A rotina de quem depende do transporte público em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, segue longe do ideal e cada vez mais perigosa. Todos os dias, milhares de passageiros enfrentam ônibus superlotados, frota mal conservada, atrasos frequentes e o medo constante de furtos e assaltos. Imagens enviadas ao N1N mostram passageiros viajando pendurados nas portas dos veículos, uma situação extrema que expõe o risco de acidentes graves e até mortes.
O cenário se agrava nos horários de pico e afeta diretamente a qualidade de vida de trabalhadores, idosos e pessoas com deficiência. Em muitos casos, os ônibus passam lotados e deixam passageiros nos pontos. Em outros, seguem viagem mesmo sem condições mínimas de segurança, transformando o trajeto diário em um verdadeiro teste de resistência.
Nos momentos de maior movimento, o problema se intensifica. Veículos superlotados atrasam compromissos, aumentam o desgaste físico e emocional e colocam vidas em risco.
Passageiros relatam que não há espaço nem para se segurar corretamente, o que aumenta a chance de quedas e ferimentos em caso de freadas bruscas. Para quem usa o sistema todos os dias, a sensação é de que uma tragédia pode acontecer a qualquer momento.
O sofrimento em Simões Filho
José Sacramento, de 57 anos, conhece bem essa realidade. Morador do KM 25, bairro próximo à região central de Simões Filho, ele trabalha em Lauro de Freitas e enfrenta diariamente os ônibus cheios nos horários mais disputados.
“Olha o buzu que fui trabalhar hoje de manhã (06/01). Uma vergonha. Mais de 100 pessoas dentro desse buzu aí. Essa empresa é uma vergonha. Teve ponto que nem parou porque não cabia mais gente. A volta é a mesma coisa, nunca vou sentado, sempre vou em pé. Todo mundo parecendo uma sardinha”, relata.
Para os passageiros, as imagens de pessoas penduradas nas portas dos ônibus não são casos isolados, mas reflexo de um sistema sobrecarregado e sem fiscalização adequada. A cada dia, cresce o medo de que a superlotação termine em acidente grave, reforçando a percepção de que o transporte público em Simões Filho vive uma tragédia anunciada.
Transporte deixa a população doente
Pesquisas indicam que experiências como essas aumentam quadros de ansiedade, crises de pânico e outros transtornos mentais. Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a professora Laura Quadros, do Departamento de Psicologia Clínica, acompanha estudantes e trabalhadores e observa queda no rendimento associada ao estresse diário vivido nos transportes públicos. Para especialistas, o problema vai além da mobilidade e já impacta diretamente a saúde da população.