França e Espanha adotaram o “Janonismo Cultural”. Com as eleições se aproximando, candidatos do campo progressista estão se inspirando na reeleição do presidente Lula, no Brasil. A tática de ocupação das redes e utilização de canais de transmissão do Whatsapp, impulsionadas pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), no segundo turno da corrida presidencial brasileira, já pegou nos dois países e militantes de esquerda passaram a coordenar sua movimentação nas redes da mesma forma.
A referência ao Brasil e às táticas do “Exército do Lula” não estão implícitas. A reeleição de Lula, na verdade, foi celebrada no canal “FRENTEAMPLISTAS”, comandado por militantes progressistas apoiadores do atual premiê Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário (PSOE). No próximo dia 29 de novembro, o pleito antecipado do país colocará Sánchez e Alberto Núñez Feijóo, do Partido Popular, de centro-direita, frente a frente na disputa pela cadeira de primeiro-ministro.
No canal de transmissão do Whatsapp espanhol “FRENTEAMPLISTAS”, que já conta com 17 mil seguidores, a imagem de Lula foi usada para reforçar o recado “Aqui também podemos ganhar”. A ferramenta está sendo usada de forma semelhante ao canal “Exército do Lula”, com missões diárias, metas de seguidores e incentivos à mobilização nas redes.
Seguindo os passos de Lula, o candidato progressista do parlamento espanhol usou “o amor contra o ódio”, um dos slogans do PT na campanha brasileira, em um comício realizado nesta segunda, e ainda disse que “se o Brasil pôde, a Espanha pode”, referindo-se à luta contra a extrema-direita.
— É disso que tratam estas eleições. Estas eleições são sobre a Espanha avançar ou o passado avançar. E, claro, também é sobre o amor contra o ódio. Porque não é preciso ser aposentado para se mobilizar pelos aposentados, não é preciso ser gay para reivindicar os direitos do coletivo LGBTI, não é preciso ser mulher para defender a igualdade entre homens e mulheres, e nem é preciso ser palestino ou ucraniano para defender a legalidade internacional e a paz no mundo. É isso que está em jogo no próximo dia 28 de novembro. Se o Brasil pôde, a Espanha pode! — disse Sánchez no comício.
Na França, o canal de transmissão “Equipe oficial de Mélenchon”, que já conta com mais de 42 mil seguidores, tem compartilhado conteúdos para explicar a tática de Janones e iniciar uma mobilização para as eleições de maio do ano que vem, quando o candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon enfrentará Marine Le Pen, candidata representante da extrema-direita francesa.
Segundo uma das mensagens enviadas, o canal de comunicação foi criado pelo “Janones francês”, o deputado Antoine Léaument, do partido França Insubmissa. O deputado também manda vídeos, em formato selfie, com orientações para os seguidores.
As orientações de um dos vídeos publicados no canal francês pede para que os militantes bloqueiem perfis de extrema-direita, não engajem e se movimentem de forma organizada nas redes, com hashtags e postagens em massa. Nesta quarta, Janones respondeu a um perfil “insurgente” francês e “corrigiu” a estratégia: disse que nunca ensinou a bloquear, mas apenas a ignorar os posts da oposição.
A França vive uma onda de intensas manifestações às vésperas de uma mudança de governo e saída de Emmanuel Macron, comandadas principalmente por jovens e estudantes. No último sábado, segundo o ministro do Interior, Laurent Núñez, 1.435 pessoas foram detidas e outros 150 civis e 267 agentes da segurança ficaram feridos. No dia 17 de outubro, protestos semelhantes foram marcados por depredações e confrontos em diversas cidades francesas, que deixaram quase mil policiais feridos e mais de 3 mil estabelecimentos saqueados.
Tradução: Bardella: bloqueado. Le Pen: bloqueada. CNews: bloqueada. Desde segunda-feira, no X, uma palavra de ordem está bombando: vamos bloquear a extrema-direita. O método vem do Brasil. No domingo, Lula foi reeleito com quase 52%. No primeiro turno, porém, ele estava em segundo lugar, atrás de Flávio Bolsonaro. E quase todas as pesquisas do segundo turno davam Bolsonaro na frente, uma inédita na história do Brasil. Nesta campanha, uma arma deu o que falar: o exército do Lula, um canal no WhatsApp do deputado André Janones. Mais de 10 milhões de inscritos. A orientação dele: não comentar os posts do adversário, não responder às fake news deles — isso só dá alcance para eles. E desde a vitória, os brasileiros estão nos passando o recado. “Viu um bolsonarista espalhando ódio? Bloqueia!” — 47 mil curtidas. “Amigos franceses, não interajam com a direita, não deem engajamento para eles” — 33 mil curtidas. Por quê? Porque o algoritmo não sabe a diferença entre um fã e uma pessoa irritada. Em 2023, o X publicou seu código-fonte: uma resposta lá conta 27 vezes mais do que uma curtida. Toda vez que você lacra ou rebate a extrema-direita, você faz o post subir no feed dos outros. Então, três regras: um, você não comenta mais, nem para rebater. Dois, você não compartilha mais — para mostrar algo, use um print, não um link. Três, você bloqueia o perfil, o veículo de mídia, o influenciador. E o seu tempo, você usa para compartilhar aquilo que você defende. Isso fez o Lula ganhar? Impossível provar, mas é o que os militantes brasileiros dizem. Agora é com você: bloqueie e compartilhe este vídeo, #OnBloqueLExtremeDroite. E nos comentários: quem você bloqueou primeiro? Inscreva-se no BLIK, a gente não baixa a cabeça.