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sábado, janeiro 31, 2026

2025 tem menor desemprego da série; veja tendências para este ano

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A taxa de desemprego registrou, no ano passado, mínima histórica, na série oficial desse dado no país. Na sexta-feira (30), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) referente ao trimestre encerrado em dezembro do ano passado. Na pesquisa, na qual constam dados oficiais do mercado de trabalho do Brasil, a taxa de desemprego anual média de 2025 ficou em 5,6%.

Foi a menor taxa anual da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Impactos sazonais e expansão maior de postos de trabalho, em segmentos da economia não muito dependentes de crédito e de juros, ajudam a explicar o resultado, informou na sexta-feira (30) a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do instituto, Adriana Beringuy.

Sobre fatores sazonais que influenciaram o resultado, ela detalhou que, no último trimestre do ano passado, sempre ocorre maior ritmo de contratações temporárias para atender maior cadência de consumo interno. Isso sempre ajuda a diminuir desemprego nessa época do ano.

A taxa de desemprego do trimestre móvel encerrado em dezembro de 2025, foi de 5,1%. Essa também foi a menor da série, entre as taxas trimestrais. E, no quarto trimestre de 2025, o comércio foi destaque, em abertura maior de vagas – para atender demanda em alta devido ao Natal e “Black Friday” (semana promocional de vendas do varejo que ocorre em novembro).

Outro aspecto que também ajudou a derrubar a taxa de desemprego foi abertura maior de vagas em segmentos da economia relacionados a bens não duráveis, como alimentos e vestuário. São segmentos cujas vendas são mais à vista e não “sentem” muito em seus negócios o atual momento de crédito mais caro como resultado do atual quadro de juros elevados.

No entanto, as contratações temporárias de comércio não devem prosseguir ao longo de 2026. Pelo contrário. Historicamente, no primeiro semestre de cada ano, ocorre ritmo maior de desligamentos devido aos términos de contratos temporários, principalmente no varejo. O que aumenta a taxa de desemprego, no período, na Pnad Contínua do IBGE.

Economistas de mercado também não acreditam em continuidade, em 2026, de quadro tão favorável de mercado de trabalho observado em 2025.

Guilherme Sousa, economista da Ativa Investimentos, disse que o cenário favorável do quarto trimestre de 2025 foi influenciado por “leve retração da força de trabalho, que passou de 108,66 milhões no trimestre anterior para 108,50 milhões”. A força de trabalho engloba a população de 14 anos ou mais que trabalha ou está desempregada na semana de referência da pesquisa. “Apesar do balanço aparentemente favorável, o enfraquecimento da força de trabalho limita a leitura do resultado, indicando que a melhora não é inteiramente explicada por maior geração líquida de empregos”, disse, em relatório sobre o tema.

Já o economista da Suno Research, Rafael Perez, afirmou que o mercado de trabalho em 2025 foi favorecido por “uma combinação de fatores”. Entre os pontos citados por ele, estão mudanças demográficas, que reduzem o ritmo de crescimento da força de trabalho (com maior parcela de pessoas mais velhas, fora da idade de trabalho, no total da população); e expansão do trabalho associado a plataformas de transporte e de entregas.

No entanto, Perez espera para 2026 taxa de desemprego maior.

“Esperamos uma alta gradual da taxa de desemprego ao longo dos próximos meses, sem que isso represente uma deterioração relevante do cenário”, disse Perez, em relatório. “O mercado de trabalho seguirá aquecido, sustentando a renda e o consumo das famílias, mas a taxa de desemprego deverá encerrar 2026 em nível levemente superior ao observado em 2025, refletindo o menor crescimento esperado para este ano”, disse.

Sobre esse último ponto, ele se refere às projeções de menor ritmo de atividade econômica, para este ano. Significa que um ambiente de economia mais fraca não favorece maior ritmo de contratações.

Ariane Benedito, economista-chefe do banco digital PicPay, comentou que os próprios resultados da série de desemprego, em baixa recorde até 2025, sugere pouco espaço para novas quedas expressivas na taxa de desocupação. Isso, no entendimento dela, indica um “cenário de desemprego lateralizado e com viés de leve correção ao longo do ano [de 2026], isto é, pequenas altas em torno do nível atual, em vez de continuidade do mesmo ritmo de queda observado ao longo de 2024–2025”, disse ela, em relatório. “Para a próxima medição [de trimestre finalizado em janeiro de 2026] esperamos que a taxa de desemprego fique em torno de 5,2%”, finalizou.

Por sua vez, na sexta-feira (30), a pesquisadora do IBGE detalhou, no entanto, que “não necessariamente” um possível movimento de desligamento de temporários, no começo de 2026, poderia conduzir a uma alta na taxa de desemprego já no começo do ano.

Sem tecer projeções, visto que o IBGE não produz estimativas, Beringuy usou a série histórica da pesquisa, para justificar seu comentário. Ela disse que, ao considerar a série histórica de trimestres móveis finalizados em janeiro, às vezes a taxa de desemprego aumenta, ante dezembro; e às vezes não, afirmou. “Precisamos ter realmente o dado de coleta de janeiro para observar como será essa transição [de ritmo de vagas temporárias no mercado de trabalho]”, afirmou.

O desempenho do mercado de trabalho em janeiro de 2026 só será conhecido em 5 de março, quando da divulgação da Pnad Contínua Trimestral referente ao trimestre móvel encerrado em janeiro deste ano.

[Fonte Original]

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