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- Author, Vitor Tavares
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
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Os diálogos, extraídos do celular de Vorcaro, revelam uma série de interações com um contato dele salvo com o nome de Alexandre de Moraes. As mensagens revelam possíveis interações entre Vorcaro e o ministro e com pessoas ligadas à família de Moraes.
Segundo os arquivos, o banqueiro teria discutido com o ministro informações sobre Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master, e a estratégia que deveria adotar para frustrar o cumprimento da ordem de prisão preventiva expedida contra ele.
As mensagens, que integram investigação da Polícia Federal (PF), foram reveladas primeiro pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira (1/9) e tiveram o sigilo suspenso por ordem do ministro do Supremo André Mendonça.
O jornal O Estado de S. Paulo também trouxe a revelação de que Moraes foi responsável por editar a última versão do contrato de R$ 131 milhões com o escritório de Viviane, segundo metadados do documento extraído do celular de Vorcaro.
Em nota divulgada nesta terça-feira, o escritório Barci de Moraes afirmou que, diante da abrangência do pedido de contratação de serviços advocatícios feito pelo Banco Master, seu setor de compliance consultou o ministro Alexandre de Moraes sobre a eventual existência de impedimentos legais para a celebração do contrato.
Não é possível saber as respostas de Moraes às mensagens de Vorcaro, já que elas eram enviadas de forma a evitar que ficassem registradas. O banqueiro escrevia os textos no bloco de notas do celular, tirava um print, e mandava como imagem de visualização única para Moraes.
A PF, porém, conseguiu recuperar esses prints de Vorcaro e associou os horários em que os prints foram feitos com a hora das mensagens de visualização única enviadas ao ministro.
Com as revelações, políticos da direita alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram rápidos em reagir ao contato de Moraes e Vorcaro.
O ministro do STF sempre foi muito criticado por esse campo político por ter liderado o processo da tentativa de golpe do 8 de janeiro de 2023 que levou à prisão Bolsonaro.
Pedidos de ‘impeachment’ e ‘prisão’

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Logo após a queda do sigilo dos documentos, o candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou no Senado que “Alexandre de Moraes não tem mais condições de permanecer no cargo”.
Flávio chamou as revelações de “muito graves” e opinou que o ministro deve renunciar ao cargo.
“Se ele edita os contratos da esposa que estava oficialmente sendo contratada, se parece que tem alguma forma de ajudar o Vorcaro a dar garantias de que a Polícia Federal não atue em determinado momento ou que o Procurador-Geral da República se posicione a favor do Vorcaro por influência de Alexandre de Moraes. Então, são muitas acusações graves e que espero de verdade que ele esclareça”, disse Flávio.
“Ele mais uma vez está trazendo um problema para toda a Corte, que não é dela. Então, ele tem que dar as explicações que caibam a ele e a esposa dele”, enfatizou Flávio, que concluiu pedindo para “aguardar o andamento das investigações”.
Também candidato à Presidência, o ex-governador Romeu Zema (Novo-MG) chamou Moraes de “projetinho de ditador” e declarou que ele “merece cadeia”. “Impeachment é pouco. Chega de intocável enriquecendo às custas do povo. Prisão pra ele e que devolva todo o dinheiro”, disse Zema.
Já o candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) defendeu, ao comentar o caso a jornalistas num evento no Rio Grande do Sul, que o mandato de ministros do STF deveria durar oito anos.
“Eu tenho o respeito de vários ministros do Supremo, mas sou o único que fala isso”, afirmou.
O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD-GO) disse no X que Vorcaro “contaminou todos os Poderes”.
“Não importa se o nome é de um senador ou de um ministro do STF, quem usou proximidade com o poder pra blindar o banqueiro deve explicações completas ao país, sem exceção”, escreveu Caiado.
Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, disse que Moraes “não tem nenhuma condição moral de estar em qualquer posição de poder em uma república minimamente séria e democrática”.
A declaração de Santos foi dada em coletiva de imprensa convocada para anunciar pedidos de impeachment contra Moraes e o ministro Dias Toffoli, do STF, que suspendeu a campanha do candidato por irregularidades no repasse de informações sobre quais redes sociais eram usadas pela campanha.
“Quis o destino que essas eleições fossem eclipsadas por esse escândalo gigantesco. É bizarro o que nós vimos no noticiário, é bizarro os elementos que vieram à tona contra o Alexandre de Moraes”, declarou Santos.
Também em São Paulo, o governador Tarcisio de Freitas (Republicanos-SP), candidato à reeleição, declarou que os novos fatos são “graves” ao ser questionado por jornalistas.
“Entendo que isso tem que ser investigado. Existem inquéritos que estão aí com o ministro André Mendonça, e tudo isso tem que ser passado a limpo, tem que ficar às claras”, afirmou o governador.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), uma das vozes da direita mais atuantes nas redes sociais, também pediu uma investigação e a prisão de Moraes.
“André Mendonça, está em suas mãos fazer história nesse país. Vai em frente que estamos com você”, escreveu no X.
O senador Carlos Viana (PSD-MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, disse que já pediu o impeachment de Moraes e ameaçou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), caso ele engavete o requerimento.
“Quem usa a cadeira para blindar autoridade investigada perde a legitimidade para continuar sentado nela”, disse.
Já a senadora Damares Alves (PL-DF), ex-ministra de Bolsonaro, disse que Moraes precisa pedir afastamento do cargo que ocupa até que as investigações sejam concluídas.
“Precisa preservar a instituição que representa. As pessoas passam, as instituições são permanentes e só são fortes enquanto o povo acredita nelas”, declarou.
OAB pede ‘apuração rigorosa’
Nesta terça, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) disse acompanhar “com atenção e extrema preocupação as notícias sobre a crise que atinge o STF e outras instituições da República”.
Em nota assinada por Délio Lins e Silva Jr., presidente do Conselho Federal da OAB, o órgão defendeu uma “apuração rigorosa e isenta” dos fatos, “asseguradas as garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e da presunção de inocência”.
“A Ordem se preocupa com os impactos dessa crise para o Brasil, sobretudo por envolver instituições essenciais à democracia e por ocorrer durante o período eleitoral”, conclui a manifestação