Bancos poderão, dentro de alguns anos, permitir que agentes de inteligência artificial (IA) negociem nos mercados financeiros no lugar de humanos, segundo o chefe da divisão global de banco de investimento do HSBC.
“Acho que a computação quântica será capaz de analisar movimentos de mercado muito complexos e, com o avanço da IA, que tornará isso ainda mais rápido, poderemos ver agentes negociando títulos com o uso de computação quântica”, afirmou Michael Roberts, chefe de Corporate and Institutional Banking do HSBC, em entrevista à Bloomberg TV. “Esse é o futuro.”
Uma parcela maior das negociações algorítmicas será feita por agentes de IA, embora humanos precisem permanecer “no circuito”, afirmou Roberts, à margem da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Bangkok. Com os avanços em IA, computação quântica e tecnologia de registro distribuído, os próximos dois a quatro anos “vão mudar fundamentalmente a forma como vemos o ritmo, a velocidade e o alcance do que negociamos”, disse.
Assim como muitos outros bancos, o HSBC avalia como implementar IA em todas as áreas de negócios. O banco também considera cortes profundos de empregos nos próximos anos, com a automação de tarefas antes realizadas por humanos. A Bloomberg News noticiou neste ano que o banco poderá cortar cerca de 10% da força de trabalho mundial com a introdução de IA nos negócios, o equivalente a aproximadamente 20 mil postos.
A velocidade com que empresas de IA captam recursos leva bancos e investidores a se tornarem cada vez mais seletivos e a exigir retornos maiores para financiar a implementação em larga escala dessa tecnologia, segundo Roberts. “Acho que existe uma dose saudável de ceticismo”, afirmou.
Os mercados acionários globais registram queda após o tombo das ações de fabricantes de chips, com a forte valorização ligada à IA perdendo força diante das preocupações com as dificuldades de financiamento.
Ao mesmo tempo, a alta dos juros e os rendimentos dos títulos globais nos maiores níveis em várias décadas elevam o custo do capital para os investimentos necessários à expansão da infraestrutura de IA — gastos que, segundo estimativa da PwC, podem chegar a US$ 8,2 trilhões somente na Ásia até 2050.
“Os credores vão se concentrar muito mais em retornos adequados, estruturas adequadas e aspectos desse tipo”, afirmou Roberts. “Os valores das operações são muito elevados e, por essa própria natureza, elas são mais difíceis de executar.”