Desde o início do pregão desta terça-feira, o Ibovespa adotou um tom mais negativo. No começo da manhã, o índice chegou a devolver um pouco das perdas, com a divulgação de dados de inflação ao consumidor (CPI) dos EUA dentro do esperado, mas a melhora foi momentânea.
No início da tarde, a intensificação do recuo de blue chips de bancos, juntamente com a piora do mau humor em Wall Street, voltou a pesar sobre o índice. O movimento só não foi mais intenso porque o avanço expressivo de mais de 3% das ações da Petrobras, aliado à alta da Vale, ajudou frear um pouco a desvalorização da principal referência acionária local.
Encerrados os negócios, o Ibovespa registrou queda de 0,72%, aos 161.973 pontos, depois de oscilar entre os 161.765 pontos e os 163.146 pontos. Blue chips de bancos foram duramente penalizadas no pregão, especialmente os papéis do Banco do Brasil, que cederam 3,06%. Outras instituições financeiras também caíram: Santander Units (-1,38%); BTG Pactual Units (-1,26%); Bradesco PN (-1,14%); e Itaú Unibanco PN (-0,81%).
Segundo analistas, não houve um fator específico do setor bancário que impulsionou a queda mais robusta no segmento. “Foi um dia pior para a bolsa como um todo, exceto para petróleo e commodities metálicas”, diz um participante do mercado.
Já na ponta contrária, as ON da Vale ganharam 0,82%. Da mesma forma, os papéis da Petrobras tiveram forte valorização: os ordinários subiram 3,41%, ao passo que os preferenciais avançaram 2,57%, o que pode indicar que houve compra do papel por parte de investidores estrangeiros.
Para um operador, o movimento da Petrobras foi apoiado pela alta forte dos preços de petróleo no mercado futuro e pelo fato de as ações da petroleira terem “ficado para trás” em relação a pares globais e nacionais após a intervenção americana na Venezuela.
Outro fator que pode ter atuado a favor da petroleira foi técnico: “Tem muita gente negativa e short [apostando na queda] em Petrobras, porque acha que o preço do petróleo é para baixo. Acho que as pessoas hoje podem estar cobrindo as posições vendidas, o que leva a ação a subir”, disse outro participante.
Já no âmbito macroeconômico, investidores acompanharam a divulgação do CPI dos EUA, que subiu 0,3% em dezembro, em linha com as estimativas de mercado, mas com o núcleo do indicador ficando levemente abaixo do 0,3% esperado, com alta de 0,2%.
Para o chefe de pesquisa da Eleven Financial, Fernando Siqueira, o Fed deverá manter a expectativa de cortes mais à frente, ainda mais após os ataques do presidente Donald Trump à independência do BC americano, que voltaram a ganhar tração nesta semana.
Já no cenário local, os dados do volume de serviços no país reforçaram a percepção de desaceleração da atividade, ao recuar 0,1% em novembro, ante expectativa de alta de 0,1%. Apesar disso, o profissional da Eleven espera que o Banco Central postergue o início dos cortes. “Com essa comunicação mais rigorosa, focando na parte ‘ruim’ dos dados, não se pode esperar que o corte de juros aconteça em janeiro. Os números mostram que têm espaço para uma redução, mas a comunicação do BC deixa claro que não é agora”, avalia.
Ele mantém nos portfólios ações cíclicas domésticas que podem se beneficiar da queda dos juros, como Vivara, Ecorodovias e Rede D’Or São Luiz, embora tenha reduzido a exposição a small caps (empresas de menor valor de mercado).
Siqueira aponta ainda que incluiu alguns papéis de exportadoras que recuaram nos últimos meses, como Suzano.
O volume financeiro negociado pelo Ibovespa na sessão foi de R$ 18,5 bilhões e de R$ 24,7 bilhões na B3. O movimento local espelhou o visto em Nova York: no fim do dia, o Dow Jones cedeu 0,80%; o S&P 500 recuou 0,19%; e o Nasdaq teve queda de 0,10%.