incorporação conforme a evolução das obras, o Ebitda ajustado da renda recorrente supera R$ 730 milhões em base anualizada.
Com a execução do pipeline contratado e em desenvolvimento, a JHSF projeta que essas operações têm potencial para alcançar aproximadamente R$ 2 bilhões em Ebitda ajustado no médio prazo, sem considerar a incorporação.
Veja quanto cada negócio gerou em receita bruta no 2T26
- Shoppings: R$ 106,7 milhões (+10,1%)
- Hospitalidade e Gastronomia: R$ 133,8 milhões (+5,8%)
- Aeroporto executivo: R$ 107,4 milhões (+53,6%)
- JHSF Residences e Clubs: R$ 78,8 milhões (+96,1%)
- JHSF Capital (gestora): R$ 13,0 milhões (+231,8%)
- Incorporação: R$ 558,5 milhões (+224,8%)
Liderança no negócio de shoppings
O portfólio de shoppings da JHSF seguiu na liderança dos indicadores do setor. As vendas totais dos lojistas somaram R$ 1,3 bilhão no trimestre, alta de 6% na base anual.
Já o crescimento de vendas em mesmas lojas (SSS) foi de 5,7%, acima da média do mercado, segundo a companhia.
A taxa de ocupação consolidada do portfólio ficou em 98,2%, com o Shopping Cidade Jardim mantendo 100% de ocupação, e o custo de ocupação consolidado foi de 8,4%.
A companhia observa que a realização da Copa do Mundo impactou a dinâmica de consumo nos shoppings do setor como um todo no período, cenário em que a JHSF avalia ter apresentado desempenho de vendas acima do mercado.
Em maio, a JHSF inaugurou o CJ Boa Vista Village, novo shopping a céu aberto em Porto Feliz (SP), com cerca de 15 mil m² de área bruta locável e aproximadamente 100 operações entre varejo, arte, serviços, gastronomia e entretenimento — incluindo marcas que chegam pela primeira vez à América Latina.
No trimestre também avançaram as obras de expansão do Shopping Cidade Jardim, cuja primeira entrega ocorreu em julho, já fora do período coberto pelo balanço, com a inauguração da maior loja da Dior na América Latina.
A expansão prevê novas flagships de marcas como Prada, Chanel, Hermès e Tiffany & Co., além da primeira loja da Loro Piana no continente. Com os projetos em desenvolvimento, a companhia estima que a ABL própria do portfólio de shoppings chegará a aproximadamente 98 mil m², crescimento de 39% frente ao patamar atual.
Receita do Grupo Fasano cresce e atinge R$ 133,8 milhões
Na vertical de hospitalidade e gastronomia, controlada pelo Grupo Fasano, a receita bruta subiu 5,8%, para R$ 133,8 milhões, e o Ebitda ajustado avançou 16,6%, para R$ 27,1 milhões, refletindo a maturação gradual de novos projetos e o reconhecimento de receitas de operações internacionais.
Considerando toda a operação Fasano — incluindo ativos próprios, administrados e fees de marca —, a receita consolidada somou R$ 260,6 milhões no trimestre, alta de 1,1%.
Atualmente o segmento reúne 11 hotéis e 36 restaurantes, com presença consolidada no Brasil e expansão em curso para praças internacionais como Nova York, Miami, Londres, Cascais, Milão e Punta del Este.
Receita do aeroporto executivo dispara 53%
O São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional foi um dos destaques do trimestre, dado que a receita bruta avançou 53,6%, para R$ 107,4 milhões. Já o Ebitda ajustado cresceu 25,7%, para R$ 56,2 milhões.
O número de movimentos de aeronaves aumentou 2,3% e os litros de combustível abastecidos cresceram 1,9%.
Os movimentos avulsos — que não são de aeronaves baseadas no aeroporto — representaram 64,3% do total no trimestre e cresceram 31,6% ante o primeiro trimestre de 2026.

No período, o aeroporto sediou a 5ª edição do Catarina Aviation Show, consolidado como uma das principais plataformas de negócios da aviação executiva na América Latina, reunindo mais de 6 mil convidados e 94 marcas expositoras entre aeronaves, helicópteros, embarcações e automóveis.
