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sábado, setembro 5, 2026

Juros futuros perdem tração e encerram em leve queda

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Os juros futuros encerraram o pregão desta sexta-feira (4) em leve baixa após perderem tração durante a tarde, em linha com a piora observada em outros ativos domésticos. Ainda assim, a renda fixa manteve a tendência positiva mesmo diante da aversão a risco no exterior, após resultados mais fortes que o esperado do “payroll” nos Estados Unidos. Nesse sentido, o cenário político local, mais favorável a uma vitória da oposição nas eleições presidenciais, na visão do mercado, novamente deu sustentação ao recuo das taxas de médio a longo prazo.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 oscilou de 13,57%, do ajuste da véspera, para 13,575% no ajuste de hoje. Na mesma comparação, a taxa do DI de janeiro de 2028 teve recuo modesto de 13,595% a 13,585%; a do DI de janeiro de 2029 anotou leve queda de 13,885% para 13,855%; e a do DI de janeiro de 2031 caiu de 14,14% a 14,095%.

Na reta final do pregão em Nova York, a taxa da T-note de dois anos subia de 4,351% para 4,372%, e a da T-note de dez anos tinha alta de 4,773% a 4,789%.

Ainda que não tão intensa, a pressão na renda fixa dos EUA veio por conta dos dados de agosto do payroll, o relatório oficial do mercado de trabalho do país, que revelou uma geração líquida de 162 mil empregos, bem acima das 53 mil vagas projetadas pelo mercado. Já a taxa de desemprego manteve-se em 4,1% e o salário médio pago por hora cresceu 0,3% ante julho, em linha com o esperado.

Os dados deram força à perspectiva de um aumento da taxa dos Fed funds neste mês, conforme mostra o levantamento do CME Group, que aponta neste fim de tarde 58,4% de chance de uma alta de 0,25 ponto percentual no próximo dia 16, contra 41,6% para manutenção do juro básico americano. Ontem, as probabilidades eram praticamente iguais, de 50,6% e 49,4%, respectivamente.

Ainda que o payroll tenha gerado alguma pressão também sobre o mercado local de juros, as taxas domésticas voltaram a firmar queda no fim da manhã. Para participantes do mercado, o quadro político seguiu como fator determinante para a formação de preços na renda fixa nesta sexta-feira, diante da percepção de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se fortaleceu e pode derrotar o presidente Lula (PT) no pleito presidencial de outubro.

Ontem, a nova pesquisa Datafolha corroborou a tese de uma eleição mais acirrada ao mostrar uma vantagem de apenas dois pontos percentuais de Lula sobre Flávio (46% contra 44%) nas intenções de voto em um possível segundo turno, diferença que fica dentro da margem de erro do levantamento e, portanto, coloca os candidatos em empate técnico.

Além de as pesquisas recentes de intenção de voto indicarem uma disputa mais apertada, a crise que envolve o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também é vista como um fator que tende a fortalecer Flávio, já que “a maior parte do eleitorado associa Moraes ao campo petista em razão de seu protagonismo na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e na condução da eleição de 2022 como presidente do TSE”, dizem, em relatório, profissionais da 4intelligence.

A euforia dos últimos dias provocada pelo quadro eleitoral fez com que investidores estrangeiros voltassem a tomar posições aplicadas (que apostam na queda das taxas) no mercado de juros prefixados, de acordo com relatos de operadores de renda fixa. As posições se concentram em papéis de longo prazo, o que corrobora o movimento de achatamento da estrutura a termo da curva de juros ao longo desta semana.

“Nossos dados de fluxo mais recentes mostraram que os investidores estrangeiros acumularam quase US$ 700 mil em DV01 (métrica de risco embutido no mercado) em posições aplicadas nos últimos dois dias, concentradas principalmente no segmento de prazo longo e, em grande parte, na NTN-F [com vencimento em] 2031. Em outras palavras, parece que os estrangeiros estão realmente negociando movidos por um certo sentimento de FOMO (sigla para “fear of missing out”, ou medo de ficar de fora, em tradução livre)”, relata um operador de renda fixa de um banco local.

[Fonte Original]

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