23.5 C
Brasília
segunda-feira, janeiro 12, 2026

Colômbia tenta sanear finanças com maior imposto sobre fortunas

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, adora mobilizar apoio contra os ricos. “Pedimos aos ricos: ‘Ei, não sejam tão mesquinhos’”, disse Petro em um discurso em dezembro. “O que é saudável economicamente é aumentar os impostos, mas não queremos aumentá-los para as massas como sempre foi feito, e sim para os mais ricos entre os ricos.”

Agora, ele faz sua maior aposta até o momento: a de que o imposto sobre fortunas mais alto do mundo — inspirado pelo economista Thomas Piketty, e a crença de Petro de que a desigualdade é uma afronta moral — pode ser a resposta para sanar as combalidas finanças públicas da Colômbia.

Pouco antes do Natal, Petro e seu gabinete declararam “emergência econômica” no país, e poucos dias depois Petro elevou os impostos por decreto, mais que triplicando a alíquota máxima do imposto sobre grandes fortunas, de 1,5% para 5%. O imposto incide sobre patrimônios líquidos acima de US$ 563.200, com a alíquota mais alta aplicada a fortunas superiores a cerca de US$ 27 milhões.

Isso faz com que, em teoria, seja o imposto sobre fortunas mais alto do mundo — superando os de nações ricas como a Noruega, a Suíça e a Espanha — em um dos países mais desiguais do planeta.

A alíquota de 5% é equivalente a uma proposta na Califórnia, nos EUA, mas a base de cálculo do imposto é muito mais baixa do que o patrimônio líquido de US 1 bilhão proposto no estado americano e também inclui ativos imobiliários. O Ministério da Fazenda da Colômbia estima que 105.332 pessoas seriam afetadas pelo tributo de alguma forma, sendo que 66 delas seriam atingidas pela alíquota marginal máxima.

“A situação tornou-se absurda”, disse Lucas Solano, vice-presidente de planejamento patrimonial da Credicorp Capital, na Colômbia. “Mas ainda há uma chance de a corte constitucional voltar do recesso, analisar o tema e derrubar o decreto. Os clientes estão muito preocupados.”

A bolsa da Colômbia entrou em rali de 88% em termos de dólares em 2025, o que elevou o valor de empresas listadas em bolsa e de bilionários. Se Petro conseguir arrecadar com a versão revisada do imposto sobre fortunas, a Colômbia poderá levantar 4 trilhões de pesos (US 1,1 bilhão) adicionais em 2026, mais que o dobro da estimativa das autoridades fiscais para o ano passado.

O gabinete de Petro aprovou o aumento do tributo ao citar um déficit fiscal crescente e a necessidade de cobrir gastos essenciais em áreas como saúde e energia. O Congresso inicialmente rejeitou a mudança, mas Petro desafiou a oposição e a promulgou por decreto.

Em dezembro, a Fitch rebaixou ainda mais a classificação da dívida do país para grau especulativo ao prever um déficit crescente de 6,5% do produto interno bruto neste ano e níveis de dívida que subirão para quase 63% do PIB em 2027.O Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) — um grupo intergovernamental com 38 países membros — saudou o imposto sobre a riqueza na Colômbia, afirmando em um relatório de 2024 que ele pode ajudar a reduzir a desigualdade, “mas mais pode ser feito”.

José Antonio Ocampo, ex-ministro das Finanças de Petro, que foi responsável pela implementação da primeira reforma tributária do governo em 2023, também a defendeu como necessária.

“As grandes fortunas devem pagar um imposto sobre o patrimônio porque os ganhos de capital são sempre subvalorizados”, disse Ocampo à Bloomberg. “Assim, o imposto sobre fortunas serve como um complemento para pagar uma quantia justa de imposto; essa foi a origem e acho que ainda é correto hoje.”

Gustavo Petro, presidente da Colômbia, em discurso no Congresso — Foto: Fernando Vergara/AP

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img