O segmento também ganhou escala internacional: em abril, a JHSF concluiu a aquisição da Embassair, um FBO (base de apoio à aviação executiva) localizado no Opa-Locka Executive Airport, em Miami, já operacional e com alta sinergia com o Catarina.
JHSF Capital atinge R$ 12,1 bilhões sob gestão
Com quase quatro anos de operação, a JHSF Capital, gestora de recursos do grupo, encerrou o trimestre com aproximadamente R$ 12,1 bilhões em ativos sob gestão (AuM, na sigla em inglês) — ante R$ 2,6 bilhões há um ano atrás.
A gestora administra 21 fundos nacionais e internacionais. A receita bruta do segmento saltou 231,8%, para R$ 13 milhões, e o Ebitda ajustado passou de negativo no 2T25 para R$ 4,9 milhões.
Em abril, a gestora atuou como assessora financeira nas aquisições da Embassair, em Miami, e do Enjoy Punta del Este, no Uruguai — hotel que passará por ampliação relevante e dará origem ao Complexo JHSF Península, cuja operação ficará a cargo da JHSF.
Já em julho, após o fechamento do trimestre, a JHSF Capital concluiu a captação de R$ 400 milhões na oferta pública de cotas do fundo JCSC11, dedicado à aquisição de participação minoritária no Shopping Cidade Jardim.
Efeito da venda ao FII do Boa Vista Estates turbina receita de incorporação da JHSF
Na incorporação imobiliária, a receita bruta atingiu R$ 558,5 milhões, alta de 224,8%, e o Ebitda ajustado chegou a R$ 345,8 milhões, avanço de 222,4%.
O resultado foi impulsionado pelo reconhecimento contábil de receita referente à primeira tranche da venda de estoques ao FII, do projeto Boa Vista Estates — parte de uma operação de R$ 5,2 bilhões em estoques prontos e em desenvolvimento vendidos a um fundo estruturado pela JHSF Capital, anunciada em dezembro de 2025.
Além do Boa Vista Estates, a transação envolveu os projetos Boa Vista Village, Reserva Cidade Jardim, São Paulo Surf Club Residences e Fazenda Santa Helena.
Ao final de junho, a companhia tinha R$ 1,7 bilhão em vendas contratadas com receita a ser reconhecida em períodos futuros, conforme a evolução das obras.
Considerando a segunda tranche da venda de estoques ao FII, prevista para dezembro de 2026, esse montante sobe para R$ 3,5 bilhões — o que, segundo a JHSF, dá maior visibilidade à geração de receitas nos próximos períodos.
Mesmo após a venda de R$ 5,2 bilhões em estoques, a companhia mantém um landbank de aproximadamente R$ 28 bilhões em VGV (Valor Geral de Vendas) potencial, a ser desenvolvido nos próximos anos em localizações onde a JHSF já atua, de preferência com uso de veículos de investimento e capital de terceiros.
A JHSF encerrou junho com R$ 4,4 bilhões em caixa, equivalentes de caixa e títulos e valores mobiliários, e posição de caixa líquido de R$ 1,2 bilhão — patamar menor que o visto ao fim de março, de R$ 1,8 bilhão.
A cifra é reflexo da contratação de dívidas estratégicas de curto prazo, como um empréstimo-ponte (bridge loan) que deve ser substituído por uma emissão de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) de cerca de R$ 800 milhões, com possibilidade de aumento de até 25% e uma das séries com vencimento em 10 anos.
A dívida bruta somou R$ 6,3 bilhões em junho, ante R$ 5,4 bilhões em março. Ainda assim, a companhia destaca o menor spread médio da dívida já registrado em sua história, com custo médio de CDI + 0,90% ao ano (ante CDI + 0,98% um ano antes) e duration de 5,3 anos.
A dívida é majoritariamente indexada ao CDI (64%) e ao IPCA (28%), com 95% captada via mercado de capitais.
Após a conclusão da emissão do CRI em curso, a companhia estima que a cobertura de caixa — atualmente de 4,2 anos — chegará a aproximadamente sete anos.
No trimestre, os principais desembolsos de caixa da JHSF estiveram relacionados à aquisição da Embassair e às obras do CJ Boa Vista Village, da expansão do Shopping Cidade Jardim, do CJ Shops Faria Lima, das novas unidades de locação e do Fasano Tennis Club.