Parlamentares poloneses novamente não conseguiram obter a maioria de três quintos necessária para derrubar o veto do presidente Karol Nawrocki à legislação destinada a fortalecer a supervisão do mercado de criptomoedas do país.
A Sejm, câmara baixa do Parlamento da Polônia, votou na sexta-feira, por 241 a 198, a favor da derrubada do veto, com três abstenções, ficando 25 votos abaixo dos 266 necessários.
A votação foi mais uma tentativa de avançar as regras do mercado de criptomoedas da Polônia depois que o presidente Karol Nawrocki vetou a legislação sobre criptomoedas três vezes, argumentando que as regras propostas regulamentariam excessivamente o setor.
A disputa regulatória ocorre em meio a um escândalo crescente envolvendo a exchange de criptomoedas extinta Zondacrypto, cuja operadora estoniana foi declarada falida, enquanto o primeiro-ministro Donald Tusk citou uma investigação criminal em expansão para defender uma supervisão mais rigorosa das criptomoedas.
Polônia continua sem autoridade de supervisão de criptomoedas sob a MiCA
A legislação vetada foi elaborada para estabelecer a estrutura nacional da Polônia para aplicar o Regulamento dos Mercados de Criptoativos da União Europeia (MiCA), incluindo a atribuição da supervisão do mercado de criptomoedas à Autoridade Polonesa de Supervisão Financeira (KNF).
A KNF disse na sexta-feira que o país ainda não tem uma autoridade designada responsável pela supervisão do mercado de criptoativos, embora o MiCA já seja aplicável em toda a União Europeia.
Nawrocki disse que apoia a regulamentação das criptomoedas, mas argumenta que as regras propostas pela Polônia vão longe demais, citando preocupações com os custos regulatórios e os poderes das autoridades para bloquear sites.
Investigação sobre a Zondacrypto se amplia em meio à falência
Antes da votação de sexta-feira, Tusk divulgou trechos do que disse ser o depoimento de uma testemunha-chave na investigação sobre a Zondacrypto, alegando pagamentos e tentativas de influenciar políticos ligados ao governo anterior da Polônia.
Tusk disse que a testemunha alegou um acordo de pagamento de 2 milhões de zlotys poloneses (US$ 550.000) envolvendo uma fundação ligada ao ex-ministro da Justiça Zbigniew Ziobro. Em outro depoimento citado por Tusk, a testemunha alegou que uma pessoa não identificada havia prometido garantir um indulto presidencial caso a testemunha fosse condenada.
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Promotores poloneses estão investigando suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro relacionadas à Zondacrypto. Em julho, eles unificaram o caso com uma investigação sobre o desaparecimento de Sylwester Suszek em 2022, fundador da BitBay, que posteriormente foi renomeada como Zondacrypto.
Em abril, os promotores disseram que as perdas relacionadas à Zondacrypto foram estimadas em pelo menos 350 milhões de zlotys poloneses (US$ 95 milhões).
A operadora da Zondacrypto, a BB Trade Estonia, foi oficialmente declarada falida por um tribunal estoniano em agosto, com a primeira assembleia de credores marcada para 17 de setembro.
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