Bilionário nigeriano Aliko Dangote e Quênia iniciam obras de refinaria de US$ 16 bilhões

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Teve início nesta quarta-feira (30) a construção de uma refinaria de petróleo de US$ 16 bilhões no Quênia, empreendimento projetado para baratear os custos de combustíveis no leste da África e poupar recursos utilizados pelos países da região na importação de derivados.

O bilionário nigeriano Aliko Dangote e o presidente queniano, William Ruto, lançaram a pedra fundamental no canteiro de obras, onde o empresário planeja replicar a capacidade de processamento de 700 mil barris diários do complexo que mantém na Nigéria, em um momento no qual países como o próprio Quênia e Uganda se preparam para iniciar extração de petróleo.

Dangote, o homem mais rico do continente africano, ofereceu aos governos regionais uma participação societária combinada de 30% na refinaria queniana, cuja entrega está prevista para 2030. O grupo concedeu à indiana Engineers India Limited um contrato de US$ 450 milhões para a engenharia do projeto, enquanto a norte-americana Honeywell Technologies será a provedora do suporte tecnológico.

O empreendimento, cujas ações deverão ser listadas futuramente na Bolsa de Valores de Nairóbi, constitui o maior investimento direto estrangeiro já registrado na história do Quênia e impulsionará o Produto Interno Bruto (PIB) anual do país em 12%, afirmou Ruto durante a cerimônia inaugural.

“Trata-se de um investimento em segurança energética, industrialização e integração regional”, destacou o presidente queniano.

Dangote afirmou que o ativo promoverá a autossuficiência de combustíveis em uma extensão geográfica que vai da Etiópia a Moçambique, ao substituir o fluxo de importações de refinados por refino regional. “Estamos abrindo as fundações para um novo capítulo na trajetória de industrialização da África rumo a um futuro mais promissor”, declarou.

A solenidade no porto de Lamu, margeada por fileiras de escavadeiras, motoniveladoras, rolos compressores e guindastes, contou também com a presença de líderes regionais, incluindo o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, o presidente do Benin, Romuald Wadagni, e o presidente do Togo, Jean-Lucien Savi de Tové.

Localizado no litoral norte queniano, o porto de Lamu, que atracou seus primeiros navios cargueiros comerciais em 2021, é a peça central do projeto do país para erguer um novo corredor de transporte multimodal conectando o interior e nações vizinhas sem saída para o mar.

A refinaria deve fortalecer a rota comercial e responder à demanda regional por derivados, estimada entre 20 milhões e 30 milhões de toneladas anuais pelo assessor econômico-chefe da presidência queniana, David Ndii.

Um financista do setor energético no continente pontuou, contudo, que suprir integralmente essa demanda exigiria uma capacidade de refino superior a 1 milhão de barris diários.

O leste africano tem sofrido severamente com o encarecimento das cotações de energia decorrente da guerra no Irã, choque que desencadeou protestos sociais violentos no Quênia contra a disparada dos preços nos postos de combustíveis.

Além do abastecimento interno, a refinaria buscará exportar querosene de aviação para os mercados do Reino Unido e da União Europeia, indicou Dangote.

Analistas avaliam, contudo, que não há garantias de que o empreendimento no Quênia repetirá integralmente o sucesso do modelo nigeriano, que converteu a nação da África Ocidental de importadora líquida crônica em exportadora de derivados.

Integrantes do governo projetam que o parque industrial alavancará segmentos como a petroquímica, a produção de óleos básicos e a fabricação de asfalto, gerando mais de 50 mil postos de trabalho.

A estrutura contará ainda com uma usina termelétrica cativa de 1.000 megawatts acoplada ao complexo fabril, cuja energia excedente será comercializada na rede elétrica com terceiros.

Apesar das projeções favoráveis, persistem incertezas quanto à regularidade de suprimento do óleo bruto regional e à infraestrutura de escoamento.

O projeto também enfrenta oposição de entidades ambientalistas locais, que apontam riscos de descaracterização e degradação em Lamu Old Town, sítio histórico tombado pela Unesco como patrimônio da humanidade, e na fauna marinha costeira.

A Alta Corte de Justiça do Quênia chegou a conceder liminar determinando a preservação cautelar de perímetros da área até o julgamento do mérito de uma ação popular movida por moradores locais.

Dangote rebateu as contestações jurídicas, atribuindo a resistência a intermediários comerciais e importadores locais de combustíveis cujas margens de lucro serão impactadas pela entrada em operação da refinaria.

“Não temos receio de disputas judiciais. Estamos preparados para qualquer litígio e daremos dor de cabeça a quem tentar barrar as obras”, concluiu o empresário.

Presidente do Quênia, William Ruto, e o CEO do Grupo Dangote , Aliko Dangote, caminham em meio a máquinas pesadas, no dia da cerimônia de inauguração da construção de uma refinaria de petróleo na África Oriental, em Lamu, no Quênia — Foto: Reuters/Monicah Mwangi

[Fonte Original]

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