Inflação, emprego e PIB: os números da economia de Trump antes das eleições de meio de mandato nos EUA

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta convencer os eleitores, antes das eleições de meio de mandato nesta terça-feira (3), de que a economia americana está crescendo rapidamente. Mas muitos afirmam que a inflação continua sendo um problema, já que a guerra contra o Irã elevou os preços da gasolina, os alimentos seguem caros nos supermercados e os juros elevados dificultam a aquisição de uma casa ou de um carro novo.

A economia não está tão forte quanto Trump afirma, nem tão fraca quanto sugerem as pesquisas de confiança dos consumidores. Mas, com uma combinação de inflação, desigualdade e ganhos no mercado de ações, o desempenho econômico do país não satisfaz a maior parte da população e está aquém das promessas feitas pelo presidente.

Veja a seguir os principais números da economia:

Os eleitores esperavam que Trump controlasse a inflação. No discurso de posse, no ano passado, o republicano prometeu: “Determinarei a todos os integrantes do meu governo que mobilizem os amplos poderes à sua disposição para combater o que foi uma inflação recorde e reduzir rapidamente os custos e os preços.”

Durante um evento de campanha no início de outubro, em Vandalia, no Estado de Ohio, Trump disse à multidão que o país “praticamente não tem inflação”. No entanto, os dados do Departamento de Trabalho não sustentam essa afirmação.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) registrava uma alta em 12 meses de 3% em janeiro de 2025, quando Trump voltou à Casa Branca. O CPI continuou desacelerando até abril do ano passado, quando o presidente anunciou um amplo pacote de tarifas comerciais, o que fez os preços voltarem a subir. As pressões inflacionárias se intensificaram neste ano com o início da guerra contra o Irã, no fim de fevereiro.

A inflação não voltou aos picos registrados durante o governo de Joe Biden, que teve de enfrentar a pandemia de covid-19. Os dados, porém, mostram claramente que a tendência de desaceleração dos preços foi revertida, com o CPI voltando a subir de forma irregular sob Trump. No último relatório antes das eleições, a inflação em setembro avançou para 3,7% em 12 meses.

Crescimento médio do PIB mais baixo

Uma pesquisa de confiança do consumidor da Universidade de Michigan mostra que os americanos estão atualmente menos confiantes na economia do país do que durante a pandemia de covid-19, em 2020, ou a crise financeira de 2008. Ao contrário daqueles períodos, porém, os EUA não estão em recessão.

O Produto Interno Bruto (PIB), a medida mais abrangente do crescimento econômico, tem avançado a uma taxa anual pouco superior a 2% sob Trump. Trata-se de um resultado sólido, mas inferior ao ritmo de crescimento registrado durante o governo de seu antecessor democrata, Joe Biden.

Trump, no entanto, continua dizendo aos eleitores que o crescimento econômico nunca foi tão vigoroso. O presidente republicano afirma que os investimentos estrangeiros atingiram níveis históricos, em declarações que misturam exageros e expectativas otimistas sem respaldo concreto.

“Temos um crescimento como nunca vimos antes — e teremos um crescimento como nunca vimos antes”, afirmou o presidente na semana passada, durante um comício no Arizona.

Nesta semana, o Departamento de Comércio divulgou que o PIB americano cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no terceiro trimestre deste ano, um ritmo superior ao crescimento de 2,2% nos três meses anteriores. No entanto, economistas temem que os americanos não estejam conseguindo acompanhar a alta dos preços provocada pela inflação e estejam cada vez mais recorrendo às economias para manter o padrão de vida.

Desemprego está em baixa, mas criação de vagas desacelera

A taxa de desemprego de 4,2% tem sido um sinal da solidez da economia. Trump herdou um índice baixo, que se manteve durante seu governo, em um ambiente que muitos economistas descrevem como de “poucas contratações e poucas demissões”.

Trump costuma afirmar que nunca houve tantos empregos na história dos EUA, mas isso se deve, em grande parte, ao crescimento populacional, e não às políticas de seu governo. Durante o segundo mandato de Trump, os empregadores têm criado, em média, quase 39 mil vagas de trabalho por mês. No ano anterior ao retorno do republicano à Casa Branca, o saldo mensal de empregos era três vezes maior, superando 121 mil vagas, em média.

Um dos fatores por trás da desaceleração na criação de empregos é o endurecimento da política de imigração de Trump, que reduziu o número de pessoas em busca de trabalho. A taxa de desemprego entre os nascidos nos EUA permaneceu praticamente estável, o que sugere que os americanos não estão ocupando as vagas anteriormente preenchidas por imigrantes.

Alta do preço dos combustíveis tem afetado a popularidade de Trump — Foto: REUTERS/Mike Blake

Custos dos empréstimos aumentam

Com o aumento da dívida pública, a persistência da inflação elevada e a disparada dos preços da energia associada à guerra contra o Irã, está cada vez mais caro tomar empréstimos para comprar uma casa, um carro ou atender a outras necessidades básicas.

O rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos está acima de 5%, após atingir os níveis mais elevados desde 2002. Isso encarece o crédito para a população e aumenta os custos do governo dos Estados Unidos para financiar e refinanciar sua dívida.

Bolsa de valores bate recorde

Trump costuma se vangloriar dos sucessivos recordes registrados pelo mercado de ações durante seu governo, embora Biden pudesse ter feito afirmações semelhantes. Até quinta-feira, o índice S&P 500 acumulava alta de cerca de 12% neste ano, depois de ter avançado aproximadamente 16,4% no ano passado.

Em 2024, porém, antes de Trump assumir a Presidência, a valorização havia sido de 23,3%. O desempenho do mercado acionário depende de mais fatores do que apenas a política presidencial, e a valorização das ações de empresas de tecnologia tem sustentado o mercado mais amplo.

Os cortes de impostos promovidos por Trump podem ter contribuído para aumentar os lucros das empresas, já que a arrecadação federal com tributos corporativos caiu 16% no ano passado, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês).

Pedestre passa diante da sede da Nasdaq, em Nova York — Foto: Michael Nagle/Bloomberg
Pedestre passa diante da sede da Nasdaq, em Nova York — Foto: Michael Nagle/Bloomberg

Desde o retorno de Trump à Casa Branca, o patrimônio dos 0,1% de famílias mais ricas dos Estados Unidos aumentou US$ 5,5 trilhões em apenas 18 meses, segundo dados do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Já o patrimônio da metade mais pobre das famílias cresceu US$ 380 bilhões.

Isso significa que as famílias pertencentes à metade mais pobre da população registraram, em média, um aumento de US$ 5.600 em seu patrimônio líquido durante o governo Trump. Já entre os 0,1% mais ricos, o crescimento médio do patrimônio líquido foi de US$ 40,8 milhões — um valor mais de 7 mil vezes superior ao ganho médio registrado por uma família da metade mais pobre.

[Fonte Original]

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