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As redes sociais foram tomadas esta semana pela notícia de que Wagner Moura venceu o Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama por sua atuação em O Agente Secreto. Imagens, vídeos e memes inundaram as plataformas, enquanto brasileiros comemoravam no perfil do Instagram do próprio Golden Globes. Mas uma pessoa estava ausente em meio a toda essa repercussão: o próprio Moura, já que o ator não tem presença nas redes sociais.
Em mais de uma ocasião, Wagner Moura já expressou seu desinteresse em ter um perfil no Instagram ou em qualquer outra plataforma. Assim como atores como Keanu Reeves, Brad Pitt e Sandra Bullock, ele evita produzir conteúdo online. “Eu não sinto falta de ter uma presença online”, disse Moura em entrevista ao Metrópoles. “As redes sociais são um lugar com muita raiva acontecendo, e a autopreservação é algo bom.”
De fato, Moura não precisou lidar com os efeitos negativos da exposição nas redes sociais que muitas figuras públicas hoje tentam remediar, desde discurso de ódio até comparação constante e isolamento social. Ainda assim, ele conseguiu se beneficiar de toda a atenção online sem ter que manter seu próprio espaço na internet, e a ciberpsicologia oferece uma hipótese do porquê.
O Trabalho Por Trás da Influência Online
Afinal, como as celebridades mantêm influência no ambiente digital? Apesar de muitas terem perfis no Instagram ou no TikTok, frequentemente não são elas que produzem o conteúdo. Uma prática comum é delegar a criação a ghostwriters profissionais, que replicam o estilo e a voz característicos da celebridade.
As comunidades de fãs também sustentam essa influência. Fãs mais engajados conseguem mobilizar milhões de fãs em geral, segundo um estudo apresentado no ano passado na Conference on Human Factors in Computing Systems. Isso acontece por meio de ações coletivas em larga escala, como controlar seções de comentários, promover hashtags específicas e realizar reproduções repetidas de vídeos sem som para impulsionar artificialmente visibilidade e rankings.
O Prestígio Faz o Trabalho
Para além das dinâmicas tradicionais das redes sociais, o que parece acontecer é que figuras cuja presença está ganhando tração online, como Wagner Moura, talvez nem precisem ter um perfil em redes sociais. O atual frenesi digital em torno dele não depende do que ele faz ou deixa de fazer nas plataformas, mas de como o público processa psicologicamente sua imagem por meio dos canais de mídia.
No caso de Moura, ele não precisa, necessariamente, interagir diretamente com o público por meio das redes sociais. Mesmo sem ter um perfil oficial em lugar algum, conteúdos publicados sobre ele — sejam vídeos da cerimônia do Globo de Ouro, entrevistas ou cenas do filme em que atua — funcionam como os meios pelos quais o público consome sua imagem.
O viés de prestígio também desempenha um papel importante, já que indivíduos tendem a preferir aprender com e compartilhar conteúdos associados a figuras prestigiadas, segundo um artigo publicado no ano passado por Takuro Niitsuma e colegas na revista Nature.
Como conteúdos produzidos por pessoas prestigiadas representam cerca de metade do fluxo de informações nas redes sociais, a simples associação com essas celebridades já é suficiente para impulsionar a viralização e sustentar sua autoridade digital, mesmo quando elas atuam mais como intermediárias do que como disseminadoras diretas desse conteúdo.
Curiosamente, a ausência de Moura nas redes sociais pode até fortalecer o vínculo parassocial entre ele e o público. Isso porque, sem a exposição cotidiana em que o ator poderia compartilhar detalhes de sua vida diária ou opiniões pessoais, sua imagem permanece idealizada.
Assim como um locutor de rádio que é apenas ouvido, mas nunca visto, e ainda assim soa como um velho amigo, essa idealização permite que os fãs projetem no ator as qualidades que mais admiram, sem a interferência do ruído das redes sociais. Nesse contexto, Wagner Moura se torna um substituto relacional que oferece validação, conforto e um senso de identidade compartilhada. Resta saber se esse novo momento se sustentará no longo prazo.
À medida que o ator brasileiro é elevado a novos patamares de estrelato online, isso também nos leva a refletir sobre o que realmente significa, para as celebridades, estar presente nas redes sociais. Elas podem ser entendidas como faróis que não precisam de tijolos adicionais para serem vistos.
Em vez disso, sua posição já estabelecida e seu prestígio permitem que outros (como escritores profissionais e fãs devotados) naveguem pelas complexidades dos mares digitais e espalhem o sinal de seu ídolo muito além da própria torre.