Indústria perde força em agosto e reforça sinais de uma economia mais fraca

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A produção industrial em agosto recuou 0,6% em relação a julho, abaixo da estimativa do mercado financeiro que esperava um pequeno avanço. Segundo o IBGE, na comparação com agosto de 2025, a indústria teve queda de 1,2%. O acumulado no ano mostrou expansão de 0,8%, enquanto, nos últimos 12 meses, houve avanço de 0,6%. Para os economistas, o desempenho mostra como os juros altos vêm afetando a atividade econômica brasileira. Segundo as estimativas, pode haver queda de 1,7% no terceiro trimestre, após alta de 0,3% no trimestre encerrado em junho.

Antônio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, destaca que o recuo foi disseminado em todas as grandes categorias da indústria: bens de capital, bens intermediários, bens de consumo e insumos da construção civil, todas com queda na margem.

Entre as atividades, as principais quedas foram em produtos do fumo (-23,4%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-4,0%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-3,3%), outros equipamentos de transporte (-2,9%), produtos de borracha e plástico (-1,8%), produtos de metal (-1,6%), indústrias extrativas (-0,7%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-0,4%). A produção de fumo tem sido afetada pelo aumento do IPI implementado pelo governo como forma de subsidiar as medidas de subvenção dos combustíveis adotadas para mitigar os efeitos do confronto no Oriente Médio e da disparada do preço do barril de petróleo, explica Matheus Pizzani, economista do PicPay.

Entre os resultados positivos da pesquisa, Pizzani salienta que a deflação dos alimentos entre junho e agosto ajudou alguns setores da indústria. A produção de alimentos avançou 1,0% e a de bebidas, 0,4%.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, destaca que, apesar de a indústria extrativa e a indústria de transformação terem recuado em agosto, na variação anual, elas têm seguido caminhos diferentes. De um lado, a indústria extrativa apresenta expansão, com alta de 2,4% em relação a agosto de 2025. De outro, a transformação continua mais fraca, com queda de 1,8% na comparação anual, resultado dos juros elevados.

— O crédito mais caro reduz o apetite das empresas para investimentos e ajuda a explicar essa perda de força. Nossa expectativa é de que a produção industrial brasileira encerre 2026 praticamente estável em relação ao ano passado. Nos próximos meses, a indústria de transformação deve continuar fraca, enquanto a extrativa tende a manter uma trajetória mais consistente de crescimento e dar algum suporte ao setor como um todo.

Ricciardi explica que o movimento de queda, embora abaixo das expectativas, está condizente com o que se espera para a indústria neste segundo semestre.

— A indústria deve ter um desempenho bem mais fraco ao decorrer do ano, em função da política monetária ainda em patamares altos, após um primeiro trimestre de alguma recuperação, influenciada pelos programas do governo, tanto a isenção do IRPF quanto o Move Brasil.

[Fonte Original]

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