24.5 C
Brasília
sexta-feira, janeiro 16, 2026

Distante de Trump, Canadá anuncia acordo comercial com a China

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou nesta sexta-feira (16) que Canadá e China firmaram um acordo comercial preliminar para reduzir tarifas e retirar sobretaxas de diversos produtos agrícolas canadenses, o qual Ottawa espera que entre em vigor em 1º de março, após dois dias de reuniões em Pequim.

Em declarações à imprensa ao término do seu encontro com o ditador Xi Jinping, Carney afirmou que a China prevê reduzir as tarifas sobre a canola canadense para uma taxa combinada de cerca de 15% – uma queda significativa em relação ao nível atual de 84%.

Além disso, produtos como ervilhas, lagostas e caranguejos deixarão de estar sujeitos a “tarifas discriminatórias” a partir de 1º de março, permanecendo assim pelo menos até o fim deste ano.

Segundo o chefe do governo canadense, estas medidas podem gerar quase US$ 3 bilhões em novos pedidos de exportação para agricultores, pescadores e processadores do país.

O premiê canadense frisou que o acordo possui caráter preliminar, mas assegurou que seu Executivo tem um “alto grau de confiança” em sua aplicação.

“Esperamos que, a partir de 1º de março, antes da temporada de plantio, as tarifas sobre a canola caiam de cerca de 85% para uma taxa combinada de aproximadamente 15%”, afirmou, referindo-se à formulação técnica do entendimento alcançado.

Carney enquadrou estas medidas em uma ampliação do comércio bilateral, especialmente no setor agroalimentar, que qualificou como um dos pilares tradicionais da relação entre as nações.

“Por mais de seis décadas, o Canadá tem sido um parceiro confiável para a China nas exportações de alimentos”, assinalou, lembrando que as vendas agrícolas canadenses ao mercado chinês superam os US$ 7 bilhões anuais.

O também líder do Partido Liberal canadense acrescentou que o acordo pode facilitar avanços em outros segmentos do setor primário. “Esperamos ver uma resolução para muitos obstáculos de longa data em uma série de setores agrícolas importantes, desde a carne bovina até alimentos para animais de estimação”, indicou.

Veículos elétricos e investimento industrial

Além do âmbito agrícola, Carney anunciou avanços no comércio industrial ao confirmar que o Canadá permitirá a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses por ano em seu mercado, sob a tarifa de nação mais favorecida, de 6,1%.

O primeiro-ministro detalhou que este volume “representa um retorno aos níveis observados em 2023” e equivale a “menos de 3% do mercado automobilístico canadense”. O chefe do governo defendeu que o acordo prevê que uma parte crescente desses veículos se situe no segmento de preços mais baixos.

“Uma parcela cada vez maior destas exportações corresponderá a veículos elétricos com preço de importação inferior a US$ 35 mil”, declarou, destacando que o entendimento abre portas para investimentos chineses no Canadá para a produção local de veículos nos próximos anos.

Carney vinculou estas medidas a um objetivo mais amplo de diversificação comercial e industrial, sustentando que o acordo prevê uma revisão de seus termos no médio prazo. “Este acordo prevê uma revisão após três anos, em qualquer caso dentro de um volume reduzido no conjunto do mercado canadense”, explicou.

A visita do primeiro-ministro canadense à China – a primeira de um chefe de governo do país norte-americano em quase uma década – ocorre após anos de fricções comerciais e políticas que afetaram significativamente o intercâmbio bilateral, em particular no setor agroalimentar.

Ottawa busca agora normalizar esses fluxos em um contexto internacional marcado por tensões comerciais e pela reconfiguração das cadeias globais de suprimentos.

Com o novo acordo, o Canadá busca diversificar seu comércio e reduzir a dependência dos EUA, país com o qual enfrenta atritos há quase um ano. Por outro lado, a China busca atrair antigos parceiros dos americanos que estão frustrados com o protecionismo do governo de Donald Trump.

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img