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terça-feira, janeiro 20, 2026

Ibovespa renova recorde intradiário com rotação global e fluxo saindo dos EUA

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Após recuar no início do pregão, o Ibovespa passou a subir e renovou o recorde intradiário na tarde desta terça-feira. Apesar do aumento da aversão ao risco diante da ofensiva dos Estados Unidos para anexar a Groenlândia, que reforça a cautela entre os investidores, a saída de recursos das bolsas americanas acaba favorecendo a brasileira.

Por volta das 13h, o Ibovespa subia 0,80%, aos 166.170 pontos, com máxima de 166.258 pontos, novo recorde intradiário, ao passo que a mínima foi de 163.575 pontos. O volume financeiro projetado para o índice na sessão é de R$ 14,1 bilhões.

As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras avançavam 1,38% e 0,84%, respectivamente, em linha com a valorização do petróleo no exterior. Embora o minério de ferro tenha recuado em Dalian, na China, pelo segundo pregão consecutivo, o papel ordinário da Vale avançava 0,53%.

“O fluxo de rotação continua muito forte”, afirma o líder da mesa de operações de ações da Warren, Ricardo Maluf. Segundo ele, os mercados emergentes passaram a ser vistos como porto seguro em meio ao imbróglio geopolítico e às ameaças tarifárias de Donald Trump à Europa, o que tende a favorecer as ações brasileiras diante da rotação de papéis considerados de crescimento para valor.

“O Brasil é basicamente uma tese de valor, com destaque para bancos, utilities e commodities. Em um ambiente de dólar mais fraco, as empresas do setor de commodities tendem a se fortalecer”, completa.

Entre os papéis de bancos, Bradesco PN avançava 1,80%, units do BTG Pactual ganhavam 0,60% e Itaú PN subia 0,91%. Já na liderança do pregão, C&A ON subia 4,55%, ampliando o avanço de 1,68% de ontem, e Magazine Luiza ON tinha alta de 3,35%, revertendo a queda das últimas duas sessões.

Na ponta negativa, Usiminas PNA recuava 2,67%. Analistas da XP elevaram o preço-alvo de R$ 5 para R$ 7 do papel, mas reiterando a recomendação neutra.

A postura mais agressiva de Donald Trump para controlar a Groenlândia parece ter resgatado o trade “sell America”, com investidores reduzindo exposição a ativos americanos. Em Nova York, o Dow Jones caía 1,12%, o S&P 500 perdia 1,15% e o Nasdaq cedia 1,32%.

Nesta terça-feira, o republicano afirmou em sua rede social que pretende realizar uma reunião com “diversas partes” em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, para reforçar sua visão de que o controle da ilha é “fundamental para a segurança nacional e global”. O receio entre investidores é de que o episódio possa desencadear uma nova guerra comercial.

Para o gerente de portfólio da Janus Henderson Investors, Robert Schramm Fuchs, a reação relativamente moderada dos mercados de ações na sessão de ontem foi surpreendente, sobretudo quando comparada ao chamado “Dia da Libertação”, quando Trump anunciou pela primeira vez o plano de implementar tarifas “recíprocas”.

“Do ponto de vista de investimento, esperamos que os sinais de uma trajetória sensata de redução de riscos continuem”, diz em nota. “Caso os mercados comecem a demonstrar sinais de instabilidade, isso poderá levar a uma aceleração desse processo, o que acreditamos que favoreceria uma contrarotação entre vencedores e perdedores”, completa.

Por outro lado, Eric Hatisuka, diretor de investimentos do banco suíço Mirabaud, não acredita que as novas ameaças de Trump poderão alimentar um “bear market” (mercado de baixa).

“Provavelmente, veremos uma escalada das tensões, mas não vejo um ‘bear market’ baseado nessa tensão maior sobre a Groenlândia. É só um ruído. Pode ter uma realização, mas porque o S&P 500 fechou o ano passado em recorde”, diz Hatisuka. “Os mercados incorporaram já o ‘Trump Always Chickens Out’ [Trump sempre volta atrás, em tradução livre]”, completa.

Ainda que os múltiplos estejam elevados nas bolsas americanas, o executivo tem preferido manter o risco fora e não em bolsa local. Para ele, a disparada do Ibovespa ao longo dos últimos meses não foi baseada em “fundamentos”. “Não foi idiossincrático. Foi um movimento para emergentes, que privilegiou o Brasil, mas não foi baseado em fundamento. Foi técnico”, afirma.

[Fonte Original]

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