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quarta-feira, janeiro 14, 2026

Carne Bovina Acelera Exportações e Amplia Peso Estratégico no Agro Brasileiro

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shiota/Getty Images

Bovinos de corte em área de confinamento

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A carne bovina consolidou-se como um dos principais vetores de crescimento das exportações do agronegócio brasileiro em 2025, ao combinar expansão consistente de volume com forte valorização da receita externa.

Segundo a plataforma AgroStat, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com base em dados a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o faturamento das exportações de carne bovina saltou de US$ 12,8 bilhões (R$ 64,0 bilhões) em 2024 para US$ 17,9 bilhões (R$ 89,5 bilhões) em 2025, um avanço de 39,8% em apenas um ano.

Em um ano de ajustes relevantes no comércio internacional, o setor ampliou embarques, capturou preços mais elevados e ganhou participação estratégica dentro da pauta exportadora do agro, reforçando seu papel na sustentação da balança comercial brasileira.

O desempenho chama atenção também pelo contexto adverso em que foi construído. Ao longo de 2025, o Brasil enfrentou complicações comerciais decorrentes do tarifaço adotado pelos Estados Unidos, que atingiu diretamente a carne bovina e elevou o grau de incerteza para exportadores.

Ainda assim, a cadeia pecuária conseguiu redirecionar fluxos, preservar competitividade e sustentar um ciclo de crescimento que se refletiu tanto em receita quanto em presença nos principais mercados globais.

Número 1 em exportação e, agora, em produção

bovinos de corte

Lucas Ninno/Getty Images

Bovinos de corte em área de pastagens

Esse avanço nas exportações ocorreu em paralelo a uma virada histórica na produção mundial de carne bovina. Em 2025, o Brasil foi reconhecido pelo próprio Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) como o maior produtor global da proteína, superando os Estados Unidos pela primeira vez.

A produção brasileira alcançou o recorde de 12,35 milhões de toneladas equivalente-carcaça (tec), crescimento de 4,2% em relação ao ano anterior. No mesmo período, a oferta norte-americana recuou 3,9%, totalizando 11,8 milhões de toneladas, consolidando uma mudança estrutural no equilíbrio global do setor.

No mesmo intervalo, o volume embarcado cresceu de 2,9 milhões para 3,5 milhões de toneladas, alta de 20,3%. O descompasso positivo entre receita e quantidade exportada evidencia um ganho relevante de preço médio por tonelada.

Esse movimento alterou de forma significativa o peso relativo da proteína bovina dentro do agronegócio exportador. Em 2024, o setor respondia por 7,8% da receita total do agro brasileiro, que somou US$ 164,3 bilhões.

Em 2025, essa participação avançou para 10,6%, sobre um total de US$ 169,2 bilhões, consolidando a carne bovina como um dos pilares centrais de crescimento da balança comercial do campo.

Cortes desossados concentram valor e ditam a estratégia

carne bovina

asikkk/Getty Imagens

Carcaça bovina em área frigorífica

A leitura por categoria de produto mostra que a expansão não ocorreu apenas por escala, mas também por composição da pauta. As carnes desossadas congeladas permaneceram como o principal pilar das exportações, com faturamento de US$ 14,4 bilhões (R$ 72,0 bilhões) em 2025 e volume de 2,7 milhões de toneladas.

Sozinho, esse item respondeu por 80,4% de toda a receita externa da carne bovina brasileira, refletindo eficiência logística, padronização industrial e ampla aceitação internacional.

As carnes desossadas frescas ou refrigeradas também ganharam espaço. Em 2025, geraram US$ 2,1 bilhões (R$ 10,5 bilhões) em receita, com embarques de 0,3 milhão de toneladas. Trata-se de um segmento mais exigente do ponto de vista sanitário e logístico, mas que oferece maior remuneração por tonelada e reforça a inserção do Brasil em mercados de maior valor agregado.

Produtos industrializados e miudezas completaram o portfólio exportador. As preparações e conservas de carne bovina somaram US$ 0,7 bilhão (R$ 3,5 bilhões), enquanto as miudezas comestíveis congeladas responderam por US$ 0,3 bilhão (R$ 1,5 bilhão), ampliando o aproveitamento econômico da carcaça e contribuindo para a diversificação de destinos.

Ranking dos 10 Principais Destinos em 2025

O mercado global de carne bovina brasileira permanece altamente concentrado na Ásia, mas apresenta um crescimento vigoroso em mercados ocidentais estratégicos.

