Ibovespa supera 192 mil pontos, maior nível desde abril, antes do 1º turno

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Às vésperas do 1º turno das eleições, o Ibovespa adotou um desempenho bastante volátil nesta sexta-feira. Depois de oscilar entre perdas e ganhos na parte da manhã, o índice engatou uma alta expressiva durante a tarde e subiu mais de 4 mil pontos. Com isso, a principal referência acionária local terminou o dia com valorização de 2,63%, aos 192.115 pontos, bem perto da máxima intradiária de 192.119 pontos. Trata-se da maior pontuação de fechamento desde 22 de abril, quando encerrou aos 192.889 pontos.

Segundo gestores e operadores, a disparada do índice na segunda metade do pregão teve caráter “especulativo”, já não houve uma mudança nos fundamentos que justificasse um avanço tão intenso e rápido do Ibovespa.

O movimento à tarde foi diferente do desempenho da bolsa visto pela manhã. Na primeira metade do pregão, o índice chegou a ceder e a tocar os 186.144 pontos, na mínima do dia, com os ataques do candidato Renan Santos (Missão) a Flávio Bolsonaro (PL) levantando dúvidas sobre a migração de seus eleitores para o senador por meio do voto útil. Além disso, após o payroll americano ter vindo fraco. gestores afirmam que fundos quantitativos estrangeiros parecem ter atuado na venda do Ibovespa, em função da correlação negativa entre o mercado acionário local e o americano.

O maior apetite por risco local no pregão de hoje favoreceu a alta firme das blue chips. O destaque ficou para as units do BTG Pactual e para as PN do Bradesco, que subiram 3,64% cada. O dia também foi de ganhos para as ON do Banco do Brasil, que avançaram 3,04%.

Ações mais líquidas de commodities também subiram: as PN da Petrobras ganharam 2,81%, ao passo que as ON da Vale exibiram valorização de 2,56%.

O movimento mais positivo na bolsa local ocorreu a despeito da diminuição da diferença nas intenções de voto entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em plataformas de mercado preditivo, vista a partir desta madrugada.

Segundo participantes do mercado ouvidos pelo Valor, o movimento reflete uma redução de risco antes do primeiro turno, além de dúvidas sobre uma eventual transferência dos votos de Renan ao senador após sucessivas ataques feitos pelo candidato do Missão ao adversário do PL.

Ontem mesmo, as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que levaram a TV Globo a cancelar o debate presidencial, foram interpretadas como interferência jurídica e provocaram reações nas redes sociais, inclusive de Renan Santos.

Embora a diferença das intenções de voto em Flávio e Lula tenha diminuído em plataformas preditivas, a possibilidade de que haja uma alternância de poder no curto prazo tornou ainda mais evidentes as assimetrias de ‘valuation’ entre as empresas listadas, diz a Ibiuna. Em carta mensal, a gestora afirma que, caso a alternância se confirme nas urnas, essas distorções devem continuar a ser corrigidas nos próximos meses.

Por isso, a casa ampliou a exposição ao setor financeiro e, em menor medida, ao de saúde, de energia e imobiliário, e reduziu as posições em utilidade pública e materiais básicos.

Gestores e estrategistas ouvidos pelo Valor acreditam que, a depender da diferença entre Lula e Flávio, o mercado poderá passar por um rali na segunda-feira.

Hoje, o volume financeiro negociado no Ibovespa foi de R$ 31,2 bilhões, bem mais alto do que o normal, chegando a R$ 43,0 bilhões na B3.

Em Wall Street, os principais índices americanos também fecharam em alta: o Nasdaq subiu 1,19%, o S&P 500 avançou 0,73%, e o Dow Jones ganhou 0,49%.

[Fonte Original]

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