A Tokyo Electric Power (Tepco) reiniciou, nesta quarta-feira (21), um reator na usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, após a conclusão das inspeções, o primeiro movimento do tipo desde o desastre de Fukushima em 2011.
A Tepco colocou em operação o reator nº 6, de 1,36 gigawatt (GW), um dos sete de Kashiwazaki-Kariwa, a maior usina nuclear do mundo, capaz de produzir 8,2 GW de eletricidade quando em plena capacidade.
O processo havia sido adiado enquanto a Tepco investigava uma falha em um alarme. Até o início desta quarta-feira, o equipamento em questão estava funcionando normalmente, informou a empresa.
O reinício é “um grande ponto de virada” para o governo, disse Filippo Pedretti, analista de energia nuclear e térmica da Japan NRG, em Tóquio. “Isso sinaliza o fim do impasse nuclear pós-Fukushima e reafirma a importância do átomo para um fornecimento estável de energia”, afirmou. “Se até a Tepco, a concessionária envolvida no desastre de Fukushima Daiichi, consegue reiniciar sua usina mais importante, outras instalações podem seguir o mesmo caminho.”
Espera-se que o reator nº 6 retome a operação comercial, reforçando o fornecimento de energia na região de Tóquio — a mais movimentada do Japão — até o fim de fevereiro. O reator nº 7 deve ser colocado em operação por volta de 2030, e alguns outros podem ser desativados.
A retomada de Kashiwazaki-Kariwa eleva para 15 o número total de reatores atualmente reiniciados no Japão, de um total de 33 reatores que permanecem operáveis após o desligamento de toda a frota japonesa de 54 reatores na sequência do colapso do reator Fukushima Daiichi, da Tepco, em 2011.
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, está pressionando pela construção de novos reatores, especialmente de nova geração e pequenos reatores modulares, com o governo anunciando recentemente um novo esquema de financiamento público para acelerar o retorno da energia nuclear.
Após contratempos na implantação de energia eólica offshore (gerada em alto-mar) e pressões inflacionárias decorrentes de importações de combustíveis fósseis, o Japão volta a direcionar sua atenção à energia nuclear para reforçar a segurança energética e reduzir compras de gás e carvão.
Analistas de commodities da Kpler esperam que as importações de gás natural liquefeito pelo Japão, um dos maiores compradores do mundo ao lado da China, caiam em 4 milhões de toneladas métricas em 2026 em relação ao ano anterior, para 62 milhões de toneladas, devido à maior disponibilidade de energia nuclear e caso o reator nº 6 entre em operação comercial no início deste ano.
“A importância do reinício do reator (nº 6) está aumentando do ponto de vista do controle da oferta e da demanda de eletricidade, das tarifas de energia e da garantia de fontes descarbonizadas”, disse nesta quarta-feira o secretário-chefe do gabinete do Japão, Minoru Kihara.
O reinício de Kashiwazaki-Kariwa, o primeiro da Tepco desde o desastre de Fukushima, é um grande teste para toda a indústria nuclear japonesa, já que seis reatores operados por outras concessionárias, incluindo a Chubu Electric Power Co, aguardam decisões regulatórias sobre possíveis reinícios.
Os desdobramentos também ganham atenção à medida que o Japão busca ampliar a cooperação com os Estados Unidos, seu aliado mais próximo, em reatores nucleares de nova geração e pequenos reatores modulares, com a indústria nuclear global amplamente dominada por China e Rússia no momento atual.
Neste mês, a Autoridade de Regulação Nuclear (NRA) do Japão disse que ordenará à Chubu Electric que apresente um relatório detalhado sobre dados sísmicos falsificados e suspenderá a análise do pedido da concessionária para reiniciar Hamaoka, sua única usina nuclear.
“Embora seja improvável que outros reatores sejam interrompidos por causa dessa questão, a NRA pode aumentar o escrutínio sobre todas as concessionárias”, disse Pedretti. “A confiança nos operadores nucleares é fundamental.”