Niterói terá um novo nível de alerta para eventos climáticos extremos durante a primavera e o verão. Em preparação para os possíveis impactos do El Niño 2026-2027, a prefeitura vai incorporar o estágio de “alerta máximo” ao sistema da Defesa Civil, que atualmente trabalha com vigilância, atenção e alerta. O novo nível será acionado para ventos acima de 100km/h. O Plano Municipal de Preparação e Resposta ao El Niño está em fase final de elaboração e deverá ser implantado antes do verão.
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Outra novidade é a inclusão das ressacas entre as ameaças prioritárias. O plano passa a considerar cinco cenários: calor extremo, chuvas intensas, ventos fortes, incêndios em áreas de vegetação e ressacas.
A Defesa Civil municipal será responsável por acionar os diferentes níveis de alerta e coordenar a operação. A proposta é substituir protocolos separados de cada secretaria por um plano único, que também vai integrar concessionárias como Enel e Águas de Niterói. As atribuições específicas das empresas ainda serão detalhadas.
— O diferencial deste plano é transformar informações e previsões em procedimentos concretos de atuação. Estamos estruturando uma rede que reúne diferentes órgãos e instituições, com níveis de alerta ampliados e responsabilidades definidas para cada cenário — afirma a vice-prefeita e secretária municipal do Clima, Isabel Swan.
Para as ressacas, estão previstas ações como reforço dos alertas à população, apoio da Guarda Civil Municipal aos bombeiros para impedir o acesso de banhistas a áreas de risco, desvios de trânsito e limpeza rápida das vias atingidas pela areia.
A prefeitura também vai comprar anemômetros, equipamentos que medem a velocidade do vento e serão distribuídos pela cidade. A quantidade, o valor da compra e o prazo de instalação ainda não foram informados. Eles se somarão aos 65 pluviômetros, 37 sirenes, oito estações hidrometeorológicas, quatro estações meteorológicas, três pontos de monitoramento da qualidade do ar e um radar meteorológico já existentes.
A meteorologista Andrea Ramos, consultora e pesquisadora que já atuou no Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e no Climatempo, afirma que a previsão de um El Niño muito forte justifica a preparação para diferentes cenários, mas ressalta que o fenômeno não significa que todos os eventos extremos ocorrerão em Niterói.
As projeções para setembro, outubro e novembro indicam, de acordo com a especialista, temperaturas acima da média em grande parte do país e sinal de chuva abaixo da média em setores do Sudeste. Para Niterói, porém, isso não impede episódios de chuva muito intensa em poucas horas, capazes de provocar alagamentos e impactos localizados.
— É importante distinguir a previsão de um El Niño muito forte da previsão de impactos específicos em Niterói. Para a cidade, as projeções de temperaturas acima da média reforçam a atenção ao calor, mas também é necessário manter a preparação para tempestades, ventos fortes, incêndios em vegetação e ressacas — explica Andrea.
A meteorologista destaca que a efetividade do plano dependerá da capacidade de transformar os dados dos equipamentos em decisões rápidas. No caso das chuvas, por exemplo, devem ser considerados não apenas os acumulados registrados, mas também as condições das encostas e da drenagem, os níveis de rios e canais e as informações do radar. Para os ventos, os novos anemômetros poderão ampliar o conhecimento sobre as condições em diferentes áreas da cidade.
Outro ponto a ser definido é o que acontece em cada estágio de alerta. Segundo Andrea, é importante estabelecer previamente quais critérios levam à mudança de um nível para outro, quais equipes serão mobilizadas e quais medidas serão automaticamente adotadas. Ela também considera importante testar os protocolos antes do verão para avaliar o tempo de resposta e identificar eventuais ajustes.
O boletim mais recente do Painel El Niño, divulgado por órgãos federais no início deste mês, apontou probabilidade superior a 90% de um El Niño muito forte entre setembro e novembro. O fenômeno pode influenciar a distribuição de chuva e temperatura, mas não determina sozinho a ocorrência de eventos extremos em uma cidade específica.
O plano reúne Defesa Civil, Clima, Saúde, Educação, Conservação, Trânsito, Assistência Social, Segurança e outras áreas da administração municipal
— Niterói vem construindo, ao longo dos últimos anos, uma estrutura de prevenção e redução de riscos que nos permite avançar agora para uma nova etapa, a integração de toda a administração municipal e das concessionárias em um único plano de ação — afirma o prefeito Rodrigo Neves.
Entre as estruturas de prevenção já existentes estão obras de contenção de encostas, intervenções de macrodrenagem e serviços de limpeza e manutenção de rios, canais e valões. A prefeitura também prevê um reservatório no Complexo Esportivo do Caio Martins para auxiliar a drenagem da região do Largo do Marrão e da Avenida Roberto Silveira.
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Na última terça, o município deu ordem de início para obra de contenção de encosta na Rua Mackenzie, no Fonseca. A intervenção terá investimento de R$ 14,2 milhões e prazo de execução de dez meses.
Questionada sobre os recursos específicos destinados ao novo plano, a prefeitura ainda não informou o investimento total, nem quanto será destinado às novas ações e à compra dos anemômetros. Também não apresentou cronograma detalhado, além da previsão de implantação antes do verão.
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