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O Ibovespa renovou máximas históricas nesta quinta-feira, testando os 166 mil pontos pela primeira vez, mas perdeu o fôlego no final, com o arrefecimento dos ganhos em Wall Street e correção negativa de Petrobras. A empresa brasileira acompanhou a forte queda de 4% do petróleo, após o presidente americano Donald Trump amenizar as possibilidades de uma intervenção no Irã.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou com acréscimo de 0,26%, a 165.568,32 pontos, tendo marcado 166.069,84 na máxima e 164.832,53 na mínima. O volume financeiro somou R$27,8 bilhões. O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 0,61%, aos R$5,3684
De acordo com o responsável pela mesa de ações do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi, o ano começou com muita volatilidade, guiada principalmente pela cena internacional, com questões geopolíticas, mas seguindo um pouco a dinâmica de 2025.
“Esse aumento de ruídos no mercado internacional tem beneficiado a percepção de melhora de fluxo para outras economias, e os emergentes têm capturado esse movimento”, afirmou.
Números da B3 mostram entrada líquida de capital externo na bolsa paulista nos primeiros pregões do ano, com o saldo positivo em quase R$3 bilhões até o dia 13 de janeiro, o que tem endossado a alta de 2,76% acumulada em 2026 até o momento.
Zanlorenzi também destacou a proximidade do início de um ciclo de corte da Selic, “que sem dúvida é uma discussão muito positiva”, bem como o cenário eleitoral e a temporada de balanços, que começa a entrar no radar.
“Um pouco da dinâmica do ano passado, de muita volatilidade, mas também com bastante oportunidade. A bolsa ainda está barata.”
Analistas do Itaú BBA destacaram que, mesmo que o índice renove sua máxima histórica, o mercado ainda não terá a máxima dos últimos 12 meses na maior parte dos índices setoriais, o que pode manter o mercado seletivo por mais algum tempo.
Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em alta de 0,26%, com o setor de semicondutores em destaque após os resultados TSMC. Na máxima do dia, subiu 0,76%.
Destaques
– B3 ON avançou 2,65%, tendo no radar dados operacionais de dezembro, que analistas do BTG Pactual afirmaram que mostraram tendências melhores ao longo do quarto trimestre e reforçam o “momentum” de curto prazo mais favorável. O volume financeiro médio diário no segmento de renda variável ficou em R$30,5 bilhões, de R$30 bilhões um ano antes.
– BRADESCO PN valorizou-se 2,05% e ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,86%, em dia misto para os bancos do Ibovespa, com BTG PACTUAL UNIT também fechando em alta, de 1,06%, mas BANCO DO BRASIL ON registrando decréscimo de 0,19% e SANTANDER BRASIL UNIT encerrando com declínio de 2,47%.
– PETROBRAS PN caiu 0,63% e PETROBRAS ON perdeu 1,02%, em pregão marcado por forte queda dos preços do petróleo no exterior. O barril do Brent caiu mais de 4%. A Petrobras também divulgou que a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) bateu recordes históricos de produção de gasolina e diesel S-10 no quarto trimestre de 2025.
– VALE ON cedeu 0,09%, acompanhando a queda dos futuros do minério de ferro na China. Na véspera, as ações da mineradora subiram quase 5% na quarta-feira.
– CSN ON fechou em queda de 3,12%, revertendo a alta de quase 5% no começo do pregão, marcado pela repercussão de anúncio da companhia de plano de venda de ativos mirando desalavancar entre R$15 bilhões a R$18 bilhões. No setor, USIMINAS PNA encerrou o dia em baixa de 3,23%, enquanto GERDAU PN subiu 0,32%.
– SMARTFIT ON desabou 8,17%, tocando uma mínima desde agosto do ano passado. A correção negativa nas ações ocorre após uma valorização de mais de 44% em 2025, enquanto publicações na mídia também citaram efeito de tom mais conservador adotado pelo CEO sobre as perspectivas para a rede de academias de ginástica, em reunião fechada com analistas.
– MOVIDA ON, que não faz parte do Ibovespa, disparou 12,19%, após prévia dos resultados mostrar lucro líquido de R$102 milhões no quarto trimestre de 2025, alta de 65% ante o mesmo período do ano anterior. O número também ficou 24% acima do guidance da locadora de veículos. “A força do lucro líquido foi notável”, ressaltaram analistas do Citi.