  • 1. China: 1,6 milhão de toneladas — US$ 8,8 bilhões (R$ 44,0 bilhões)
  • 2. Estados Unidos: 271,7 mil toneladas — US$ 1,6 bilhões (R$ 8,0 bilhões)
  • 3. Chile: 135,3 mil toneladas — US$ 0,8 bilhões (R$ 4,0 bilhões)
  • 4. México: 118,0 mil toneladas — US$ 0,6 bilhões (R$ 3,0 bilhões)
  • 5. Rússia: 126,4 mil toneladas — US$ 0,5 bilhões (R$ 2,5 bilhões)
  • 6. Filipinas: 96,2 mil toneladas — US$ 0,4 bilhões (R$ 2,0 bilhões)
  • 7. Países Baixos: 40,3 mil toneladas — US$ 0,4 bilhões (R$ 2,0 bilhões)
  • 8. Egito: 99,8 mil toneladas — US$ 0,4 bilhões (R$ 2,0 bilhões)
  • 9. Itália: 47,3 mil toneladas — US$ 0,4 bilhões (R$ 2,0 bilhões)
  • 10. Hong Kong: 98,9 mil toneladas — US$ 0,4 bilhões (R$ 2,0 bilhões)

Ásia lidera volumes, Ocidente puxa preços

bovinos de corte

weber santana/Getty Images

Vista aérea de um confinamento de terminação de gado

O ranking de destinos em 2025 confirma a forte concentração das exportações brasileiras na Ásia, com a China mantendo-se como principal compradora. O país importou 1,6 milhão de toneladas de carne bovina brasileira, gerando US$ 8,8 bilhões (R$ 44,0 bilhões) em receita.

A participação chinesa no faturamento total do setor avançou de 46,6% em 2024 para 49,2% em 2025, aprofundando a dependência, mas garantindo escala e previsibilidade às operações brasileiras.

Na sequência aparecem os Estados Unidos, com 0,3 milhão de toneladas e US$ 1,6 bilhão (R$ 8,0 bilhões), seguidos por Chile e México. O desempenho mexicano se destaca: o faturamento triplicou em um ano, saltando de US$ 0,2 bilhão para US$ 0,6 bilhão, acompanhado por crescimento equivalente em volume.

Na Europa, mercados como Países Baixos e Itália praticamente dobraram o valor importado entre 2024 e 2025, mesmo com volumes absolutos menores. O movimento indica maior penetração do Brasil em nichos de cortes nobres e produtos de maior valor agregado.

Quem paga mais pela tonelada brasileira

carne bovina

ribeirorocha/Getty Images

Cortes de picanha

A análise de preço médio por destino explicita a lógica dessa estratégia comercial. Em 2025, o valor médio global da carne bovina exportada pelo Brasil ficou em torno de US$ 5,2 mil por tonelada.

Os Países Baixos lideraram o ranking de valorização, pagando cerca de US$ 9,5 mil por tonelada, quase o dobro da média. A Itália aparece na sequência, com US$ 7,9 mil por tonelada, enquanto os Estados Unidos remuneraram o produto brasileiro a aproximadamente US$ 6,0 mil por tonelada.

Na outra ponta, mercados como Egito e Hong Kong operaram com preços médios mais baixos, em torno de US$ 3,8 mil e US$ 3,6 mil por tonelada, respectivamente, refletindo maior participação de cortes simples e miudezas.

A China manteve um equilíbrio estratégico, com preço médio de US$ 5,4 mil por tonelada, ligeiramente acima da média global, sustentando margens mesmo em operações de grande escala.

Valor agregado cresce também dentro da pauta

Bovinos de corte

Alfribeiro/Getty images

Bovinos de cruzamento industrial para produção de carne premium

Quando observados por tipo de produto, os dados reforçam a transição qualitativa do setor. As preparações e conservas de carne bovina lideraram o ranking de valor unitário, com preço médio de US$ 7,2 mil por tonelada.

As carnes desossadas frescas ou refrigeradas alcançaram US$ 6,3 mil por tonelada, enquanto as carnes salgadas, secas ou defumadas, apesar do volume residual, operaram em torno de US$ 6,1 mil por tonelada.

Mesmo com preço médio inferior, de US$ 5,3 mil por tonelada, as carnes desossadas congeladas permaneceram como o principal motor financeiro do setor, justamente por combinarem escala, eficiência logística e ampla aceitação internacional.

Uma mudança estrutural em curso

O contraste com outras cadeias do agronegócio é evidente. Enquanto em segmentos como o complexo soja o aumento de volume não se traduziu em ganho de receita, a carne bovina apresentou um efeito duplo: mais toneladas embarcadas e mais dólares capturados por tonelada.

O avanço de 39,8% no faturamento, frente a 20,3% de crescimento no volume, indica que o Brasil passou a vender não apenas mais carne, mas carne melhor remunerada.

Os dados de 2024 e 2025 apontam para um reposicionamento estrutural da pecuária brasileira no mercado internacional. O país avança simultaneamente na hegemonia de volume nos mercados asiáticos e na valorização nos destinos que pagam prêmio por qualidade, padronização e rastreabilidade.

Trata-se de uma mudança silenciosa, mas de impacto direto sobre renda, investimento e estratégia de longo prazo da cadeia da carne bovina.



[Fonte Original]

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