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sábado, agosto 22, 2026

Bitcoin iniciou novo ciclo de alta? Analistas divergem após BTC encostar em US$ 80 mil

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A disparada recente do Bitcoin reacendeu o debate sobre o fim do ciclo de baixa e o início de uma nova fase de alta para o mercado cripto. Depois de romper resistências importantes e chegar a US$ 79.200 na manhã de sexta-feira, antes de recuar para perto de US$ 77.500, o BTC dividiu analistas entre quem vê sinais clássicos de fundo e quem alerta para uma alta ainda dependente de liquidações e fluxo de curto prazo.

Para Mati Greenspan, ex-analista sênior da eToro e fundador da Quantum Economics, o movimento dos últimos dias tem características típicas de reversão. Segundo ele, fundos de mercado geralmente começam com um short squeeze, uma grande vela de alta, rompimentos técnicos e uma mudança brusca de humor entre investidores que esperavam comprar Bitcoin muito mais barato.

“É geralmente assim que os fundos se parecem”, afirmou Greenspan. Segundo ele, investidores que mantinham ordens esperando o BTC voltar a US$ 40 mil agora passam a repensar a estratégia e temem perder o movimento de alta.

Questionado sobre a possibilidade de uma nova queda forte, Greenspan disse que ela ainda é possível, mas que não apostaria nisso neste momento. Para ele, é justamente em fases como a atual que o FOMO, ou medo de ficar de fora, tende a ganhar força.

A leitura mais otimista considera não apenas o preço, mas também o ambiente regulatório e político nos Estados Unidos. Greenspan citou uma combinação de fatores favoráveis, incluindo discussões na Casa Branca sobre operações envolvendo Bitcoin, o avanço de projetos no Congresso para estruturar o mercado cripto e movimentos da SEC e da CFTC em direção a regras mais claras.

Alta tem cara de fundo ou de short squeeze?

Nem todos concordam com a tese de que o bear market ficou para trás. Jason Fernandes, analista de mercado e cofundador da AdLunam, afirmou que ainda é cedo para chamar o movimento atual de fim do ciclo de baixa.

Segundo ele, sem entradas sustentadas em ETFs de Bitcoin à vista e sinais mais claros de afrouxamento monetário, há risco de o BTC perder força ao se aproximar de resistências mais altas. Fernandes reconhece que o cenário melhorou, mas avalia que a continuidade da alta ainda depende de demanda real, não apenas de traders vendidos sendo forçados a recomprar.

O gatilho principal veio do mercado de títulos dos Estados Unidos. O Tesouro americano anunciou a ampliação das recompras de títulos de longo prazo para US$ 4 bilhões por operação, movimento que derrubou os juros longos e melhorou o apetite por ativos de risco. Para o Bitcoin, que vinha preso por meses abaixo da faixa entre US$ 64 mil e US$ 66 mil, a notícia encontrou um mercado carregado de posições vendidas.

Fernandes afirma que o rompimento de resistências, como a região dos US$ 66 mil e a média móvel de 200 dias, também acionou compras automáticas de modelos seguidores de tendência. Esse tipo de entrada ajuda a acelerar o preço quando o mercado rompe níveis técnicos importantes.

Adam Morgan McCarthy, chefe de pesquisa da LO, foi mais direto ao descrever a mecânica do rali. Para ele, a ida do Bitcoin a US$ 70 mil foi impulsionada principalmente por traders sendo forçados a encerrar posições vendidas. McCarthy destacou que mais da metade da alta de 7,1% de quarta-feira ocorreu em apenas uma hora, com cerca de um terço do volume do dia — um padrão típico de short squeeze.

Essa distinção é importante porque uma alta causada por liquidações pode ser intensa, mas nem sempre sustentável. Quando traders vendidos são liquidados, eles precisam comprar Bitcoin para fechar posições, o que empurra o preço para cima e força novas liquidações. O movimento pode virar uma cascata, mas perde força se não for acompanhado por compras genuínas no mercado à vista.

McCarthy também comparou o Bitcoin ao ouro. Segundo ele, o metal deu um sinal macroeconômico mais limpo nesta semana, ao subir com a notícia das recompras do Tesouro sem depender de compras forçadas por liquidações. Para o analista, quem busca entender onde investidores estão se protegendo contra risco cambial e inflação deveria olhar para o ouro, não necessariamente para o Bitcoin.

Alavancagem elevada aumenta risco de volatilidade

Outro ponto de atenção está no posicionamento dos traders. Tobias Bauer, cofundador da TBV, observou que a Binance negociou US$ 1,26 bilhão em futuros de Bitcoin em apenas 60 segundos, volume 361 vezes maior que um minuto normal. Ao mesmo tempo, as taxas de financiamento chegaram aos limites máximos das exchanges.

Na prática, isso significa que muitos investidores passaram a apostar na mesma direção, usando alavancagem para tentar capturar a continuidade da alta. Quando o mercado fica desequilibrado desse jeito, o risco de movimentos bruscos aumenta. Se o Bitcoin continuar subindo, posições vendidas remanescentes podem seguir pressionadas. Mas, se houver realização, longs alavancados também podem ser liquidados rapidamente.

O debate, portanto, não é se a alta foi relevante — ela foi. O ponto é saber se o rompimento representa o início de uma nova tendência ou apenas uma reação violenta de um mercado que estava vendido demais.

A visão otimista sustenta que o Bitcoin rompeu níveis técnicos importantes, voltou a atrair atenção institucional e se beneficia de um cenário em que juros longos, regulação e liquidez começam a jogar a favor. A visão cautelosa lembra que boa parte da alta veio de liquidações, que o mercado está alavancado e que a confirmação de um novo ciclo depende de entradas consistentes em ETFs, melhora macroeconômica e compras no mercado à vista.

Para os próximos dias, a região entre US$ 77 mil e US$ 80 mil passa a ser o teste imediato. Se o BTC sustentar esse patamar e continuar recebendo fluxo comprador, a tese de novo bull market ganha força. Se a alta perder tração após a limpeza dos vendidos, o mercado pode voltar a testar suportes formados no caminho, especialmente nas regiões que antes funcionavam como resistência.

Por enquanto, o Bitcoin voltou ao centro da atenção. Mas a resposta para a pergunta mais importante — se o rali marca o fim definitivo do inverno cripto ou apenas mais um repique forte — ainda depende dos próximos candles, dos fluxos institucionais e do quanto os compradores estão dispostos a defender os novos patamares de preço.

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[Fonte Original]

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