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domingo, novembro 30, 2025

Por que o Brasil, maior produtor de café do mundo, está mudando seus grãos? Entenda

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Nos próximos anos, o café do Brasil pode começar a ter um sabor um pouco diferente. O país sul-americano é o maior produtor mundial de arábica, uma variedade suave de grão de café. Mas, à medida que as mudanças climáticas tornam mais difícil cultivar esses grãos, alguns agricultores estão investindo no robusta, que produz um grão mais amargo, mas consegue tolerar temperaturas mais altas e é mais resistente a doenças.

As tradicionais regiões cafeeiras do Brasil, que produzem majoritariamente arábica, vêm sendo atingidas por secas mais intensas e frequentes, além de temperaturas mais altas. O arábica ainda é a principal exportação de café do país, mas a produção de robusta agora cresce em um ritmo mais rápido: mais de 81% nos últimos 10 anos, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que acompanha a produção global de café.

Para o Brasil, o robusta representa uma oportunidade de continuar sendo o maior fornecedor de café do mundo no futuro, mesmo com o agravamento dos efeitos das mudanças climáticas, afirma Fernando Maximiliano, gerente de Inteligência de Mercado de Café da StoneX, uma empresa de serviços financeiros.

— Não foi necessariamente a demanda que resultou no crescimento da produção de robusta— acrescenta. — Na realidade, problemas climáticos e perdas no arábica foram os principais fatores que contribuíram para estimular o crescimento do robusta.

Nos últimos três anos, a produção de café arábica no Brasil cresceu a uma taxa de cerca de 2% a 2,5% ao ano, enquanto a produção de robusta aumentou aproximadamente 4,8% ao ano. Na temporada de cultivo deste ano, o robusta alcançou um aumento de quase 22%, uma colheita recorde, segundo a StoneX. Isso significa que a produção de robusta se destacou por sua capacidade de lidar melhor com condições climáticas mais adversas e também por sua rentabilidade, dizem analistas.

Em áreas mais quentes do Brasil onde o arábica não consegue crescer, os produtores de café estão encontrando maneiras de produzir robusta e mitigar o impacto das temperaturas mais altas. Plantar cafeeiros sob a sombra de árvores nativas e outras espécies é uma dessas técnicas.

— Dessa forma, ele continuará produtivo, ficará um pouco mais úmido, então não se degradará tão facilmente — afirma Jonatas Machado, diretor comercial da Café Apuí, produtora de café robusta em sistemas agroflorestais na região Amazônica.

O Vietnã é o maior produtor mundial de robusta, mas o Brasil está se aproximando — e pode ultrapassar o país do Sudeste Asiático graças a uma cadeia de suprimentos bem estruturada, de acordo com analistas do Rabobank, uma empresa de serviços financeiros.

O robusta tem uma concentração maior de cafeína e um sabor mais intenso do que o arábica. Mas as gerações mais jovens prestam menos atenção ao tipo de café que consomem ou ao seu nível de torra e tendem a preferir opções personalizadas, adicionando itens como leites, cremes e xaropes, que acabam mascarando o sabor dos grãos.

— Eles não se preocupam tanto com a origem, as notas sensoriais — disse Matthew Barry, gerente de insights globais para alimentos, culinária e refeições da consultoria de pesquisas de mercado Euromonitor International.

Se os preços do café continuarem subindo, os consumidores também podem se inclinar para o robusta, que custa menos.

Na Europa, a diferença de preços entre robusta e arábica provavelmente será ainda maior nos próximos anos. Uma nova lei exigirá que produtos importados sejam certificados para comprovar que não se originaram de áreas recentemente desmatadas ou degradadas, embora a data de implementação ainda seja incerta.

O café instantâneo, que é feito majoritariamente com a variedade robusta, está excluído dessas regras. Essa exceção pode aumentar a demanda por produtos à base de robusta, segundo o Rabobank.

A União Europeia é a maior consumidora de café instantâneo, respondendo por quase 50% da receita global, de acordo com a consultoria Grand View Research.

Embora o robusta tenda a ser mais barato que o arábica, seus preços vêm atingindo níveis recordes. Esses preços mais altos e o fato de que as cultivares são quase duas vezes mais produtivas do que as variedades de arábica convenceram um número crescente de produtores de café no Brasil a investir no plantio de robusta, disse Alexsandro Teixeira, pesquisador de café da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Os produtores de robusta também estão melhorando a qualidade de seus grãos. Isso tornou a variedade mais atraente para os consumidores e levou a um aumento nos preços, afirmou ele.

[Fonte Original]

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