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O mercado automotivo brasileiro sai de 2025 em marcha forte: foram 2.547.034 veículos vendidos no ano, alta de 2,4% em relação a 2024, segundo a consultoria K.Lume. Em 2026, quem deve ganhar ainda mais protagonismo são os carros premium – e, entre eles, os grandes holofotes vão para a estreia da chinesa Caoa Changan e da americana Cadillac nesse topo da pirâmide. Por enquanto, nenhuma das montadoras revelou preços, mas o recado é claro: o segmento de alto padrão continua sendo tratado como prioridade estratégica.
A agenda da descarbonização segue guiando os lançamentos mais sofisticados. A Cadillac, braço de luxo da GM, vai aproveitar a entrada na Fórmula 1 para fincar bandeira no Brasil com dois SUVs 100% elétricos.
No mesmo campo, a BMW prepara o novo iX3 para o mercado brasileiro, um utilitário esportivo movido a bateria que inaugura uma nova fase elétrica para a marca no país. A alemã ainda traz a nova geração do Série 1 em sua configuração mais esportiva, a M135, reforçando a presença entre hatchbacks premium.
A Porsche, por sua vez, inicia a virada de um de seus modelos mais importantes. A nova geração do Cayenne já foi apresentada no exterior e está prevista para chegar ao Brasil em 2026 inicialmente em versões totalmente elétricas. Dependendo da estratégia global, versões híbridas ou apenas a combustão podem ser avaliadas mais adiante.
Na Volvo, 2026 será um ano de renovação profunda. O XC60 ganhará uma derivação elétrica batizada de EX60, já com estreia mundial no começo do ano e chegada ao Brasil na sequência. A marca também prepara o retorno ao segmento de sedãs com o ES90, totalmente elétrico, enquanto estuda o SUV XC70 como opção posicionada abaixo do XC90.
China e EUA disputam espaço no luxo brasileiro
Entre as novidades mais aguardadas está a chegada da Caoa Changan, resultado da aliança entre o grupo brasileiro e a marca chinesa. O pontapé será dado pelo Avatr 11, crossover de luxo que já entrou em pré-venda. Depois, vêm o CS75, um SUV médio, e o Uni-T, de porte mais compacto. Os dois últimos têm grande chance de ganhar produção nacional em Anápolis (GO), o que colocaria a operação brasileira em outro patamar de relevância dentro do grupo.
Do lado americano, a Cadillac entra no país em um momento em que o consumidor de alto padrão demonstra apetite por SUVs elétricos de luxo. Lyriq e Optiq chegam como vitrines tecnológicas da GM, com desenho e propostas claramente distintos dos modelos Chevrolet com os quais compartilham plataforma.
Europa e Japão renovam o portfólio premium
Entre as marcas europeias, 2026 será um ano de atualização de portfólio. A Audi terá no novo Q3 sua principal aposta: a terceira geração do SUV passa a ser produzida em São José dos Pinhais (PR), reforçando a presença industrial da marca no país e elevando a competitividade no segmento.
A Mercedes-Benz prepara uma “trinca” de peso para o Brasil. O sedã de estilo cupê CLA surge como alternativa mais jovem ao Classe C, enquanto as novas gerações de GLB e GLC atualizam a linha de SUVs da marca, alinhando design e conteúdo às rivais mais recentes.
A Honda terá um lançamento voltado diretamente ao entusiasta: o retorno do Prelude, agora como esportivo híbrido. O cupê combina um motor 2.0 a combustão a dois propulsores elétricos, com potência na casa dos 200 cv e cerca de 32 kgfm de torque. Traz tração dianteira, freios Brembo inspirados no Type R, câmbio eCVT com simulação de marchas “S+ Shift” e pacote de assistências Honda Sensing – um pacote pensado para quem ainda quer prazer ao volante, mas já dentro da lógica eletrificada.
O que esperar de 2026
Com um mercado total que cresceu 2,4% em 2025 e um consumidor de alto padrão cada vez mais aberto a SUVs elétricos, híbridos e esportivos de nicho, 2026 tende a ser um ano de consolidação do luxo automotivo no Brasil. A entrada de Caoa Changan e Cadillac nesse jogo adiciona diversidade de origem – China e Estados Unidos – a um tabuleiro até aqui dominado por europeus.
Enquanto os preços seguem guardados a sete chaves pelas montadoras, o desenho já está no papel: mais tecnologia embarcada, eletrificação em diferentes graus e uma disputa cada vez mais acirrada por um cliente que quer desempenho, conectividade e, sobretudo, exclusividade na garagem.