O Bitcoin foi, de longe, o ativo de melhor desempenho entre os principais mercados acompanhados em agosto. Entre 31 de julho e e a última sexta-feira (28), a maior criptomoeda do mundo acumulava alta de 26,21%, superando prata, ouro, bolsas dos Estados Unidos, petróleo e Ibovespa.
O levantamento compara oito ativos e índices. Depois do Bitcoin, a prata aparece na segunda colocação, com valorização de 20,97%, seguida pelo ouro, que avançou 13,12% no período.
A distância aumenta a partir daí. O Nasdaq Composite acumulava ganho de 5,03%, enquanto o S&P 500 subia 3,67% e o dólar tinha alta de 2,8%.
Já na ponta negativa, o petróleo Brent recuava 0,80%, enquanto o Ibovespa registrava a pior performance da lista, com queda de 2,21%.
O rali do Bitcoin
Boa parte da vantagem do Bitcoin foi construída em pouco mais de uma semana. No dia 19 de agosto, a criptomoeda fechou cotada a cerca de US$ 69,4 mil, depois de romper a faixa de US$ 69 mil pela primeira vez em aproximadamente dois meses.
A partir dali, o movimento acelerou. Até o início da tarde de sexta-feira, com o Bitcoin em torno de US$ 79,4 mil, a alta acumulada desde o fechamento de 19 de agosto chegava a aproximadamente 14,4%. Durante a madrugada de sexta, a criptomoeda chegou a tocar US$ 81.280, o que representou um avanço de mais de 17% em relação ao nível do dia 19.
O início do rali coincidiu com uma combinação de fatores favoráveis ao mercado cripto. Entre eles esteve a decisão do Tesouro dos Estados Unidos de ampliar recompras de títulos de longo prazo, movimento que ajudou a reduzir pressões no mercado de Treasuries e aumentou a liquidez percebida pelos investidores. No mesmo período, uma nova proposta da SEC para ofertas de criptoativos também ajudou a melhorar o humor do setor.
Nos dias seguintes, o movimento ganhou força com a fraqueza do dólar e uma nova onda de preocupação com a desvalorização das moedas tradicionais diante das intervenções do governo americano no mercado de dívida — a chamada tese de “debasement trade”, que também favoreceu ativos como ouro e prata. Em 25 de agosto, o Bitcoin chegou a superar US$ 80 mil pela primeira vez desde maio.
Outro combustível veio dos ETFs de Bitcoin à vista dos Estados Unidos. Até esta sexta-feira, os produtos acumulavam oito sessões consecutivas de entradas, com aproximadamente US$ 2,8 bilhões captados nesse intervalo. Os fluxos líquidos de agosto já ultrapassavam US$ 3 bilhões, colocando o mês como o melhor de 2026 para os ETFs até então.
Bitcoin também deixa bolsas para trás
A comparação mostra que o Bitcoin conseguiu se descolar até mesmo de mercados que tiveram desempenho positivo em agosto.
O Nasdaq, índice com forte peso de empresas de tecnologia e normalmente mais sensível ao apetite dos investidores por risco, avançou pouco mais de 5% no período — menos de um quinto da valorização do Bitcoin. O S&P 500 ficou ainda mais distante, com alta de 3,67%.
Mesmo os metais preciosos, que compartilharam parte dos mesmos fatores que impulsionaram o Bitcoin, não conseguiram acompanhar a criptomoeda. A prata teve um mês especialmente forte, com valorização próxima de 21%, mas ainda ficou cerca de cinco pontos percentuais atrás do BTC. O ouro ganhou pouco mais de 13%.
O desempenho reforça como o movimento iniciado na segunda metade de agosto mudou rapidamente o quadro para a criptomoeda. Até o dia 18, o Bitcoin estava pouco acima de US$ 64 mil e acumulava um ganho relativamente modesto no mês. Em apenas três pregões, entre 19 e 21 de agosto, saltou da região de US$ 69 mil para mais de US$ 78 mil.
O ambiente, no entanto, continuava sujeito à política monetária americana. Nesta sexta-feira, o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, reforçou em Jackson Hole a preocupação do banco central com a inflação e a necessidade de levá-la de volta à meta de 2%. As declarações aumentaram as apostas em uma possível alta de juros em setembro, fortaleceram o dólar e pressionaram Bitcoin e ouro após o discurso.

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