Em uma sessão em que investidores adotaram uma postura mais cautelosa em meio ao aumento dos temores quanto à independência do Federal Reserve (Fed, banco central americano), o Ibovespa oscilou em torno da estabilidade durante boa parte do pregão, com viés de queda.
Os receios com a investigação criminal aberta pelo governo do presidente americano, Donald Trump, contra o chefe do Fed, Jerome Powell, elevaram as incertezas do mercado. Ao mesmo tempo, o recuo da maior parte das blue chips, com exceção da Petrobras e da Vale, impediu uma recuperação do índice em uma sessão de menor liquidez no mercado acionário local.
No fim do dia, o Ibovespa encerrou em queda de 0,13%, aos 163.150 pontos, depois de variar entre os 162.277 pontos e os 163.493 pontos. Entre as blue chips, a maior queda era registrada pelas units do BTG Pactual, que cederam 1,19%. Por outro lado, os papéis da Petrobras tiveram alta: as ON subiram 0,16% e as PN ganharam 0,20%. Da mesma forma, as ON da Vale fecharam estáveis, com +0,03%.
O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou indiciar criminalmente o presidente do Fed, Jerome Powell, por declarações feitas ao Congresso a respeito do projeto de reforma de edifícios da autoridade monetária. O dirigente afirmou que a acusação expressa a “pressão contínua do governo” para interferir nas decisões de política monetária para baixar os juros, o que representa riscos adicionais de desvalorização dos ativos americanos.
Apesar do acirramento das tensões entre o governo americano e Powell, Wall Street encerrou no campo positivo: no fim do dia, o Nasdaq avançou 0,26%; o Dow Jones ganhou 0,17%; e o S&P 500 teve alta de 0,16%.
Enquanto existe um ambiente de maior incerteza sobre os desdobramentos do embate travado por Trump contra Powell, a avaliação da Ashmore Capital é de que pelo menos o risco associado à política tarifária americana parece estar saindo do pico. Ao mesmo tempo, a gestora defende que uma análise do impulso desinflacionário vindo da China e dos ganhos de produtividade, obtidos com a inteligência artificial, sugerem que a inflação global tende a recuar. Nesse sentido, a casa acredita que isso abriria espaço para que o Fed e outros bancos centrais continuassem o ciclo de flexibilização monetária.
“Com as condições macroeconômicas globais previstas para se estabilizarem em 2026, em nossa opinião, as oportunidades de geração de alfa se voltarão significativamente para os fatores microeconômicos”, escrevem Gustavo Medeiros e Ben Underhill, da Ashmore Capital. “As oportunidades específicas de cada país no universo de mercados emergentes permanecem diversas, com vários processos de reforma estrutural em andamento, eleições e o ciclo de investimentos em IA em curso, proporcionando amplas oportunidades para um desempenho superior ativo”, acrescentam.
Atento ao início de um “ciclo profundo de cortes de juros em 2026”, a equipe do Bank of America (BofA) aproveitou o momento para elevar a recomendação para as ações do Brasil, sugerindo aos clientes uma exposição acima da média de mercado [“overweight”] na classe de ativos.
“Elevamos o Brasil para ‘overweight’ (de ‘marketweight’). As ações brasileiras tiveram desempenho semelhante ao de outros mercados da América Latina no último ano e mantivemos uma recomendação em linha com a média de mercado em relação ao Brasil desde junho de 2025, devido aos limitados catalisadores domésticos e a uma visão cautelosa sobre as commodities”, lembra a equipe do banco, liderada por David Beker.
“Para 2026, esperamos que o próximo ciclo de flexibilização seja um importante impulsionador, já que o Brasil apresenta uma das correlações mais fortes com as taxas mais baixas nos mercados emergentes”, afirma.
Dentro da carteira recomendada pelo BofA estão as ações da Ânima Educação; Raia Drogasil; Assaí; JBS; Petrobras; Bradesco; Itaú; BTG Pactual; B3; Rede D’Or; Hypera; Localiza; Ecorodovias; Vale; Axia; Sabesp; e Copel.
Hoje, as ações do Assaí ficaram entre as maiores altas do Ibovespa, com um avanço de 4,55%. A companhia informou que a alavancagem (endividamento), medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, fechou 2025 em cerca de 2,56 vezes. A meta estabelecida pela empresa era ligeiramente maior, de 2,6 vezes.
O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 12,6 bilhões e de R$ 18,0 bilhões na B3.