O índice VIX de volatilidade, que mede o nível de estresse nos mercados, apresenta forte alta nesta terça-feira, com investidores reagindo à escalada de tensões comerciais e geopolíticas entre os Estados Unidos e a Europa, além da turbulência no mercado de dívida. Por volta das 12h (de Brasília), o VIX disparava 23,83%, aos 19,64 pontos, após chegar até 20,69 na máxima do dia até o momento. Esse é o nível mais alto para o índice desde novembro.
Jitesh Kumar, estrategista de derivativos do Société Générale, espera uma tendência de volatilidade crescente no mercado de ações ao longo de 2026. “Os problemas atuais não são necessariamente fundamentais, mas sim uma combinação de posicionamento elevado, preocupações geopolíticas e volatilidade no mercado de títulos”, ele comenta.
Kumar observa que um movimento de inversão na curva do VIX, com a volatilidade de curto prazo subindo acima da volatilidade de prazo mais longo, tende a ser vista pelos investidores como um importante gatilho de aversão a risco. Na visão dele, esse cenário não está muito distante. “De acordo com nossas estimativas atuais, a curva do VIX provavelmente se inverterá em torno de 21 pontos de volatilidade”, ele comenta. No momento, o VIX ronda os 20 pontos.
Investidores repercutem nesta terça a escalada de tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e a Europa, após o presidente americano, Donald Trump, ameaçar tarifas adicionais a países do continente como uma forma de pressionar a Dinamarca a vender a Groenlândia.
Trump anunciou neste fim de semana tarifas comerciais adicionais de 10% a partir do dia 1º de fevereiro sobre os produtos importados da Dinamarca e mais sete países da Europa, em sua tentativa de adquirir a Groenlândia. O presidente americano também disse que, caso nenhum acordo sobre a ilha seja alcançando até 1º de junho, as alíquotas aumentarão para 25%.
Em seguida, ele ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, em meio a relatos de que o presidente do país, Emmanuel Macron, não estaria disposto a aderir ao seu “Conselho de Paz” para Gaza. Os líderes da União Europeia (UE) marcaram uma reunião para quinta-feira a fim de discutir possíveis medidas retaliatórias.
Além das crescentes tensões comerciais e geopolíticas, os participantes do mercado reagiram negativamente à proposta da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, de cortar impostos sobre alimentos, levando os rendimentos dos títulos da dívida japonesa (JGBs) para máximas históricas e contaminando os mercados globais de renda fixa.