O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou executivos das comercializadores de commodities Vitol e Trafigura para irem à Casa Branca na sexta-feira (9) para conversas sobre a comercialização de petróleo venezuelano, disseram à Reuters quatro fontes familiarizadas com o assunto.
As empresas de trading europeias tradicionalmente dominam o comércio global de petróleo e poderiam ajudar os EUA a vender o petróleo da Venezuela, embora Washington queira que as grandes petrolíferas norte-americanas desempenhem o papel principal.
A Casa Branca informou que receberia as grandes petrolíferas dos EUA na sexta-feira, mas o convite às tradings não havia sido noticiado anteriormente. A Reuters não conseguiu obter imediatamente uma lista completa dos convidados para as reuniões.
A Trafigura e a Vitol não quiseram comentar. A Casa Branca não comentou um pedido específico sobre se a Vitol e a Trafigura foram convidadas.
Washington quer controle indefinido das vendas de petróleo
O governo Trump voltou suas atenções para a indústria petrolífera da Venezuela assim que as forças dos EUA capturaram Nicolás Maduro em 3 de janeiro. Washington afirmou que quer controlar as vendas e a receita do petróleo venezuelano indefinidamente.
O Departamento de Energia dos EUA disse ontem que estava em contato com comercializadores de commodities e bancos para executar e fornecer apoio financeiro para vendas de petróleo bruto venezuelano e de combustíveis para o país. Não especificou quais empresas.
Trump já disse que empresas dos EUA investirão na Venezuela e reconstruirão sua indústria petrolífera para produzir mais petróleo e reduzir os custos globais de energia.
As grandes petrolíferas dos EUA querem “garantias sérias” antes de fazer investimentos. Washington e Caracas fecharam um acordo nesta semana para exportar cerca de 30 a 50 milhões de barris de petróleo, no valor de US$ 2 bilhões, para os Estados Unidos.
Anos de subinvestimento e sanções levaram a produção da Venezuela a cair para cerca de 1 milhão de barris por dia, ou apenas 1% da oferta global, ante 3,5 milhões de barris na década de 1970, quando respondia por 7% do petróleo global.
Envolvimento das tradings na Venezuela
A Vitol e a Trafigura estavam entre as tradings mais ativas de petróleo venezuelano antes das sanções dos EUA em 2019.
As empresas de trading podem não ter acesso prioritário ao petróleo bruto da Venezuela. No passado, elas comercializaram cargas de petróleo venezuelano recebidas de parceiros europeus da estatal petrolífera PDVSA, que eram detentores de licenças dos EUA.
Mas sua capacidade de posicionar frotas de navios-tanque na Venezuela rapidamente e negociar os barris supera a de muitos parceiros de joint ventures.
A Chevron está em negociações com o governo dos EUA para expandir uma licença para operar na Venezuela, para que possa vender a outros compradores, bem como aumentar as exportações de petróleo bruto para suas próprias refinarias, informou a Reuters.
Sob licenças dos EUA, Reliance, Chevron, Eni, Repsol, Maurel & Prom e CNPC têm sido, intermitentemente, os principais negociadores de petróleo venezuelano desde que as sanções foram impostas em 2019.