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terça-feira, janeiro 6, 2026

Crítica | Heated Rivalry — 1ª Temporada – Plano Crítico

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Com estreia ainda inédita no Brasil – pelo menos dentro de um catálogo de streamig, por exemplo -, a série canadense Heated Rivalry teve uma exponencial repercussão nas redes sociais, principalmente no Twitter (me desculpe, Elon Musk, mas eu me recuso a chamar o passarinho de “X”). Ela surge de uma maneira despretensiosa, basicamente nos “45 minutos” finais do ano de 2025, analogia feita geralmente nos instantes derradeiros de uma partida de futebol, porém ela se encaixa de forma análoga a uma partida de hóquei no gelo. Eu não sei vocês, caros(as) leitores(toras), mas eu não entendo nenhuma regra deste esporte, e acredito que nem precisamos, já que o verdadeiro “esporte” estava no elenco extremamente bonito e sensual.

Brincadeiras à parte, o seriado teve a proposta de ocupar um espaço ainda pouco explorado no universo audiovisual: o romance esportivo entre dois homens, os quais – a partir desse sentimento tão humano – tentam equilibrar a competitividade, a sensualidade e a vulnerabilidade emocional dentro do hóquei profissional. Além, é claro, de esconder da família todos os desejos e os amores ou, inclusive, fugir dos problemas familiares. O casal principal – formado pela dupla estreante Shane Hollander (Hudson Williams) e Ilya Rozanov (Connor Storrie) – é baseado no segundo livro de uma série de literária intitulada Game Changers, escrita pela autora canadense Rachel Reid, sendo a obra chamada de Heated Rivalry, a qual será lançada no Brasil neste ano de 2026 – mais especificamente em fevereiro -, com o nome Rivalidade Ardente, pela editora Alt; ao passo que a série televisiva deverá ser lançada pela HBO Max ainda sem uma data específica. O primeiro livro saiu em 2018 e, ao todo, já foram publicados seis livros da série. Na trama, eles são dois rivais que crescem na carreira em times distintos, mas, à medida que os anos vão transgredindo na história, os jovens bonitos e sarados percebem que a rixa vai muito além do gelo. É uma rivalidade sensual e amorosa entre dois homens que tentam entender o que estão sentindo, mesmo que isso possa parecer ser “errado” na visão alheia.

Os episódios vão passando e, ao mesmo tempo, a narrativa vai percorrendo os anos de disputa nas partidas em diversos campeonatos, entre viagens e jogos decisivos, sem esquecer ainda de segredos que se acumulam na mesma velocidade em que a química avassaladora de ambos evolui durante as cenas calientes. Aparentemente, no começo é só um desejo carnal (misericórdia: que calor!), contudo, eles entendem que a dimensão emocional é algo inquietante, ou seja, os jogadores precisam lidar com a pressão de suas profissões em meio a um sentimento proibido pela sociedade e pelos familiares. A decisão de revelar o namoro, por exemplo, acarretaria uma tragédia sem precedentes nos bastidores, mas os dois não estavam preparados para “pagar um preço” tão alto por um futuro tão incerto. Na verdade, nós, pessoas LGBTQIAPN+, nunca estamos devidamente preparadas, apenas nos cansamos de viver uma angústia inquietante dentro dos nossos corações e, por isso, revelamos ao mundo os nossos mais sinceros sentimentos, como eles fizeram no final da temporada.

Outro aspecto interessante é a forma como Heated Rivalry infla egos e sufoca fragilidades. No primeiro quesito, temos Ilya sendo um personagem totalmente egoísta, imprevisível, intenso, isto é, ele preocupa-se apenas consigo mesmo ao manter um corpo bonito e saciar os próprios desejos carnais, seja com homens ou com mulheres – ele é bissexual -, desprezando pessoas e familiares. Já no segundo item, Shane é o oposto: um jovem doce, disciplinado, correto, o qual está descobrindo a própria sexualidade, tendo muitas dúvidas e, principalmente, medo de decepcionar as pessoas que mais ama nesta vida, no caso os pais Yuna Hollander (Christina Chang) e David Hollander (Dylan Walsh). Ademais, temos um roteiro que tenta amarrar os avanços temporais para reforçar a transição cíclica dos acontecimentos, entretanto, a velocidade com que tudo acontece reduz o impacto emocional do telespectador, enfraquecendo a percepção da evolução da trama. Quem aí também não se irritou com os vários saltos temporais que eram exibidos ao longo dos episódios? É tudo rápido demais: viagens, competições, cenas sexuais, diálogos, dramas familiares… Como Heated Rivalry está renovada para a 2ª temporada – prevista apenas para 2027 -, espero que o ritmo acelerado seja reduzido para que, assim, possamos degustar com mais calma e profundidade este romance no gelo.

Por falar em romance, outro casal representado na série é entre o jogador de hóquei Scott Hunter (François Arnaud) e o barista Kip Grady (Robbie G.K.), que tiveram o terceiro episódio especialmente dedicado aos dois homens. Em razão desse pequeno detalhe, aparentemente deu a sensação de eles estarem um tanto deslocados na história principal, já que a ruptura em relação ao casal principal Shane e Ilya foi abrupta, ou seja, um tanto brusca, “sem sentido” aos olhos dos telespectadores menos atentos. No entanto, os pombinhos foram imprescindíveis para que Ilya pudesse ter uma conversa sincera com os pais de Shane após a revelação em rede nacional do outro casal, com direito a um beijo romântico no final do quinto episódio. Foi linda a construção, o desenvolvimento e, claro, o desfecho desta relação, a qual deu um “empurrãozinho” para que Shane e Ilya pudessem admitir – pelo menos para os seus familiares – o que de fato estavam sentindo e vivendo por todos esses anos. Do roteiro às atuações: esses dois quesitos foram tão exemplarmente construídos com maestria que deu a sensação de nós, fãs, nos importarmos com os personagens; com seus amigos e seus familiares, porque, no final, queremos o melhor para os casais para que eles sejam felizes apesar das adversidades da vida.

