Após cair 0,51% em agosto, o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) disparou em setembro, para 1,47%, maior taxa desde abril (2,94%), informou nesta quarta-feira (16) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Acelerações de preços no atacado e no varejo, principalmente em itens de origem agrícola, conduziram o resultado, disse Matheus Dias, economista da fundação. Isso porque a agropecuária no Brasil já sente efeitos de El Niño, fenômeno climático que causa mudanças bruscas de clima, com possíveis prejuízos na oferta de alimentos.
Como os efeitos que estão impulsionando, o IGP-10 de setembro não devem sumir no curto prazo. Dias não descartou altas acima de 1% para outros Índices Gerais de Preços (IGPs) do mês.
Ao detalhar a trajetória da inflação pela ótica do índice, Dias destacou comportamento de preços do atacado, 60% do IGP-10. O Índice de Preços ao Produtor Amplo -10 (IPA-10) saiu de uma queda de 0,69% para uma alta de 1,90%, de agosto a setembro. Isso porque todas as principais commodities a compor o IPA-10 mostraram alta de preços. É o caso das elevações em soja (7,50%), minério de ferro (2,26%), bovinos ( 2,99%) farelo de soja (9,59%) e carne bovina ( 3,98%).
O especialista chamou atenção para frequência maior de altas em itens de origem agropecuária. Ele lembrou os recentes dias de chuva em diferentes localidades do Sudeste e Centro-Oeste. “Já começamos a ver os efeitos do El Niño se materializando”, disse. “As previsões apontavam efeitos mais severos na entrada do verão, novembro, dezembro, mas podemos dizer que já começamos [a sentir] nessa última etapa do ano”, notou.
Os preços de agrícolas também podem estar pressionados, para cima, por especulação inflacionária, influenciada pelo fenômeno climático, acrescentou. Afinal, pontuou, se há expectativa, quase certeira, de menor oferta de um produto – visto que o El Niño tem o poder diminuir de prejudicar produção, em safras e lavouras -, o preço tende a subir.
Outro fator que ajudou a acelerar o IGP-10, disse, foi o fim de deflação nos preços do varejo, 30% do indicador. O Índice de Preços ao Consumidor -10 (IPC-10) saiu de uma queda de 0,47% para uma alta de 0,44% de agosto a setembro. Além de alta de 7,01% em tarifa de energia – causado pelo fim do “Bônus de Itaipu” que levou a descontos na conta em agosto -, o IPC-10 sofreu efeito do tomate, 7,32% mais caro, em setembro. Em agosto, mostrava queda de 29,52%.
Dias comentou que, em seu entendimento, devido ao contexto do “El Niño”, itens de agricultura serão cada vez “protagonistas de altas” nos próximos IGPs. Isso afeta principalmente preços de commodities, no atacado, admitiu. “Creio que o cenário para o IPA [para próximos meses] é de viés de alta, não de baixa”, comentou. Assim, ele não considera impossível novas acelerações, nos indicadores inflacionários, em setembro e também até fim do ano.