A economia global deve se manter estável neste ano e no próximo, com crescimento previsto de 2,6% em 2026 e 2,7% em 2027, apesar das persistentes incertezas políticas e tensões comerciais no cenário internacional. As previsões constam em um relatório divulgado pelo Banco Mundial nesta terça-feira.
Na nova edição do “Perspectivas Econômicas Globais“, o Banco Mundial elevou a previsão de expansão da economia global em 0,2 ponto percentual. Para o próximo ano, a estimativa foi de alta 0,1 ponto maior que o relatório anterior. Em parte, o crescimento será puxado pelo maior dinamismo da economia dos Estados Unidos, que responde por dois terços da revisão para cima na projeção para 2026. Para o Brasil, o órgão prevê expansão de 2% em 2026 (leia mais abaixo).
O Banco Mundial estima que o PIB global cresceu 2,7% no ano passado, uma revisão para cima de 0,4 ponto percentual em relação ao relatório de junho. Segundo a entidade, o avanço foi sustentado por um aumento do comércio antes da imposição das tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por rápidos reajustes nas cadeias globais de crescimento, já que muitas empresas reforçaram seus estoques se antecipando às sobretaxas do governo americano.
Para este ano, economistas do Banco Mundial preveem uma leve desaceleração no crescimento porque os impulsos do ano passado devem perder força, graças a uma queda na demanda interna dos países que também deve afetar o comércio global. Apesar disso, a flexibilização das condições financeiras internacionais e as políticas de expansão fiscal em várias grandes econômicas devem ter o efeito oposto, ajudando a amortecer a queda na atividade.
Apesar da revisão para cima, o Banco Mundial ressalta que, se as previsões se confirmarem, a década de 2020 caminha para ser a mais fraca em termos de crescimento global desde os anos 1960, um problema gravado pelo fato de os países estarem com níveis recordes de dívida pública e privada.
“A cada ano que passa, a economia global se tornou menos capaz de gerar crescimento e aparentemente mais resiliente às incertezas políticas”, afirmou o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, em comunicado que acompanha o relatório. “Mas dinamismo econômico e resiliência não podem divergir por muito tempo sem prejudicar as finanças públicas e os mercados de crédito.”
Para 2026, o crescimento nas economias avançadas deve ser de 1,6%, segundo o relatório, o mesmo percentual previsto para 2027. Já para os mercados emergentes e economias em desenvolvimento, o Banco Mundial prevê uma expansão de 4% neste ano e de 4,1% no próximo, altas de 0,2 ponto percentual em relação às estimativas anteriores.
No relatório, o Banco Mundial ressalta que o ritmo lento de expansão da economia está ampliando a desigualdade entre países ricos e pobres. Ao final do ano passado, quase todas as economias avançadas terão uma renda per capita superior aos níveis de 2019 – ainda que a previsão de crescimento em 2026 seja de 3%, 1 ponto percentual abaixo da média da década de 2000-2019. Por outro lado, uma em cada quatro economias em desenvolvimento fechará o ano com uma renda per capita menor.
Na avaliação da entidade, essas tendências podem intensificar o desafio de gerar empregos nas economias em desenvolvimento, onde 1,2 bilhão de jovens atingirão a idade ativa ao longo da próxima década. Fora melhorias na produtividade, na empregabilidade e no ambiente de negócios para atrair capital privado, os governos também deverão reforçar a sustentabilidade fiscal, corroída nos últimos anos por choques como a pandemia de covid-19, crescentes necessárias de gasto e aumento dos custos com o serviço da dívida.
O economista-chefe adjunto do Banco Mundial, M. Ayhan Kose, afirmou que restaurar a credibilidade fiscal se tornou uma “prioridade urgente” para economias emergentes e em desenvolvimento, já que a dívida pública nesse grupo de países atingiu o nível mais alto em mais de 50 anos.
“Regras fiscais bem desenhadas podem ajudar os governos a estabilizarem a dívida e a responderem choques de forma mais eficaz”, disse ele em comunicado. “Mas regras por si só não bastam: credibilidade, fiscalização e compromisso político determinam, em última instância, se as regras fiscais entregam estabilidade e crescimento.”
O Banco Mundial prevê que a economia brasileira crescerá 2,3% em 2025, uma queda de 0,1 ponto percentual em relação ao último relatório. Para 2026, a estimativa é de uma leve queda na taxa de crescimento para 2%, ante 2,2% de junho, e de uma alta, para 2,3%, no ano seguinte. Segundo a entidade, a desaceleração neste ano “reflete os impactos das taxas de juros reais elevadas, dos ventos contrários relacionados ao comércio e à maior incerteza global”.
Ao analisar as tendências para as economias da América Latina e do Caribe, não só do Brasil, o Banco Mundial afirma que as perspectivas regionais tendem para o “lado negativo”. Fora as incertezas comerciais devido às tarifas de Donald Trump, a expectativa de um crescimento global abaixo do esperado pode causar uma queda acentuada nos preços das commodities, o que pesaria nas receitas dos governos da região, já pressionados por níveis elevados de dívida pública.
Do lado positivo, o Banco Mundial ressalta as perspectivas de rápida adoção da inteligência artificial, que podem aumentar a produtividade na região, especialmente em países mais bem posicionados para aproveitar os benefícios da tecnologia e com forças de trabalho mais capacitadas. No entanto, o relatório ressalta que a IA pode também causar disrupções nos mercados de trabalho regionais.