Além disso, a atuação de François Arnaud e de Robbie G.K. fez com que a história de Scott e de Kip não fosse menos importante do que a dos outros dois colegas. Ambos são extremamente atraentes fisicamente, com olhares apaixonantes, provocando, assim, o derretimento de qualquer fã do seriado. Sem contar até mesmo o charme e o carinho que Scott tem com Kip, dentre encontros e amassos, eles desenvolvem um relacionamento verdadeiro, puro e fofo. Obviamente, há um drama em relação ao Scott, uma vez que o jogador tem “tudo a perder” com a possível revelação e, justamente por isso, tudo ocorre em segredo, característica que entristece Kip. Vejamos, por exemplo, a ausência do seu amado na festa de seu aniversário com os amigos: isso foi importante para o jogador de hóquei perceber que estava perdendo possíveis momentos felizes da vida para agradar os outros, e não a si próprio, em uma espécie de prisão angustiante. Desse modo, logo após ter uma conversa franca e honesta com Kip e com a melhor amiga do seu futuro namorado – Elena Rygg (Nadine Bhabha) -, ele resolve revelar para o mundo o seu segredo: ele está apaixonado por Kip e é um sentimento recíproco. Foi lindo, foi emocionante, foi mágico!

Além disso, outro momento repleto de magia e de honestidade foi Ilya desabafando e se declarando em russo para o amor de sua vida, Shane quando ambos estavam conversando por telefone – pasmem: o intérprete do personagem não é nascido na Rússia, e sim na terra estadunidense. Foi uma cena devastadora, em que o jogador de hóquei egoísta expõe as suas maiores fragilidades como ser humano e vê em Shane o seu refúgio, a sua proteção, uma angústia dilacerante em cada sílaba pronunciada e engasgada. Foi uma atuação e um roteiro fenomenais, assim como as cenas gravadas na cabana no sexto e último episódio da temporada, uma vez que em público eles trocam farpas, no entanto, em quatro paredes, dividem camas de hotel. Dessa forma, tem como não torcer pelos dois? Eles conseguem ir além da tensão e do desejo sexual, pois há um nível de intimidade física e emocional entre ambos e, dessa maneira, eles conseguem ser verdadeiros um com o outro, com conversas honestas em uma relação de respeito mútuo, como se fossem verdadeiras almas gêmeas apaixonadas ao dizerem as três palavrinhas quando se ama outra pessoa. Por mais que o futuro seja incerto – ainda mais um relacionamento gay em um mundo heteronormativo -, o bad boy provocador e o perfeccionista medroso permitem viver um amor extraordinário. É impressionante a química entre os dois atores: cada olhar furtivo, cada toque, cada encontro erótico se desenrolam como uma dança perfeitamente coreografada pela direção.

Portanto, dizer que eu adorei Heated Rivalry seria o extremo de um eufemismo. Em um mundo cada vez mais perigoso e homofóbico – com destaque para o Brasil, afinal é um dos países com mais assassinatos de pessoas LGBTQIAPN+, infelizmente -, a série se torna uma luz na escuridão. É o bálsamo que as nossas almas precisavam para ter esperança em dias melhores, mesmo que no cotidiano nos seja negado o simples direito de vivermos como seres humanos. Por mais que haja uma sociedade mundial homofóbica, machista e repressora, a série é uma ponta de esperança, mesmo sendo ficcional. Eu adorei como o final da temporada não foi exagerado ou bombástico, e sim tranquilo e introspectivo, contendo dois jovens aprendendo o significado de serem namorados. Quem também aprenderá o significado de ter um namorado é o jogador Scott, o qual fez um breve e lindo discurso ao receber o prêmio de melhor jogador, agradecendo o amor de sua vida chamado Kip.

Heated Rivalry contém muitas cenas sensuais, porém não esquece de promover profundidade emocional e autenticidade, características que a fizeram brilhar no final do ano de 2025, embora tenha sido lançada pela Crave, um serviço de streamig pequeno do Canadá. Logo, o seu sucesso nas redes sociais – mesmo sem ao menos ter estreado no Brasil – mostra a qualidade da história, apesar de não entendermos bulhufas das regras de uma partida de hóquei no gelo. Todavia, conseguimos interpretar que o desejo entre dois homens é humano e vulnerável, muitas das vezes profundamente solitário. Cada encontro escondido entre os quartos de hotel, cada conversa por mensagens no celular e cada carinho roubado funcionam como atos de resistência silenciosa. Agora, com a iminência de eles gritarem para o mundo que se amam de verdade, resta saber como ficará a vida pessoal e profissional destes atletas na 2ª temporada, afinal de contas, a Rivalidade Ardente nunca esteve no gelo, e sim dentro do coração de cada um dos personagens.

Heated Rivalry – 1ª Temporada (Canadá, 2025)
Criação: Jacob Tierney
Direção: Jacob Tierney
Roteiro: Jacob Tierney, Rachel Reid
Elenco: Benjamin Roy, Callan Potter, Christina Chang, Connor McKenna, Connor Storrie, Dylan Walsh, Franco Lo Presti, François Arnaud, Hudson Williams, Jay Farrar, Kamilla Kowal, Kolton Stewart, Ksenia Daniela Kharlamova, Matt Gordon, Nadine Bhabha, Noah Labranche, Robbie G.K., Shaun Starr, Slavic Rogozine, Sophie Nélisse, Yaroslav Poverlo
Duração: 06 episódios, com duração média de 50 minutos cada.



[Fonte Original]

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