O que está sendo discutido em Brasília pode mudar, de forma bem concreta, a rotina de milhões de pessoas: menos dias seguidos de trabalho, mais tempo de descanso e até um valor maior para trabalhar aos domingos. Mas a pergunta que muita gente está fazendo é: na prática, como essa nova escala vai funcionar no dia a dia das empresas e dos trabalhadores?
Uma PEC propõe o fim da escala 6×1 prevê a adoção da jornada 5×2, com dois dias consecutivos de descanso, além da redução da carga semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial. A proposta ganha força em Brasília após o Governo Federal sinalizar apoio, colocando no centro do debate temas como saúde mental, convívio familiar e produtividade.
O que muda com o fim da escala 6×1
A escala 6×1 é o modelo em que a pessoa trabalha seis dias seguidos e folga apenas um. É essa escala que está com dias contados e deve acabar em 2026.
Como funcionará a nova jornada 5×2 e a redução de horas
A proposta desenha uma transição para o novo formato, prevendo adaptação gradual por parte das empresas e preservação da renda. Os pontos centrais são:
- Jornada 5×2: cinco dias de trabalho para dois dias consecutivos de descanso
- Redução da carga horária: de 44 para 40 horas semanais
- Salário mantido: com proibição de reduzir vencimentos
A aposta é que trabalhadores mais descansados tenham melhor desempenho, com menos erros e menor risco de afastamentos. O tema, que antes ficava mais restrito ao campo sindical, passou a ser tratado também como fator de produtividade e eficiência nas empresas.
Por que o trabalho aos domingos ficará mais caro
Em setores que não podem parar, como saúde e parte do comércio, o trabalho aos domingos continuaria permitido. A diferença é que a PEC cria um desincentivo econômico: pagamento em dobro. Isso tende a reduzir o uso rotineiro de escalas dominicais e reforça que o descanso semanal não é apenas um detalhe operacional, mas um direito a ser protegido.
O texto também estabelece pagamento em dobro para o trabalho aos domingos.
Impactos sociais e de saúde
A defesa do fim da escala 6×1 cita, principalmente, o esgotamento em áreas como comércio, telemarketing e saúde, onde a rotina costuma consumir tempo de família e até tarefas básicas do cotidiano. Os efeitos esperados se concentram em três frentes:
- Saúde mental: redução do risco de estresse crônico e burnout
- Vida familiar: mais tempo para convívio, lazer e organização pessoal
- Produtividade: menos erros, menos afastamentos e maior engajamento
Quando pode começar a valer
O ambiente político parece favorável: o Executivo apoia a proposta e a Câmara dá sinais positivos para avançar em dois turnos no Congresso após o recesso. Se aprovada, a mudança pode entrar em vigor a partir de 2026, representando uma das maiores atualizações na jornada de trabalho desde a Constituição de 1988.