Uma confluência de fatores ajudou o Ibovespa a disparar nesta quarta-feira e marcar nova máxima histórica de fechamento nominal, aos 165.146 pontos, o que também foi recorde intradiário. Com o movimento, o índice encerrou a sessão com alta expressiva de 1,96% e superou patamares históricos vistos um dia antes do anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que derrubou o mercado.
Após a abertura dos negócios, o primeiro impulso para o índice veio de uma nova pesquisa eleitoral divulgada pela Genial/Quaest, que mostrou uma distância menor entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e potenciais adversários da direita.
Em seguida, o índice chegou a perder fôlego momentaneamente após a suspensão do processamento de vistos dos Estados Unidos para 75 países, incluindo o Brasil, mas voltou a ganhar tração à medida que os investidores avaliaram que a medida não foi direcionada especificamente ao país.
O fôlego adicional veio durante a tarde e pode ter sido impulsionado por um movimento de rotação de investidores estrangeiros, que saíram de ações de crescimento, como techs, e foram para papéis de valor, o que teria ajudado a turbinar a valorização de blue chips de commodities.
Por lá, os principais índices fecharam no negativo: o Nasdaq cedeu 1,00%; o S&P 500 recuou 0,53%; e o Dow Jones fechou perto da estabilidade, em queda de 0,09%.
No fim do dia, os papéis ON da Vale subiram 4,74%, com dados mais favoráveis vindos da China e em um dia de alta do minério de ferro. Ganhos expressivos também foram registrados em ações da Petrobras: as ordinárias avançaram 3,63% e as preferenciais tiveram alta de 2,73%, o que pode indicar que houve compra do papel por parte de investidores estrangeiros.
Embora a pesquisa eleitoral da Genial/Quaest tenha mostrado uma diferença menor entre Lula e Tarcísio, o gestor de multimercado e renda fixa do Fator, Ricardo Farias, avalia que o efeito do levantamento nos preços dos ativos foi momentâneo, porque não trouxe grandes novidades. “Teve um certo movimento, mas não tão forte. O mercado continuou na oscilação do dia. A pesquisa mostrou que o Tarcísio [de Freitas, governador de SP] e o Flávio [Bolsonaro] melhoraram, mas que o Lula [presidente] ainda está em empate técnico. Foi um pouco de ‘no news’”, diz.
Para ele, o movimento visto nos juros longos hoje, que terminaram em alta, reforça a visão de que a alta forte da bolsa hoje ocorreu em virtude do fluxo de capital estrangeiro e não tanto da pesquisa. “Se você olhar o gráfico intradiário, quando bate 11h30 [quando as bolsas americanas abrem], o papel da Petrobras começa a puxar. Em seguida, isso ocorre com Vale e Itaú”, observa.
Já o sócio e gestor de ações da Nest Asset Management, Luís Castro da Fonseca, avalia que a pesquisa da Genial/Quaest ajudou a reforçar os ganhos da bolsa, embora a diferença entre Tarcísio e Flávio seja muito pequena para fazer com que o senador saia da disputa. Nesse cenário, ele avalia que o senador do PL deve seguir até o fim, mesmo que mantenha alto nível de rejeição. “Obviamente, é muito mais fácil um candidato de centro conquistar mais votos do que um de extrema-direita, mas a direita não pode arriscar dividir os votos”, pondera.
Em um ambiente de alta volatilidade à frente, Da Fonseca traça um paralelo entre a eleição de 2014, na qual Dilma Rousseff e Aécio Neves disputaram o Planalto, e o resultado na bolsa brasileira foi de alta volatilidade.
“Primeiro, a bolsa caiu 15% e depois subiu 20%. No fim, encerrou o ano com queda de 3%, praticamente zerada, em um ambiente de muita volatilidade. Acho que este ano deve ser parecido”, diz o gestor da Nest.
Hoje, em virtude do movimento intenso, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 21,3 bilhões e de R$ 29,0 bilhões na B3.