O dólar apresentou queda firme contra o real no primeiro pregão de 2026, em um contexto de redução dos prêmios de risco dos ativos brasileiros e correção de parte do estresse político com o cenário eleitoral, observado ao longo de dezembro. Além disso, a menor liquidez dos negócios, típica da época de festas de fim de ano, favoreceu o ajuste no câmbio.
No fechamento, o dólar era cotado a R$ 5,4238, em queda firme de 1,18%, após tocar a mínima de R$ 5,4160 ao longo da tarde. Este é o menor valor de fechamento desde o dia 15 de dezembro, quando a moeda americana estava cotada a R$ 5,4228. O euro seguia a mesma tendência, em queda de 1,40% e cotado a R$6,3580. O DXY, índice que mede a força do dólar contra outras seis moedas fortes, estava em alta de 0,17%, aos 98,490 pontos.
O real retomou força durante todo o pregão desta sexta-feira (02), em um dia que outras moedas consideradas emergentes também valorizaram no exterior, mas em menor grau. Na visão do sócio e diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, a moeda brasileira passa por um momento de correção e se aproxima de outros pares que valorizaram mais frente ao dólar em 2025.
“A questão do Flávio [Bolsonaro] junto com a pressão de saída, mudaram bem a dinâmica do dólar no fim do ano. Mas, as moedas emergentes começam o ano acima da média. O real está muito atrasado em relação aos últimos movimentos globais, até mesmo de moedas de países como Austrália, China, Chile, Colômbia e México. Quando a gente olha essas divisas de exportadores de commodities, o real ficou muito atrás. Passado esse fluxo de saída, estamos agora tendo alguma correção”, explica.
A economista-chefe do OuriBank, Cristiane Quartaroli, corrobora esta análise e destaca que o alto diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos também atrai os investidores estrangeiros, o que traz alívio para o câmbio. “De fato estamos vendo uma queda acentuada no dólar hoje, um pouco relacionada a um maior apetite ao risco lá fora, no exterior. Essa melhora na percepção de risco está movimentando o mercado e favorecendo o comportamento da nossa moeda”.
“Além disso, está no radar essa percepção de que a gente vai continuar com o nosso diferencial de juros positivo para ingresso de fluxo de capital aqui no Brasil, por conta da expectativa de que o Banco Central vai manter a Selic ainda nos 15% na primeira decisão deste ano”, afirma.
Em contraponto, José Faria Júnior argumenta que, se os dados de inflação nos EUA mostrarem desaceleração e o câmbio continuar a cair, ainda seria possível um corte da Selic, em 0,25 ponto, já em janeiro. “Não sabemos quando o BC vai cortar. Se o dólar voltar para R$ 5,40 ou menos, não descartaria um corte, não. Na pesquisa que participamos, eu deixei janeiro. Ainda acho que é possível”.
O diretor da Wagner ainda ressalta que no início do ano há sempre uma melhora do fluxo de entrada, o que também deve ajudar o câmbio. O profissional projeta que, até depois do carnaval, a expectativa é de que a temperatura esfrie no noticiário político, já que as candidaturas à Presidência da República devem ser definidas entre março e abril, o que também deve ajudar a fortalecer o real frente ao dólar.