Dólar tem alta firme e vai a R$ 5,22 com pressão externa e expectativa por eleições

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O dólar à vista registrou valorização firme nesta segunda-feira, refletindo o sentimento de aversão a risco observado na maioria dos mercados mais líquidos no exterior. A rejeição do presidente americano, Donald Trump, de um acordo de cessar-fogo com o Irã alimentou a piora do sentimento de risco, o que pressionou os mercados, em especial os títulos americanos e os preços do petróleo.

O real até chegou a se beneficiar da alta dos preços da commodity, mas o cenário eleitoral limitou esse desempenho mais construtivo do câmbio brasileiro. Além disso, especificamente neste pregão, a pesquisa Quaest mais favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ter ajudado a elevar o prêmio sobre a divisa brasileira.

Encerradas as negociações, o dólar à vista fechou em alta de 0,85%, cotado a R$ 5,2251, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,1915 e batido na máxima de R$ 5,2266. Já o euro comercial apreciou 0,60%, a R$ 5,9395. Perto das 17h15, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, apreciava 0,24%, aos 101,214 pontos.

Desde o começo do pregão, o dólar à vista avançou contra o real. O movimento esteve alinhado ao que foi observado nos mercados no exterior, onde a moeda americana se valorizou. Segundo operadores de câmbio, a dinâmica foi resultado do mau humor com a piora do risco geopolítico e também com a pressão na curva de juros americana. O fim do mês e do trimestre também explicam uma maior pressão cambial sazonal. Até quarta-feira, uma maior volatilidade é esperada por conta disso.

Além do já mencionado, a pesquisa Quaest também pode ter ajudado a pressionar os ativos locais, ainda que de forma mais marginal. Os números vieram levemente mais favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A derrota do atual presidente é vista pelos agentes de mercado como a chance de uma alteração na condução da dívida pública brasileira e, portanto, seu fortalecimento na disputa eleva o prêmio de risco nos ativos.

Para o estrategista global de moedas do banco suíço Lombard Odier, Kiran Kowshik, o câmbio brasileiro pode se aproximar do seu nível de equilíbrio de R$ 4,50, caso as eleições e o cenário favorável para o ‘carry’ ajudem.

“Acreditamos que o ambiente global é favorável para o ‘carry’”, diz. “Estamos em uma situação em que o crescimento global está em uma posição bastante razoável em termos de sua trajetória. Se você observar também os dados dos Estados Unidos, eles estão importando mais do restante do mundo para impulsionar o investimento relacionado à inteligência artificial… Isso está se espalhando e indica que o crescimento global está melhorando”, afirma.

O banco suíço, segundo Kowshik, tem a visão de que o mundo ainda está no meio do ciclo de crescimento, e não no fim de um ciclo, como parte dos investidores imagina. “Portanto, a perspectiva é boa. Tudo cria um ambiente que, historicamente, é muito favorável ao bom desempenho das operações de ‘carry’. E é exatamente por essa perspectiva que gostamos dos mercados emergentes e também de moedas de alto ‘carry’”, afirma, acrescentando que as divisas no foco do Lombard Odier são o real e os pesos colombiano e mexicano.

Outro fator que beneficia o real é o fluxo de capital para o país, seja por conta de investimentos em portfólio, seja pelo comércio exterior. Kowshik observa que os termos de troca do Brasil estão bastante favoráveis com a guerra no Irã e nota que os fluxos de portfólio “também aumentaram significativamente no primeiro semestre deste ano, especialmente no mercado de ações”. Para ele, há uma sensação entre os investidores de que o Brasil é um “hedge” natural contra as tensões no Oriente Médio.

E, com esses fatores, somados, o ambiente joga a favor do real, enfatiza o executivo. “O dólar está perto de R$ 5,20. O real não teve um desempenho tão bom quanto algumas das outras moedas de mercados emergentes, então há algum prêmio de risco”, diz. “Se houver uma mudança de tom em direção à ortodoxia fiscal, ou quando a eleição estiver para trás, pode haver uma melhora.”

[Fonte Original]

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