A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que “não seria uma boa ideia” concorrer à presidência da França em 2027, declarando ao jornal La Croix, nesta quarta-feira, que, caso deixasse o cargo no banco antes do previsto, a antecipação seria de apenas alguns meses. Seu mandato expira em outubro do próximo ano.
“Esta não seria uma boa ideia”, disse Lagarde, segundo o jornal. “Primeiro, há a questão da vitalidade, da energia e do vigor. Há também um inevitável senso de sacrifício nesse tipo de compromisso. E eu tenho 70 anos.”
As declarações de Lagarde parecem encerrar as especulações de que ela poderia deixar o BCE antecipadamente para buscar o cargo máximo na França no próximo ano.
Integrante do conselho executivo do BCE, a alemã Isabel Schnabel renunciou na semana passada para assumir um cargo de alto escalão no Fundo Monetário Internacional (FMI), dando início a uma ampla reestruturação na cúpula da instituição financeira mais poderosa da Europa.
Lagarde afirmou que a França se encontra atualmente em uma situação financeira delicada. “Quando a dívida se aproxima de 120% do Produto Interno Bruto (PIB), sem uma trajetória clara para controlar seu crescimento, isso é um problema sério”, disse ela. “É necessário um caminho viável, determinação coletiva e reformas para restaurar a confiança.”
Ela disse que a França precisa reduzir a burocracia, aprofundar as reformas no mercado de trabalho e enfrentar os desafios de um sistema previdenciário pressionado pelo aumento da expectativa de vida.
Ela demonstrou mais otimismo em relação à solidez do sistema financeiro europeu. “Não estamos em 2008 nem em 2011, o sistema financeiro europeu está muito mais robusto”, disse ela, observando que nações como Grécia, Portugal e Irlanda — que passaram por crises muito dolorosas e colocaram suas finanças públicas em ordem — “desde então, retomaram um crescimento que, muitas vezes, fica acima da média.”