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segunda-feira, janeiro 19, 2026

Novas tensões geopolíticas representam riscos para o crescimento global, diz FMI

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As novas tensões geopolíticas, que vão desde a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e as novas ameaças tarifárias de Donald Trump à Europa por causa da disputa sobre a Groenlândia, representam riscos significativos para a economia global. A avaliação foi feita nesta segunda-feira (19) pelo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Pierre-Olivier Gourinchas.

No relatório “Perspectivas Econômicas Mundiais” (WEO), divulgado hoje, o FMI elevou as previsões de crescimento da economia mundial para 3,3%, uma revisão para cima de 0,2 ponto percentual em relação a outubro, com o “boom” de investimentos em inteligência artificial, especialmente nos EUA, compensando parte do choque provocado pelas políticas comerciais da Casa Branca.

Os números mais recentes do FMI foram fechados em dezembro, antes da captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, por forças especiais dos EUA e dos anúncios de Trump de que taxará países que fazem negócios com o Irã, na esteira da repressão violenta aos protestos no país, e membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que enviaram soldados para proteger a Groenlândia, cobiçada pelo presidente americano.

Questionado sobre as incertezas geopolíticas e os impactos sobre o comércio global, Gourinchas afirmou que, caso as novas ameaças tarifárias se confirmem, o PIB global pode perder 0,3 ponto percentual em 2026, segundo os cálculos do FMI.

Não há vencedores em uma guerra comercial”, afirmou o economista-chefe do Fundo em entrevista coletiva em Bruxelas. “Tarifas e retaliações colocarão pressão negativa sobre a economia global.”

No entanto, Gourinchas afirmou ser difícil especular sobre o curto prazo, já que, no ano passado, o cenário mais pessimista projetado em abril, quando Trump anunciou as chamadas “tarifas recíprocas” para mais de 100 países, acabou sendo parcialmente revertido, com os acordos negociados para reduzir as taxas iniciais e os recuos do presidente americano.

O economista-chefe do FMI também destacou a adaptabilidade do setor privado, que soube se antecipar às ameaças tarifárias, com a antecipação de compras antes do tarifaço de abril e mudanças nos estoques. A estratégia, porém, tem limites e seria insuficiente no caso de uma guerra comercial mais ampla.

Sobre a inteligência artificial, que puxou para cima a previsão de crescimento em 2026, o FMI estima que uma correção moderada nas avaliações das ações das empresas do setor, acompanhada de um aperto nas condições financeiras, poderia reduzir o crescimento global em 0,4 ponto percentual em relação ao cenário-base previsto no WEO. Por outro lado, se ganhos de produtividade relacionados à nova tecnologia se espalharem por mais economias, a atividade poderia crescer 0,3 ponto neste ano.

Gourinchas também defendeu a independência dos bancos centrais após a recente investigação aberta nos EUA contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, alvo de constantes ataques por parte de Trump, que pressiona por juros mais baixos no país desde que retornou à Casa Branca.

Na avaliação do economista-chefe do FMI, ataques como os de Trump podem minar a credibilidade das instituições monetárias, o que resultaria em mais inflação, uma maior volatilidade e dificuldade de restaurar um cenário de estabilidade de preços, crucial para o crescimento econômico.

Pierre-Olivier Gourinchas — Foto: Jose Luis Magana/AP

[Fonte Original]

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