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terça-feira, agosto 25, 2026

Crítica | Alien: Regicida – Plano Crítico

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Gosto bastante que a Marvel Comics não tem dependido somente de crossovers para trabalhar os monstros alienígenas que herdou da aquisição da Fox pela Disney. Claro que usar o repertório infinito de super-heróis da editora em histórias que conectam esses universos é o foco, mas ampliar cada uma dessas propriedades – Alien e Predador – de maneira própria é um caminho que tende a trazer frutos mais para a frente. No entanto, esses frutos não virão tão facilmente se a minissérie Alien: Regicida (minha tradução para Alien: King Killer) for o molde daqui para a frente, pois a criação do roteirista Saladin Ahmed é uma mera salada insossa de clichês que pegam emprestado a mitologia macro da franquia inaugurada por Ridley Scott para colocar nas páginas uma história estéril e cansativa mesmo considerando que ela é composta de apenas cinco edições.

Nela, Idris, um homem cibernética e geneticamente alterado caminha pelas terras desoladas do planeta Sovryn, que fora completamente tomado de xenomorfos, com apenas três cidades sobrevivendo sob o jugo de três reis que, como o título deixa claro, ele quer matar. Ahmed escreve sem compromisso e cria uma mitologia tão óbvia e telegrafada em seus detalhes que nada empolga. O roteirista consegue até mesmo se perder em sua narrativa, pois, nas primeiras páginas, vemos Idris salvar a vida de um menino chamado Camundongo que o ajuda a entrar na cidadela do Rei Vermelho e que aparece mais umas duas vezes e, depois, desaparece por completo, como se nunca tivesse existido. Além disso, os referidos reis – em códigos de cores: Vermelho, Verde e Branco – não são mais do que irmãos de experimentações de Idris, que tem o codinome Azul, fruto de um Josef Mengele tecnológico que eles chamam apenas de Bom Doutor, o que leva a embates geradores de sono tamanha é a falta de originalidade da empreitada.

Não ajuda em nada que a arte de Carlos Nieto emule o roteiro e não passe de algo feito no automático, com olhos brilhantes coloridos para os “reis”, armamentos banais como espadas gigantes e braçadeiras que se transformam em canhões e assim por diante. Nem sequer culpo Nieto por seu trabalho com pouca vida, pois o roteiro não é capaz de inspirar ninguém a absolutamente nada, a não ser, talvez, bocejar. Igualmente, as cores frias de Mike Atiyeh acabam sendo a cereja podre nesse bolo estragando, já que elas esfriam por completo as páginas, evitando até mesmo lidar com sangue da maneira como ele deveria ser trabalhado. É como se a equipe tivesse recebido instruções para, mesmo diante de uma rinha de galo de proporções potencialmente épicas, tentasse desenhar de forma que crianças pequenas não tivessem pesadelos à noite.

É curioso até mesmo como Ahmed faz dos xenomorfos não mais do que inconveniências desimportantes. As criaturas não só aparecem proporcionalmente pouco, como elas invariavelmente são apenas buchas de canhão muito facilmente derrotadas e que só consegue matar desavisados e aqueles personagens que o roteiro artificialmente determina como suas vítimas, de maneira não muito diferente da decepcionante minissérie Aliens vs. Vingadores. O roteirista tinha um material de fundo ótimo para seu trabalho, mas ele acaba desperdiçando-o com uma mitologia vazia e sem graça que tenta beber um pouco da premissa de “colônia tomada por xenomorfos” de Aliens, o Resgate, mas que falha em erigir um protagonista interessante em uma missão que vá além de somente levantar sobrancelhas por alguns segundos. Alien: Regicida definitivamente não é o tipo de história com um dos mais inesquecíveis monstros do audiovisual que queremos ler.

Alien: Regicida (Alien: King Killer – EUA, 2026)
Contendo: Alien: King Killer #1 a 5
Roteiro: Saladin Ahmed
Arte: Carlos Nieto
Cores: Mike Atiyeh
Letras: Clayton Cowles
Editoria: Kaeden McGahey, Martin Biro, C.B. Cebulski
Editora: Marvel Comics
Datas originais de publicação: 1º de abril, 06 de maio, 10 de junho, 15 de julho e 19 de agosto de 2026
Páginas: 128



[Fonte Original]

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