Criada em 2024, a Vero Brodo surgiu a partir da percepção de uma lacuna no mercado brasileiro de alimentos prontos para consumo. Segundo Rafael Vaz, sócio da empresa junto com Ivete Sangalo e o nutricionista Daniel Cady, ex-marido da cantora, a ideia nasceu da experiência pessoal com o uso de caldos líquidos nos Estados Unidos e da dificuldade de encontrar um produto equivalente no Brasil.
“Quando voltei ao Brasil, ficou evidente uma lacuna. Aqui, o consumidor que quer um caldo de verdade quase sempre precisa fazer em casa, e isso exige tempo, técnica e planejamento”, afirma. A proposta, segundo Vaz, foi entregar “um caldo pronto que tivesse resultado de cozinha, com ingredientes reais e que fosse fácil de usar no cotidiano”.
Hoje, a aposta começa a se traduzir em números. Em 2024, no primeiro ano de operação, a Vero Brodo faturou cerca de R$ 3 milhões e, em 2025, R$ 18 milhões, impulsionado pela ampliação da distribuição e pelo aumento do consumo recorrente. Para Vaz, esse avanço está ligado a uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro. “Mantendo esse mesmo desejo por praticidade, o consumidor começou a mudar o critério de escolha: o brasileiro hoje lê mais rótulos e presta atenção em ingredientes, sódio e aditivos”.
Segundo Vaz, ainda que o país tenha uma tradição consolidada no consumo de caldos industrializados em cubos e pós, há espaço para uma evolução da categoria: “A Vero Brodo entra como essa evolução, de manter a praticidade, mas com o nosso ‘claim central’, isto é, ingredientes que você conhece”. Até o ano de sua fundação, somente duas empresas faziam o mesmo produto que a Vero Brodo, que utiliza ossos de carne bovina e de frango em sua concepção, além do caldo de vegetais, somados a ingredientes como cenoura, alho-poró, salsão, aipo, cebola, alho, tomilho, tomate, entre outros, dependendo da receita. A Vero tem ainda um portfólio mais amplo, com caldos de feijão e suíno — além de efetivamente contar com a imagem da sócia Ivete Sangalo nas publicidades da marca.
Estratégia de distribuição
O crescimento está diretamente associado à estratégia de distribuição adotada pela empresa. Segundo Vaz, a expansão do faturamento da Vero Brodo ocorreu principalmente pela entrada em novos canais e pela ampliação da presença no varejo físico. “Ampliar a presença em grandes redes exige um trabalho pesado de cadastros, homologações e negociações. É um ciclo longo, e a gente está conseguindo destravar isso em escala.”
Em paralelo, o comércio eletrônico tem funcionado como um indicador de aderência do produto, com papel relevante na recompra. De acordo com Vaz, a marca tem uma taxa de recorrência acima de 30% ao ano. “Isso mostra que o consumidor não só experimenta, mas também gosta e consegue encaixar o produto no uso do dia a dia”, diz ele.
Caldo difícil de industrializar
Antes de chegar ao mercado, a empresa passou por cerca de três anos de estudos e testes, período em que a principal constatação foi a complexidade de produzir caldo em escala sem comprometer o padrão e a segurança do produto. “Não é um produto simples de industrializar mantendo sabor e o padrão. Estamos falando de uma cozinha industrial, com bateladas em panelas de mais de 5 mil litros cada, e uma operação que exige controle fino de processo, segurança alimentar e certificações para funcionar no nível em que a gente acredita. O caldo, no Brasil, ficou aprisionado entre o cubo e o pó, que venceram pela praticidade, e o caldo feito em casa, que exige tempo e técnica.”
A forma como a Vero Brodo organiza sua produção está ligada à composição societária do negócio. Rafael Vaz, sócio da marca, também é sócio da Globalfruit, empresa especializada no envase industrial de alimentos. Essa estrutura permitiu que a Vero Brodo já nascesse com padrão industrial e controle de qualidade. “A Globalfruit é uma das principais indústrias de envase do Brasil, com operação e processos certificados em FSSC 22000”, diz Vaz.
Parte dos insumos utilizados pela empresa vem da agricultura familiar regional, atendendo a uma lógica operacional e de relacionamento de longo prazo, além da proximidade com os produtores, que permite maior controle sobre a matéria-prima. “A gente constrói uma relação de longo prazo, com retorno para quem está na ponta, porque é dali que sai uma parte importante do que dá sabor e identidade ao produto.”
Doação de mais de 100 mil toneladas
Essa lógica também se estende a iniciativas fora da operação industrial. A Vero Brodo doou no ano passado mais de 100 toneladas de caldos em uma campanha em que, a cada 12 unidades vendidas no site, uma era doada. Segundo Vaz, a iniciativa foi realizada em parceria com o Instituto Fome de Música e alcançou cinco Estados.
Para os próximos anos, a empresa estabeleceu metas financeiras e operacionais que servirão como indicadores de escala sem perda de proposta. A ideia é alcançar R$ 60 milhões de faturamento anual até 2028 com margens saudáveis, sem concessões em qualidade. Além do faturamento, o CEO aposta na capacidade de expandir o portfólio e se consolidar como uma plataforma completa de bone broth, com diferentes formatos, refeições prontas e a entrada no segmento pet. “A manutenção da confiança do consumidor, refletida em altas taxas de recompra e fidelização, indicará que a proposta original continua sendo percebida e valorizada, mesmo com o aumento de escala e distribuição.”