O acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), cuja negociação se estendeu por mais de 25 anos, tem potencial para ampliar em cerca de US$ 7 bilhões as exportações brasileiras ao mercado europeu, segundo estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil).
Após adiamento, em dezembro, os embaixadores da UE deram aprovação provisória nesta sexta-feira (9) para a assinatura do acordo de livre-comércio, que será o maior pacto comercial do bloco europeu. Foram meses de disputa para garantir o apoio dos principais Estados-membros.
A Apex destacou que o acordo envolve uma população de mais de 700 milhões de habitantes e um PIB próximo de US$ 22 trilhões. “Só perde para o (PIB) dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões. É o segundo fluxo comercial que o Brasil tem com o mundo, só perde para a China, e o mais importante: é um comércio equilibrado, praticamente 50 a 50”, afirmou o presidente da agência, Jorge Viana, em nota à imprensa.
Viana destacou ainda que o acordo representa uma conquista em um cenário internacional marcado pelo enfraquecimento de mecanismos multilaterais e pela fragmentação do comércio global. “Esse acordo segue no sentido contrário ao que o mundo está andando. A própria Organização Mundial do Comércio perdeu importância, e nós estamos falando aqui do maior acordo econômico do mundo”, disse.
O presidente afirmou ainda que, em resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, a agência se preparou e intensificou a estratégia de expansão do comércio com a Europa no ano passado, movimento que resultou em um aumento de 4% das exportações brasileiras para a região.
Segundo a agência, a qualidade da pauta exportadora brasileira para o bloco também se destaca, uma vez que mais de um terço das exportações do país para a região é composto por produtos da indústria de processamento.
Em relação aos pontos do acordo para a indústria, a Apex destacou a redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte, como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aeronaves.
Também são apontadas oportunidades positivas para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas, além de produtos químicos. A agência mencionou ainda a redução gradual, até a eliminação, das tarifas sobre diversas commodities, sujeitas a cotas. Em 2025, os principais produtos exportados brasileiros foram carne de aves, carne bovina e etanol.