No site de apostas Polymarket, a probabilidade de Kevin Warsh ser o nomeado é de 95%. Warsh seria a opção menos radical entre os nomes cogitados. Como aponta o Valor nesta manhã, embora Warsh tenha se mostrado favorável a juros mais baixos, o ponto-chave para o mercado passa a ser o balanço patrimonial do Fed. Em um discurso no ano passado, ele afirmou que um balanço grande e crescente do Fed pode entrar em conflito com a principal alavanca da política monetária, que é a taxa de juros. Por isso, diante dessa aposta e da postura de Warsh, os mercados já começaram a se ajustar, com alta do dólar e dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo — movimento que pode ganhar ainda mais força caso o ex-diretor mantenha sua visão histórica de defender um balanço patrimonial menor.
Pela manhã, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,24%, aos 96,518 pontos, enquanto a moeda americana apreciava 0,37% ante o peso mexicano e 1,35% contra o rand sul-africano. Levando-se em consideração apenas os pares, a perspectiva é de dólar forte no começo do pregão frente ao real. No mercado de juros, o rendimento do título do Tesouro americano de dez anos avançava de 4,240% para 4,261%. Já os futuros das bolsas de NY recuavam com força, em especial o do Nasdaq, com depreciação de quase 1%.
Como janeiro foi um mês de forte valorização dos ativos locais, em especial da bolsa (com Ibovespa acumulando valorização de 13,6% no período até ontem), essa notícia de hoje pode destravar mais uma rodada de correção nos mercados. No caso do câmbio, para além dessa correção, haverá a pressão habitual da última sessão do mês por conta da formação da Ptax, que servirá como referência para os contratos com vencimentos em fevereiro. Por isso, é normal haver certa disputa pela condução das cotações entre comprados (investidores que apostam na alta do dólar) e vendidos (que apostam na baixa).
Outro orientador importante no dia são os dados econômicos, aqui e nos Estados Unidos. No caso do Brasil, a taxa de desemprego a ser apresentada pelo IBGE pode corroborar a leitura de que o mercado de trabalho brasileiro está começando a perder força, algo que foi sinalizado ontem nos números do Caged (vagas formais) em dezembro do ano passado. Se isso ocorrer, a perspectiva de que o Banco Central inicie seu corte de juros com uma redução de 0,50 ponto percentual pode se tornar mais factível e isso vir a se refletir nos preços dos juros futuros, em especial nas taxas de curto prazo. Daí toda atenção a esses números já no começo do pregão.
No Estados Unidos, por sua vez, a sessão deve ser marcada pela divulgação do índice de preços para o produtor (PPI, na sigla em inglês) de dezembro, que pode calibrar as expectativas dos agentes do mercado sobre a política monetária americana, em especial porque agora um nome para a presidência do Fed ajudaria os agentes a ter uma ideia do que esperar nos próximos meses.