Os principais índices de ações da Europa fecharam em alta nesta quarta-feira (21), com reação positiva dos investidores à temporada de balanços corporativos do terceiro trimestre superando a continuidade do estresse no mercado europeu de renda fixa. Na França, onde há uma série de protestos populares enquanto o governo tenta aprovar um Orçamento que prevê corte de gastos, os rendimentos dos títulos superaram o nível de 5% no vencimento de dez anos pela primeira vez desde 2002.
Assim, no fechamento, o índice pan-europeu Stoxx 600 teve alta de 0,91%, aos 644,47 pontos, o FTSE 100, da Bolsa de Londres, subiu 0,19%, aos 10.752,88 pontos, o DAX, de Frankfurt, avançou 1,35%, aos 25.645,04 pontos, e o CAC 40, de Paris, teve valorização de 1,06%, aos 7.921,68 pontos.
Entre os destaques do Stoxx 600, as ações da EssilorLuxottica subiram 15,48%, após seus resultados financeiros agradarem os investidores, impulsionando o setor de luxo para uma alta de 1,79% no fim do dia. A Randstad teve valorização de 20,16% e a DSV avançou 15,13%, ambas também na sequência de informar seus balanços trimestrais. Por outro lado, o Carrefour caiu 13,80%, com operadores reagindo negativamente à diminuição da projeção de lucro da rede de supermercados. A Michelin recuou 7,16%, depois de divulgar uma redução nas vendas dos primeiros nove meses.
Apesar das bolsas europeias terminarem o dia no positivo, esta quarta-feira foi marcada pela continuidade do estresse no mercado de renda fixa francês, diante dos protestos generalizados, que ampliaram as preocupações com a fragilidade das contas públicas e a incerteza política. Os rendimentos dos OATs franceses de 10 anos subiam para 5,001% no fim do dia, de 4,916% no fechamento anterior, sendo negociados em seus maiores níveis desde 2002. O mau-humor também contaminou os juros em outros países da Europa, com os Bunds alemães de 10 anos avançando para 3,430%, de 3,417%, e os títulos italianos subindo para 4,566%, de 4,511%, no mesmo vencimento.
Natalia Gurushina, economista-chefe da VanEck, estima que, se o rendimento médio permanecer acima desse nível, os gastos líquidos da França com juros da dívida poderão superar 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em cinco anos. “Isso obrigaria o país a fazer uma escolha difícil: aprofundar os cortes de gastos em outras áreas do Orçamento ou aceitar déficits ainda maiores, uma vez que a arrecadação do governo geral já supera 52% do PIB, o que, praticamente, elimina a margem para aumentar as alíquotas de impostos”, ela afirma.