O dólar à vista encerrou as negociações desta quinta-feira em leve alta, perto da estabilidade, mesmo com a moeda americana avançando na maioria dos mercados mais líquidos acompanhados pelo Valor. O movimento global de valorização do dólar se deu diante de dados de emprego nos Estados Unidos que não corroboraram a percepção de uma economia perdendo tração. Diante disso, e na véspera de “payroll” (o principal dado do mercado de trabalho dos EUA), predominou o sentimento de cautela nos mercados de câmbio globais.
O que pode ter dado suporte para o real não depreciar tanto foram o diferencial de juros e a valorização dos preços do petróleo (alta de mais de 3% tanto nos contratos Brent quanto nos WTI). Outras divisas sensíveis ao valor da commodity também foram menos afetadas pela cautela do dia, caso do dólar canadense, da coroa norueguesa e do peso colombiano.
Encerradas as negociações do mercado à vista, o dólar comercial exibiu valorização de 0,06%, cotado a R$ 5,3888, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,3751 e encostado na máxima de R$ 5,3965. Já o euro comercial registrou depreciação de 0,21%, cotado a R$ 6,2783. Perto das 17h15, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, apreciava 0,24%, aos 98,919 pontos.
Ao longo de toda a manhã, o câmbio operou perto da estabilidade, com oscilações dentro de margens estreitas. A moeda americana chegou a cair a R$ 5,37 na mínima do dia, mas se afastou desses níveis após a divulgação dos dados dos de seguro-desemprego dos EUA indicarem um mercado de trabalho um pouco mais forte que o esperado. Os números desanimaram parte das apostas ao redor de um corte de juros nas próximas reuniões do Federal Reserve e aumentou a expectativa para o “payroll’ de dezembro, relatório mensal que mede a criação de empregos não-agrícolas e será divulgado nesta sexta-feira (9).
“Estamos em um dia ‘pré-payroll’ e isso deixa o mercado em compasso de espera. Visto que esta deve ser a primeira divulgação sem ser contaminada pela paralisação do governo americano, o dado deve ser um bom balizador para o Fed tomar a decisão para a próxima reunião”, afirma o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni.
Apesar da cautela, o câmbio doméstico continuou a rondar a estabilidade, em um sinal de que os dados de seguro-desemprego dos EUA não foram tão relevantes para uma formação de preços mais agressiva no mercado. “Está bem parado, com fluxo de clientes baixo”, diz o diretor da tesouraria de um banco. O profissional também diz que os dados de emprego dos EUA não foram tão determinantes para o comportamento do câmbio no mercado local, em um dia sem direcionadores muito relevantes.
Operadores também comentaram hoje os dados compilados de todo ano de 2025 do fluxo cambial. Para um gestor de moedas, a atenção deve se voltar agora ao fluxo cambial no começo deste ano, para ver se o BC terá que manter a linha ou não para dar liquidez ao mercado. No ano passado, em janeiro, a autoridade monetária chegou a fazer um leilão de linha novo e, depois disso, fez a rolagem de US$ 17 bilhões em quase todo o primeiro semestre. Até o fim deste mês, o BC deve decidir se rola ou não US$ 4 bilhões que estão para vencer no começo de fevereiro.
Sobre o fluxo, os economistas Iana Ferrão e Pedro Oliveira, do BTG Pactual, dizem que as perspectivas de curto prazo em 2026 permanecem desfavoráveis. “Mesmo que a balança comercial (e, portanto, o segmento comercial) permaneça favorável, um forte fluxo comercial não é, por si só, suficiente para garantir um fluxo cambial líquido positivo”, afirmam em nota. “Uma melhoria sustentada dependerá, em grande medida, de um realinhamento das expectativas em relação à política econômica para além de 2026.”