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quinta-feira, janeiro 29, 2026

Fed e BCB seguem roteiro previsto de manutenção das taxas de juros

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O Federal Reserve americano interrompeu os cortes de juros e os manteve na faixa de 3,5%-3,75%, em uma pausa que pode ser longa. O Fed não sinalizou seus próximos passos, mas o comunicado da reunião do comitê que decide as taxas, o de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) indicou que a economia voltou a avançar em “ritmo sólido” e que a taxa de desemprego deu “sinais de estabilização”, um ambiente que retira urgência de ação da política monetária. Os investidores estimam que o banco fará mais dois cortes nas taxas, possivelmente a partir de meados do ano. As expectativas sobre a economia estão mudando na direção de um crescimento maior que o previsto, inflação mais resistente à queda e um mercado de trabalho que não entrará em colapso, como era temido. O Banco Central do Brasil também resolveu manter as taxas, mas indicou que, se as condições permanecerem favoráveis, iniciará um ciclo de redução dos juros na próxima reunião, em março.

A mudança do balanço de riscos, com proeminência do esfriamento do mercado de trabalho, fez o Fed reduzir os juros por três reuniões consecutivas. Os últimos dados sobre o mercado de trabalho, segundo Jerome Powell, presidente do Fed, mostram um cenário mais benigno. Hoje está mais difícil obter um emprego (há 0,9 vaga para cada pretendente) mas, por outro lado, não há demissões em massa.

Os números ruins das últimas divulgações se devem, em grande parte, à debandada do serviço público, forçada pelo presidente Donald Trump com sua oferta de recompensas para demissões voluntárias, e a cortes severos em vários departamentos, segundo a consultoria Oxford Economics. Foram para rua 274 mil servidores públicos, algo que não ocorria em tal dimensão desde o fim da Segunda Guerra. A Oxford estima que hoje a abertura de 35 mil vagas por mês é suficiente para manter estável a taxa de desemprego, por dois fatores determinantes: a forte redução de candidatos imigrantes, devido à feroz ação do governo em busca de trabalhadores imigrantes ilegais, e a diminuição da força de trabalho pelo envelhecimento da população.

A economia americana está em boa forma e pode melhorar ainda, diante dos estímulos do pacote de redução de impostos que passou a vigorar no início do ano e que beneficiará consumidores e empresas. As famílias pagarão menos US$ 440 bilhões em taxas e impostos (JP Morgan Asset Management, FT ontem), e boa parte dos recursos irão para o consumo, que permaneceu forte antes mesmo do corte de impostos. “A economia americana surpreendeu com sua força mais uma vez”, afirmou Powell. Ao estímulo fiscal se somarão outros relevantes. Os investimentos em Inteligência Artificial estão explodindo e garantindo boa parte da expansão econômica, além de puxar os índices da bolsa há meses para cima. Com isso, o fator riqueza impulsiona o consumo, pois um número recorde de lares está aplicando dinheiro em ações (47%, de acordo com a Oxford).

A expansão econômica em um ano de eleições parlamentares decisivas para o futuro político de Trump pode beneficiar o governo, desde que a inflação recue, algo duvidoso com a economia crescendo acima de seu potencial. O nível dos preços, muito acima dos da pandemia, tem alimentado o pessimismo dos consumidores nas pesquisas da Universidade de Michigan. O índice de preços de gastos do consumo foi de 3% em doze meses findos em dezembro, o que dá um limite claro para a redução dos juros. Powell e outros membros do Fed veem a taxa de juros atual já situada na faixa mais alta da variação estimada para o juro neutro, o que não estimula nem contrai a atividade econômica. Ele disse que isso deixa o Fed “bem posicionado” para tomar decisões, isto é, os próximos movimentos, se houver, levarão algum tempo e serão muito cautelosos. Segundo Powell, há bons sinais. O aumento de preços provocados pelas tarifas já foram para os preços, que devem se estabilizar. Além disso, e mais importante, a inflação de serviços, dor de cabeça permanente para o Fed no passado, declinou “em todas suas categorias”.

O Fed, no entanto, está diante de uma perturbadora troca de guarda. Jerome Powell encerra seu mandato em maio, um fato que seria normal se não fosse a campanha de Trump para que os juros sejam bastante reduzidos, objetivo para o qual não hesitou em desqualificar o presidente do banco em público e, por último, a levar o Departamento de Justiça a processá-lo por gastos supostamente excessivos e sem explicação na reforma das instalações da instituição. Trump deixou claro que quer alguém que execute o seu tipo peculiar de política monetária Trump quer eliminar a independência do BC com esses atos.

Ao contrário do esperado, o Comitê de Política Monetária deu um sinal claro de seus próximos passos, o de “flexibilização da política monetária” em sua reunião de março. “Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”, Sumiram do comunicado do BC, mais sucinto que o anterior, todas as referências à necessidade de manutenção de uma política contracionista por tempo prolongado. O Copom diz que agirá com cautela, diante de “cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade e pressões no mercado de trabalho”.

[Fonte Original]

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